Bispo de Ponta Grossa se manifesta contra tombamento de igrejas
Tombamento de igrejas em Ponta Grossa é contestado por Dom Bruno. Diocese defende preservação, mas critica as condições propostas.

O tombamento de igrejas em Ponta Grossa recebeu uma manifestação contrária do bispo diocesano Dom Bruno Elizeu Versari. Em nota oficial divulgada no sábado (10), a Diocese de Ponta Grossa afirmou ser contra os procedimentos envolvendo seis templos católicos nas condições propostas, embora ressalte que defende a preservação do patrimônio histórico e cultural.
O posicionamento envolve a Catedral Sant’Ana, a Igreja São Sebastião, a Igreja Nossa Senhora do Rosário, a Igreja Sagrado Coração de Jesus, a Igreja São José e a Igreja Senhor Bom Jesus, localizada na Fazenda Santa Cruz.
Diocese reconhece valor histórico dos templos
Na manifestação, a Diocese reconhece o valor histórico, religioso, artístico, arquitetônico e cultural das igrejas. Entretanto, argumenta que esses imóveis vêm sendo preservados há décadas pela própria Igreja Católica e pelas comunidades paroquiais, com recursos próprios e trabalho contínuo de conservação.
Segundo a instituição, os templos estão sob permanente cuidado e manutenção. Por isso, a Diocese afirma que, conforme as informações disponíveis, não estaria suficientemente demonstrada a necessidade de adoção do tombamento nos moldes apresentados.
A nota também argumenta que uma medida dessa natureza pode produzir efeitos jurídicos e impor restrições aos imóveis. Na avaliação da Diocese, qualquer decisão deve ser acompanhada de fundamentação técnica, necessidade comprovada e análise individualizada de cada bem.
Igreja cita liberdade religiosa e autonomia
Outro ponto apresentado por Dom Bruno é que as igrejas não possuem apenas importância arquitetônica ou histórica. Para a Diocese, elas também são espaços destinados ao culto e às atividades religiosas das comunidades.
A manifestação cita dispositivos do Código de Direito Canônico e o acordo firmado entre o Brasil e a Santa Sé, promulgado pelo Decreto nº 7.107/2010, para sustentar a necessidade de preservação da finalidade religiosa dos bens pertencentes à Igreja.
A Diocese também menciona a liberdade religiosa prevista pela Constituição Federal e argumenta que a preservação do patrimônio deve ocorrer de forma compatível com a autonomia institucional da Igreja Católica e com a utilização dos templos pelas comunidades.
Diocese diz apoiar preservação
Apesar de rejeitar o tombamento de igrejas em Ponta Grossa nas condições atualmente propostas, a instituição afirma que não é contrária à conservação do patrimônio histórico e cultural.
Na nota, a posição é resumida com a defesa da preservação dos imóveis, do reconhecimento do trabalho desenvolvido pelas comunidades católicas e da manutenção da liberdade religiosa e da autonomia da Igreja.
“NÃO AO TOMBAMENTO DOS TEMPLOS NAS CONDIÇÕES PROPOSTAS. SIM À PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL”, afirma um dos trechos da manifestação.
Reunião pública será realizada no Ópera
A Diocese também convocou fiéis e integrantes da comunidade católica para participarem da reunião pública marcada para terça-feira, 13 de outubro, às 18h30, no Cine-Teatro Ópera, em Ponta Grossa.
Segundo a instituição, a mobilização deve ocorrer de maneira pacífica e responsável, com a apresentação do posicionamento das comunidades religiosas sobre o processo.
A nota oficial é assinada por Dom Bruno Elizeu Versari, bispo diocesano de Ponta Grossa, e foi publicada em 10 de outubro de 2026.
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