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Bola Rolando: Operário favorito no papel não afasta desconfiança

Operário x Botafogo-SP coloca o Fantasma diante de um rival ameaçado pelo Z4, mas o momento alvinegro deixa a torcida em alerta.

Operário
Foto: André Jonsson / OFEC
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Operário x Botafogo-SP deveria ser, olhando exclusivamente para a tabela de classificação, uma daquelas partidas em que o torcedor alvinegro chega ao Germano Krüger esperando uma vitória. O Fantasma está na parte de cima, enfrenta uma equipe pressionada pela proximidade da zona de rebaixamento e joga diante da própria torcida. O problema é que futebol não se resolve apenas olhando números.

E talvez seja exatamente aí que esteja a maior preocupação para esta quarta-feira (7).

O Operário chega à 32ª rodada da Série B precisando reencontrar não apenas as vitórias, mas principalmente a confiança. Depois de resultados e atuações abaixo do esperado, existe uma sensação clara de que o time perdeu força justamente no momento em que o campeonato entra na fase decisiva.

São sete rodadas restantes. São 21 pontos em disputa antes do início desta rodada. Quem ainda sonha com algo maior não pode escolher jogo para pontuar.

Favorito? Sim. Confiável? Ainda não

O Operário aparece com 48 pontos, enquanto o Botafogo-SP ocupa a 16ª colocação, com 35. É uma diferença considerável.

No papel, portanto, o Fantasma é favorito.

Só que esse favoritismo precisa ser confirmado dentro de campo.

O problema do Operário nas últimas partidas não está apenas nos resultados. Está também na incapacidade de encontrar alternativas quando o modelo inicial não funciona.

O time parece preso a uma maneira de jogar. E quando o adversário entende como bloquear os principais movimentos alvinegros, faltam respostas.

Esse é um sinal perigoso para qualquer equipe que pretende brigar na parte de cima da Série B.

Lado direito preocupa

Existe ainda uma questão tática que merece atenção especial: o lado direito defensivo do Operário.

O Botafogo-SP conta com Patrick Brey pela esquerda, jogador que pode atacar espaços e aparecer ofensivamente. É justamente uma região do campo em que o Fantasma tem apresentado dificuldades de marcação.

Um adversário bem preparado certamente vai tentar explorar isso.

E Cláudio Tencati conhece futebol suficiente para perceber onde estão os espaços.

Se o Operário permitir liberdade pelo setor, poderá transformar um jogo teoricamente controlável em uma partida muito mais complicada.

Boschilia não pode fazer tudo

Outro ponto que chama atenção é a quantidade de responsabilidade colocada sobre Boschilia.

Ele precisa criar, finalizar, dar assistência, aproximar o ataque e ainda voltar para ajudar na recomposição do meio-campo.

É muita coisa para um jogador só.

Boschilia é uma das principais referências técnicas e ofensivas do Operário. Quanto mais distante do gol ele precisa atuar para compensar desequilíbrios do sistema, menos perigoso o Fantasma se torna no ataque.

Matheus Trindade acaba igualmente sobrecarregado na proteção do meio.

Talvez seja justamente nessa região que Luizinho Lopes precise encontrar uma solução diferente para esta reta final.

Sequência teoricamente favorável precisa virar pontos

Muito se fala que o Operário possui uma das sequências mais acessíveis entre os clubes que ainda possuem objetivos importantes nesta Série B.

Pode até ser verdade.

Mas calendário fácil só existe depois que os pontos aparecem na tabela.

De nada adianta enfrentar equipes da parte de baixo e deixar pontos pelo caminho.

O Botafogo-SP é exatamente o tipo de adversário que torna essa discussão perigosa. Está pressionado, precisa pontuar e chega ao Germano Krüger sabendo que qualquer ponto conquistado fora de casa pode ser valioso na luta contra o rebaixamento.

Vai jogar como quem precisa sobreviver.

O Operário precisa jogar como quem ainda pretende conquistar alguma coisa.

A resposta precisa vir agora

O empate diante do Ceará já havia deixado dúvidas.

A derrota por 3 a 0 para o Juventude aumentou ainda mais a preocupação.

Não foi apenas perder para o vice-líder. Foi a maneira como o Operário desapareceu durante boa parte da partida.

Uma equipe que pretende terminar a Série B brigando na parte de cima não pode repetir esse tipo de atuação.

Por isso o confronto com o Botafogo-SP ganhou um peso maior do que simplesmente três pontos.

É uma partida para mostrar reação.

Para recuperar confiança.

Para fazer novamente o torcedor acreditar que o Operário ainda está verdadeiramente dentro deste campeonato.

A tabela diz que o Fantasma é favorito.

O Germano Krüger estará ao seu lado.

O adversário está perto do Z4.

Todos os argumentos apontam para o Operário.

Agora falta o argumento mais importante: provar isso dentro de campo.

Porque, nesta altura da Série B, a pergunta não é mais quantos jogos teoricamente vencíveis ainda aparecem no calendário.

A pergunta é muito mais simples:

se o Operário não voltar a vencer agora, quando vai vencer?

Assista a análise completa:

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Ivan Vinícius
Autoria
Ivan Vinícius
Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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