Agosto Lilás reforça combate à violência contra a mulher em PG
Agosto Lilás em Ponta Grossa reforça o combate à violência contra a mulher. Presidente do CMDM destaca proteção, prevenção e atendimento.

O combate à violência contra a mulher ganhou destaque no BnT News nesta sexta-feira (7), durante entrevista com a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM) de Ponta Grossa, Tânia Sviercoski. À frente do Conselho no biênio 2026-2028, ela falou sobre o Agosto Lilás, os 20 anos da Lei Maria da Penha e as ações desenvolvidas no município para prevenção e enfrentamento à violência doméstica.
Durante a entrevista, Tânia destacou que, apesar dos avanços na legislação brasileira, ainda há um longo caminho para garantir a proteção efetiva das mulheres.
“Apesar de nós termos uma das legislações mais modernas do mundo em termos de proteção às mulheres, nós precisamos lutar muito ainda para que ela seja efetivada”, afirmou.
VIOLÊNCIA VAI ALÉM DA AGRESSÃO FÍSICA
Um dos principais pontos abordados pela presidente do Conselho foi a necessidade de ampliar a informação sobre as diferentes formas de violência previstas na legislação.
Segundo Tânia, muitas mulheres ainda têm dificuldade para identificar que estão vivendo uma situação de violência porque associam o problema exclusivamente à agressão física.
A Lei Maria da Penha reconhece diferentes formas de violência contra a mulher, incluindo violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
Para a presidente do CMDM, a informação é fundamental para que uma vítima consiga reconhecer um relacionamento ou ambiente abusivo e procure ajuda antes que a situação se agrave.
“Existe um ciclo de violência. Essa violência tende sempre a aumentar e, infelizmente, em alguns casos, acontece o feminicídio. Então, é preciso identificar que ela está naquele ambiente, que está sendo vítima e que procure ajuda”, explicou.
Tânia também ressaltou que o Agosto Lilás funciona como um período de intensificação das campanhas de conscientização, levando informações tanto às mulheres quanto à sociedade sobre direitos, mecanismos de proteção e canais de atendimento.
REDE DE PROTEÇÃO EM PONTA GROSSA
Durante a entrevista, Tânia destacou a estrutura criada nos últimos anos em Ponta Grossa para atender mulheres em situação de violência.
Entre os serviços citados está o Centro de Referência da Mulher Brasileira (CRMB), localizado nas proximidades da Arena Multiuso. O espaço oferece atendimento psicológico e assistência social, além de orientação sobre direitos e encaminhamento para outros órgãos da rede de proteção.
Entre as instituições que podem atuar de forma integrada estão a Delegacia da Mulher, Defensoria Pública, Juizado de Violência Doméstica, Núcleo Maria da Penha da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), serviços municipais, unidades de saúde e órgãos de segurança pública.
Tânia explicou que a integração entre as diferentes instituições é considerada essencial para identificar situações de violência antes que elas avancem.
“Para que exista realmente um enfrentamento efetivo da violência doméstica, é preciso que esses órgãos se conversem”, afirmou.
Ela lembrou da própria experiência profissional na segurança pública e destacou a importância de trabalhar na prevenção.
“Eu trabalhei muitos anos na segurança pública, atuando como delegada e investigando muitos casos de violência doméstica e feminicídio. Havia essa angústia porque a gente só atendia quando a situação chegava nesse ponto”, relatou.
Outro serviço mencionado foi a Patrulha Maria da Penha, que acompanha mulheres com medidas protetivas de urgência e atua para verificar o cumprimento das determinações judiciais.
Segundo Tânia, esse acompanhamento ajuda a ampliar a sensação de segurança das vítimas e fortalece a comunicação entre as mulheres atendidas e os órgãos responsáveis pela proteção.
PLANO MUNICIPAL PREVÊ AÇÕES PARA OS PRÓXIMOS ANOS
A presidente do Conselho também destacou o lançamento do primeiro Plano Municipal de Políticas para as Mulheres de Ponta Grossa.
O documento estabelece diretrizes para orientar as políticas públicas voltadas às mulheres no município nos próximos dez anos.
“Para você fazer uma política pública, precisa planejar. Sem planejamento não dá. Esse plano é um planejamento da política pública para os próximos dez anos aqui no município”, explicou.
Segundo Tânia, a execução das medidas contará com o trabalho do Departamento da Mulher, apoio dos integrantes da rede de enfrentamento e acompanhamento do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.
O CMDM tem entre suas atribuições acompanhar e fiscalizar a implementação das políticas públicas destinadas às mulheres, além de participar das discussões sobre ações de prevenção à violência e garantia de direitos.
Ao final da entrevista, Tânia reforçou a importância da campanha Agosto Lilás e fez um apelo para que informações sobre violência doméstica e direitos das mulheres alcancem cada vez mais pessoas.
“Esse mês é para a gente informar as mulheres dos seus direitos, informar sobre as questões relacionadas à violência doméstica e conscientizar todos da importância do respeito e do cuidado”, concluiu.
CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:
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