Trump retira EUA de mais de 60 organizações internacionais, incluindo órgãos da ONU

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Fabiano Blageski
Fabiano Blageski
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (7) uma proclamação que determina a retirada do país de mais de 60 organizações internacionais. A medida inclui 35 entidades que não pertencem às Nações Unidas e outras 31 diretamente vinculadas à Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo comunicado oficial da Casa Branca, Trump retira EUA de organizações internacionais porque, na avaliação do governo americano, essas instituições “operam contrariamente aos interesses nacionais dos Estados Unidos”. A decisão reforça a postura adotada pelo republicano de restringir a participação do país em fóruns multilaterais que não estejam alinhados à sua agenda política.

Entre os órgãos afetados estão agências e painéis ligados à ONU que atuam em áreas como mudanças climáticas, direitos trabalhistas e políticas de diversidade. O governo Trump classifica essas pautas como parte de uma agenda “woke”, termo frequentemente usado por aliados do presidente para criticar iniciativas progressistas.

Na lista de entidades atingidas estão a ONU Mulheres, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

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Esta não é a primeira vez que Trump adota esse tipo de medida. Em seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, o presidente já havia anunciado a saída dos Estados Unidos de diversos organismos multilaterais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em meio à pandemia de Covid-19. À época, Trump acusou a entidade de ser influenciada pela China e de fornecer orientações equivocadas sobre o coronavírus.

Além disso, o governo americano também suspendeu o apoio a instituições como a UNRWA, o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a UNESCO. Paralelamente, houve cortes significativos na ajuda externa por meio da USAID, decisão que levou ao encerramento de diversos projetos humanitários e sociais ao redor do mundo.

Analistas internacionais avaliam que a medida representa uma mudança profunda na relação dos Estados Unidos com o multilateralismo. Para Daniel Forti, do International Crisis Group, a postura americana passa a ser de cooperação apenas sob condições impostas por Washington, o que força organismos internacionais a se reorganizarem diante da perda de recursos e apoio político.

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