Arrecadação na região de PG chega a R$ 859 milhões em agosto e fica acima da inflação
A região atendida pela Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa somou uma arrecadação de R$ 859,1 milhões em agosto de 2026, alta real de 6,76% sobre o mesmo mês do ano passado. De janeiro a agosto, os recolhimentos já somam R$ 7,57 bilhões

A arrecadação federal em Ponta Grossa e nos outros 63 municípios atendidos pela Delegacia da Receita Federal local alcançou R$ 859,1 milhões em agosto de 2026. O valor representa aumento nominal de 11,27% na comparação com agosto do ano passado e, descontada a inflação medida pelo IPCA, uma expansão real de 6,76%. Os dados foram divulgados pelo Delegado Remy Deiab Junior da Receita Federal, nesta segunda-feira (28)
Em agosto de 2025, a arrecadação havia sido de R$ 772,1 milhões. Na comparação direta, portanto, entraram aproximadamente R$ 87 milhões a mais nos cofres federais neste ano. A Delegacia da Receita Federal de Ponta Grossa possui jurisdição sobre 64 municípios, o que significa que os números divulgados não correspondem exclusivamente à economia ponta-grossense, mas a toda a área administrada pela unidade.
Arrecadação ultrapassa R$ 7,5 bilhões no ano
No acumulado entre janeiro e agosto de 2026, os recolhimentos de tributos fazendários e previdenciários chegaram a R$ 7,573 bilhões.
No mesmo período de 2025, haviam sido arrecadados R$ 7,118 bilhões. A diferença é de aproximadamente R$ 455,4 milhões, o equivalente a uma alta nominal de 6,40%.
Os números mostram que a arrecadação mantém uma trajetória de crescimento em relação ao ano passado. No entanto, é importante observar que aumento de receita tributária não deve ser interpretado automaticamente como crescimento econômico de igual intensidade.
A arrecadação também é influenciada por fatores como massa salarial, lucratividade das empresas, importações, volume de vendas, recolhimentos previdenciários, compensações tributárias e alterações na dinâmica de determinados impostos.
O que ajudou a arrecadação a crescer
A Receita Federal também apresentou fatores observados na 9ª Região Fiscal, formada por Paraná e Santa Catarina, que influenciaram os resultados regionais e também tiveram reflexos sobre a área administrada pela Delegacia de Ponta Grossa.
Um dos movimentos mais relevantes foi o crescimento dos tributos relacionados às importações. Na 9ª Região Fiscal, a arrecadação dessa categoria avançou 29,5%, representando R$ 1,43 bilhão adicionais.
O volume, em dólares, das mercadorias importadas pela região cresceu 14,8%, enquanto a taxa média de câmbio recuou 5,39%.
Emprego e salários influenciam contribuição previdenciária
Outro destaque foi a arrecadação previdenciária, que aumentou 8,2% na comparação nominal, acréscimo de aproximadamente R$ 529,7 milhões na 9ª Região Fiscal.
Segundo a Receita Federal, um dos fatores relacionados ao resultado foi o crescimento de 7,5% da massa salarial nominal, correspondente a uma alta de 2,9% quando considerada a inflação.
Esse indicador é particularmente relevante porque o comportamento da massa salarial está associado tanto ao nível de emprego formal quanto à remuneração dos trabalhadores.
Empresas recolheram mais IRPJ e CSLL
Os tributos relacionados aos resultados das empresas também tiveram desempenho positivo. A arrecadação conjunta de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) avançou 11,9%, um aumento de R$ 249,8 milhões na 9ª Região.
A Receita aponta crescimento nas diferentes modalidades de apuração, incluindo balanço trimestral, lucro presumido e estimativa mensal. O dado sugere aumento dos recolhimentos relacionados à atividade empresarial, embora, isoladamente, não permita medir o desempenho específico das empresas de Ponta Grossa.
Simples Nacional também cresce
Outro indicador importante foi o Simples Nacional, utilizado principalmente por micro e pequenas empresas. Os recolhimentos cresceram 9,1%, ou R$ 242,2 milhões, na comparação com agosto do ano anterior. Como o Simples reúne diversos impostos em um único pagamento, o avanço influencia tributos federais como IRPJ, CSLL, PIS/Cofins, contribuição previdenciária e IPI, além de impostos estaduais e municipais, como ICMS e ISS.
Para uma região com forte presença de pequenas empresas, comércio e prestadores de serviços, esse é um indicador que merece acompanhamento ao longo dos próximos meses.
Comércio e serviços ajudam PIS e Cofins
A arrecadação de Cofins e PIS/Pasep, excluídas as importações, cresceu 5,3%, ou R$ 169 milhões. Segundo a Receita, tiveram influência positiva principalmente segmentos ligados ao comércio atacadista, exceto veículos e motocicletas, além de serviços de escritório, apoio administrativo e outros serviços.
Também houve avanço de 16,3% na arrecadação do IOF, relacionado principalmente a operações de crédito de empresas e pessoas físicas.
Nem todos os tributos avançaram
Apesar do resultado geral positivo, alguns itens apresentaram retração. O IPI incidente sobre automóveis caiu 16,2%, redução de R$ 3,3 milhões, mesmo com aumento no número de veículos licenciados.
Também houve pequena queda de 0,3% no Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos do trabalho, equivalente a R$ 3,9 milhões na 9ª Região Fiscal.
O que os números dizem sobre a economia regional
Para a região de Ponta Grossa, o dado mais relevante de agosto é que o crescimento da arrecadação não ocorreu apenas em termos nominais. Mesmo depois de descontada a inflação, houve alta real de 6,76% sobre agosto de 2025. O resultado indica aumento efetivo do volume de tributos recolhidos dentro da área atendida pela Receita Federal de Ponta Grossa.
Com R$ 7,57 bilhões arrecadados nos primeiros oito meses de 2026, os próximos resultados permitirão avaliar se o ritmo de crescimento observado em agosto será mantido até o fim do ano.
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