O presidente russo, Vladimir Putin, reafirmou na quarta-feira o apoio da Rússia a Cuba, país alvo de novas sanções dos Estados Unidos. Durante encontro em Moscou, o líder russo declarou que a Rússia “não aceitará nada disso” em relação às medidas impostas por Washington.
A declaração ocorre em meio a tensões geopolíticas e dificuldades econômicas para a ilha caribenha.
Posição firme de Moscou contra sanções
Em conversa com o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, Putin foi direto ao ponto. “Sabe o que pensamos sobre este assunto. Não aceitamos nada do género”, afirmou o presidente russo.
Ele se referia explicitamente às sanções americanas. Além disso, acrescentou:
“Sempre estivemos ao lado de Cuba na sua luta pela independência, pelo direito de traçar o seu próprio caminho de desenvolvimento, e sempre apoiámos o povo cubano”.
Essa não é a primeira manifestação de apoio russo. Altos funcionários do país já haviam se pronunciado anteriormente em favor da nação insular.
Crise energética agrava situação em Cuba
Escassez de combustível e apagões
Enquanto os líderes dialogavam em Moscou, a situação em Cuba se mostra crítica. A ilha enfrenta:
- Apagões frequentes
- Grave escassez de combustível
- Dificuldades na importação de petróleo
Esses problemas são agravados pelo embargo petrolífero dos EUA. Cuba tem tido dificuldades em importar petróleo para suas centrais elétricas e refinarias.
Pressão externa dos Estados Unidos
A situação piorou depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou com tarifas qualquer nação que vendesse petróleo a Cuba. Essa pressão externa impacta diretamente:
- A vida dos cubanos
- A economia local
Apelos internacionais contra o bloqueio
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, já havia instado Washington a abster-se de bloquear Cuba. Em declarações recentes, Lavrov disse:
“Juntamente com a maioria dos membros da comunidade global, estamos a apelar aos EUA para que mostrem bom senso, adoptem uma abordagem responsável e se abstenham dos seus planos de bloqueio marítimo”.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, também reforçou essa posição. Ele afirmou que “a Rússia, tal como muitos outros países, tem-se pronunciado sistematicamente contra o bloqueio da ilha”.
Relações bilaterais Rússia-Cuba
Laços históricos valorizados
Peskov destacou ainda a importância dos laços entre Moscou e Havana. “Temos as nossas relações com Cuba e valorizamos muito essas relações”, afirmou o porta-voz.
Ele completou: “E tencionamos desenvolvê-las ainda mais – claro, durante os tempos difíceis, prestando assistência adequada aos nossos amigos”.
Postura independente de Moscou
Questionado sobre se o envio de combustível para Cuba poderia afetar o recente aquecimento dos laços com Washington, Peskov respondeu que “não pensamos que estas questões estejam ligadas”.
A declaração indica que a Rússia não pretende mudar sua postura em razão de pressões externas.
Impacto econômico e turístico
Setor turístico afetado
A escassez de combustível em Cuba já obrigou as empresas turísticas russas a suspender a venda de pacotes turísticos para a ilha.
Além disso, o governo cubano afirmou que não fornecerá combustível aos aviões que aterrarem na ilha. A medida deve afetar ainda mais o setor.
Reflexos da crise energética
Essas restrições refletem a profundidade da crise energética que assola o país. As repercussões são diretas na economia e no cotidiano da população.
Contexto regional e fornecedores
Mudanças no fornecimento de petróleo
A Venezuela, sob o comando do agora destituído Maduro, era um dos principais fornecedores da maior parte das necessidades de petróleo de Cuba.
Com as mudanças políticas e econômicas na região, esse fluxo foi comprometido.
Corte de aliados regionais
O México, outro aliado, também cortou o envio de petróleo para Cuba após a ameaça de tarifas de Trump.
Esses fatores combinados explicam, em parte, a gravidade da situação atual enfrentada pelos cubanos.
Resiliência do povo cubano
Numa conferência de imprensa após seu encontro com Lavrov, Rodríguez observou que as coisas estão a piorar consideravelmente no seu país neste momento.
O chanceler cubano explicou:
“Hoje em dia, o povo cubano está a sofrer muito com as graves dificuldades, mas tem plena consciência das causas e razões subjacentes a estas privações económicas e mantém-se unido”.
A declaração reforça a narrativa de resistência frente às adversidades, um tema recorrente na história recente de Cuba.
Conclusão: apoio russo mantido
As declarações de Putin e de outros representantes russos deixam claro que Moscou não pretende recuar em seu apoio a Havana, mesmo diante das pressões internacionais.
Enquanto isso, Cuba segue enfrentando desafios estruturais agravados por medidas externas. A população lida diariamente com as consequências da escassez de energia e combustível.
O cenário geopolítico permanece tenso, com a Rússia posicionando-se como um aliado estratégico em meio a um contexto de disputas globais.
















