Os três homens acusados de assassinar Luiz Fernando Cardoso da Silva, de 47 anos, e de tentar matar duas crianças, de dois e três anos, foram absolvidos pelo Tribunal do Júri da Comarca de Ponta Grossa. O julgamento, que se estendeu por mais de 14 horas, colocou fim a um processo que se arrastava desde agosto de 2024.
Os réus Alexsandro Santos Lourenço, João Vitor Machado e Gilson Rosas de Oliveira Martins haviam sido denunciados pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) por homicídio qualificado e dupla tentativa de homicídio. No entanto, o Conselho de Sentença — formado por cinco mulheres e dois homens — decidiu pela absolvição de todos os crimes imputados ao trio.
O que dizem as defesas
Durante a sessão no plenário, os advogados de defesa apresentaram provas que desconstruíram a tese acusatória do Ministério Público.
O advogado Helian Kosloski, responsável pela defesa de Alexsandro, destacou o resultado favorável após a longa sessão:
“O Corpo de Jurados entendeu pela absolvição de todos os crimes em relação a Alexsandro dos Santos Lourenço. Além da defesa comprovar que Alexsandro não tinha conhecimento sobre os fatos, demonstrou e provou quem são e quem foram os reais atiradores.”
Na mesma linha, o advogado Renato Tauille, que representou João Vítor Machado, ressaltou a contundência das provas apresentadas aos jurados para inocentar seu cliente:
“Após um processo que se arrastava por dois anos, o conselho de sentença absolveu João Vítor Machado em relação à acusação do crime de homicídio e duas tentativas de homicídio. A defesa, no dia de hoje, comprovou categoricamente em plenário a inocência de João Vítor. Além disso, apresentou provas contundentes de quem efetivamente matou Luiz Fernando.”
Relembre o caso: tragédia e vingança
O crime que gerou o julgamento chocou a cidade na tarde de 28 de agosto de 2024. A dinâmica e a motivação do ataque escancararam um ciclo de violência familiar no bairro Neves (Costa Rica III).
De acordo com os autos do processo, atiradores chegaram em um veículo VW/Gol preto à residência localizada na Rua Ana Dezone Amaral. Um dos ocupantes invadiu a casa e abriu fogo contra os moradores.
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A vítima fatal: Luiz Fernando Cardoso da Silva foi atingido na região da cabeça. Ele chegou a ser socorrido em estado grave pelo SIATE, mas não resistiu aos ferimentos, e seu corpo foi encaminhado ao IML.
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Crianças baleadas: Duas meninas que estavam na casa também foram atingidas. Maya, de 3 anos, foi ferida no ombro, enquanto Jade, de 2 anos, foi atingida na mão. Ambas foram levadas ao Hospital Materno-Infantil (HUMAI).
Segundo a denúncia original do MPPR, o crime teria sido motivado por vingança. Um dia antes do ataque à casa de Luiz Fernando, a jovem Renata Santos Lourenço, que estava grávida e era familiar dos então acusados, foi brutalmente assassinada a facadas (feminicídio). O autor desse crime seria Jhonathan Cardoso da Silva, de 27 anos, filho de Luiz Fernando.
Na época, a Polícia Civil apontou que Jhonathan estaria escondido na casa do pai, o que teria motivado a invasão armada ao local.
Apesar da tragédia e das acusações iniciais formuladas pelo Ministério Público contra Gilson, Alexsandro e João Vítor, a decisão soberana do Tribunal do Júri concluiu que os três não foram os responsáveis pela invasão e pelos disparos, resultando na absolvição total dos réus.
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