Setor madeireiro em Ponta Grossa: Sindimadeira analisa desafios e projeta futuro da indústria

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Fabiano Blageski
Fabiano Blageski
Radialista em Ponta Grossa, atuou em rádios, TV e sites, com experiência no microfone e nos bastidores. Apaixonado por comunicação, entretenimento e notícias, também é promoter de eventos, assessor de imprensa, destacando-se pela versatilidade e busca constante por aprendizado.
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O setor madeireiro em Ponta Grossa atravessa um momento de profunda transformação, em meio às mudanças tecnológicas, pressões tarifárias internacionais e a busca por novos mercados. Com uma das cadeias produtivas mais completas do país, os Campos Gerais mantêm papel estratégico no desenvolvimento da indústria da madeira, unindo inovação, tradição e potencial de crescimento sustentável.

À frente dessa articulação, o Sindicato das Indústrias de Serrarias, Carpintarias e Tanoarias, e de Marcenarias de Ponta Grossa (Sindimadeira), comandado por Álvaro Scheffer Júnior, atua como ponte entre empresas, governo, universidades e fornecedores de tecnologia para fortalecer a competitividade regional.

Scheffer destaca que o Paraná é hoje o polo mais completo do Brasil na utilização integral da floresta, aproveitando desde galhos mais finos até toras destinadas à construção civil. Mesmo com essa estrutura consolidada, o setor sentiu com força os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos — medida que afetou exportações, reduziu turnos de trabalho e levou algumas indústrias à paralisação parcial.

Apesar do cenário difícil em 2025, a expectativa para 2026 é de retomada gradual, especialmente se houver resolução das tarifas. Paralelamente, o setor acelera sua aposta na madeira engenheirada, tecnologia que pode transformar a construção civil brasileira com eficiência energética, conforto térmico e menor impacto ambiental. A certificação nacional da madeira engenheirada, liderada pelo Tecpar, deve impulsionar essa transição.

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Outro desafio importante é a tributação: enquanto a construção convencional tem carga de 1% para fins sociais, a construção industrializada chega a 33%, o que limita o avanço de sistemas como Wood Frame e CLT. O Sindimadeira defende equiparação como caminho para destravar investimentos.

A diversificação de mercados também está em curso, com tentativas de realocar produtos antes destinados aos EUA para Europa, China e consumidor interno. Scheffer alerta, porém, que a reconversão é lenta, cara e nem sempre compatível com a escala de produção local.

O dirigente afirma ainda que o setor precisa de avanços em qualificação profissional, energia elétrica estável, ampliação de área plantada e melhorias em infraestrutura — especialmente nas estradas e no transporte público do Distrito Industrial de Ponta Grossa. A cooperação entre governo, indústrias e sindicatos será determinante para transformar a região em referência nacional até 2026.

Para Scheffer, o momento também é oportunidade: a crise tarifária mostrou o valor estratégico da madeira brasileira e reforçou a urgência de fortalecer o mercado interno. Com apoio estatal, inovação contínua e investimentos em industrialização, o setor madeireiro em Ponta Grossa pode liderar uma nova fase de crescimento sustentável e tecnológico.

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