O vício em apostas online tem provocado um aumento significativo na procura por atendimento especializado no Brasil. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que os atendimentos de saúde mental relacionados à dependência de jogos cresceram quase 140% no Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos cinco anos.
As informações foram apresentadas durante audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados. No mesmo período, o Ministério da Fazenda informou que mais de 500 mil pessoas solicitaram a exclusão dos cadastros em plataformas de apostas por tempo indeterminado. A ferramenta de autoexclusão está disponível por meio da plataforma gov.br.
O debate foi solicitado pelo deputado Vander Loubet (PT-MS), que defende, juntamente com outros parlamentares, o Projeto de Lei 1808/26, que propõe a proibição das apostas online no país.
Representando o Ministério da Saúde, Marcelo Dias explicou que o governo precisou criar uma plataforma de atendimento digital dentro do Meu SUS Digital para atender pessoas com problemas relacionados ao jogo. Antes do atendimento, os usuários realizam um autoteste que ajuda a identificar o nível de dependência.
Segundo ele, a ampliação da oferta de apostas contribuiu para o crescimento dos casos de dependência. Marcelo afirmou que, embora tenha ocorrido uma maior regulação das bets nos últimos anos, o setor operou sem restrições mais rígidas durante a pandemia da Covid-19.
De acordo com o representante, muitos usuários começam apostando após obter ganhos iniciais, o que estimula a continuidade da prática. Quando surgem as perdas financeiras, ocorre a tentativa de recuperar o dinheiro perdido, comportamento frequentemente associado aos transtornos relacionados ao jogo.
Durante a audiência, o representante do Ministério da Fazenda, Leandro Lucchesi, destacou que a regulamentação recente retirou diversas operadoras irregulares do mercado e buscou combater práticas abusivas, especialmente propagandas que apresentam as apostas como forma de complemento de renda.
Ele explicou ainda que o governo trabalha na identificação de mecanismos considerados manipulativos nos jogos. Entre eles está o chamado “quase ganho”, quando o apostador acredita que esteve muito próximo da vitória, aumentando a tendência de continuar apostando. Outro exemplo é o “ganho negativo”, situação em que o jogador recebe de volta apenas parte do valor apostado, mas o sistema apresenta o resultado como uma vitória.
O Ministério da Fazenda também estuda formas de classificar os jogos conforme o grau de risco e desenvolver indicadores relacionados ao endividamento provocado pelas apostas.
Dados do governo apontam que havia pouco mais de 25 milhões de apostadores em 2025, o equivalente a cerca de 18% da população adulta brasileira. O público é formado principalmente por homens entre 18 e 50 anos. Segundo as estimativas, os apostadores perderam aproximadamente R$ 38 bilhões ao longo do ano passado.
Embora metade dos usuários tenha gastado até R$ 50 por mês em apostas, cerca de 20% desembolsaram aproximadamente R$ 1.000 mensais, reforçando a preocupação das autoridades com os impactos econômicos e sociais do vício em apostas online.

Com informações da Agência Câmara Notícias.
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