Bets perdem R$ 652 milhões após proibição
Proibição das bets no Brasil reduz em R$ 652 milhões o saldo mantido nas plataformas. Usuários têm prazo para sacar os valores.

A proibição das Bets no Brasil provocou uma forte redução no volume de dinheiro mantido nas plataformas. Desde a entrada em vigor das novas regras, o saldo disponível nas contas dos apostadores caiu aproximadamente R$ 652,6 milhões.
Os números foram apresentados nesta sexta-feira (2) pelo governo federal. Antes das restrições, as plataformas reuniam cerca de R$ 2,1 bilhões pertencentes aos usuários. Agora, o montante está em aproximadamente R$ 1,453 bilhão.
A redução representa cerca de 31% dos valores que estavam depositados nas contas antes da publicação da medida provisória.
Além da retirada dos recursos, o governo aponta uma interrupção significativa no fluxo financeiro diário do setor. Antes da proibição, as bets movimentavam mais de R$ 600 milhões por dia. Segundo o Ministério da Fazenda, esse movimento praticamente deixou de ocorrer após a medida entrar em vigor.
Mais de 28 milhões ainda possuem dinheiro nas plataformas
Mesmo com o volume expressivo de saques registrados nos últimos dias, ainda existem valores vinculados a 28,65 milhões de CPFs nas empresas de apostas.
O prazo para que esses usuários solicitem voluntariamente a retirada do dinheiro termina às 23h59 da próxima segunda-feira, 5 de outubro.
Os sites e aplicativos deverão sair do ar a partir de terça-feira (6). Entre os dias 7 e 8, as empresas terão de informar às instituições financeiras os saldos que ainda permanecerem vinculados aos apostadores.
A previsão é de que os bancos realizem a devolução automática desses recursos entre 9 e 14 de outubro.
Nos casos em que a restituição não puder ser feita diretamente, os valores poderão ser encaminhados à Caixa Econômica Federal, responsável por viabilizar posteriormente o pagamento aos titulares.
Contas com valores elevados entram no radar
O processo de fiscalização também identificou movimentações consideradas fora do padrão.
De acordo com o Ministério da Fazenda, pelo menos 48 contas ainda apresentam saldo superior a R$ 500 mil. Cada uma delas será analisada individualmente pelas autoridades.
Caso sejam encontrados indícios de irregularidades, os registros poderão ser encaminhados aos órgãos responsáveis por investigação.
A fiscalização não está concentrada apenas nos apostadores. Empresas responsáveis pela operação das plataformas e instituições utilizadas para movimentar os pagamentos também passaram a ser acompanhadas.
Mais de 10 mil sites enviados para bloqueio
A ofensiva contra plataformas irregulares também avançou na internet.
Entre 25 de setembro e 1º de outubro, 10.435 endereços eletrônicos ligados a apostas ilegais foram encaminhados para bloqueio pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
O Ministério da Justiça informa que dezenas de milhares de páginas relacionadas a operações clandestinas já haviam sido derrubadas anteriormente.
Quando forem identificadas atividades ilegais, contas utilizadas nessas operações poderão ser bloqueadas. Dependendo do resultado dos procedimentos administrativos e legais, recursos associados às irregularidades também poderão receber destinação prevista na legislação.
Governo amplia estrutura de fiscalização
Além do encerramento das atividades das bets, o governo federal está reforçando os órgãos responsáveis pelo acompanhamento do setor.
Um decreto publicado nesta quinta-feira (1º) criou, dentro da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), o Departamento de Fiscalização e Prevenção de Danos ao Consumidor.
A Polícia Federal também passou a contar com uma estrutura específica voltada à repressão à lavagem de dinheiro e recuperação de ativos.
Entre as atribuições estão o acompanhamento de apostas clandestinas e a investigação de suspeitas relacionadas à manipulação de resultados esportivos.
A Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro, determinou a proibição da exploração, oferta e publicidade das apostas de quota fixa em todo o território nacional.
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