Bolsonaro mandou matar Lula? Entenda o que diz a Polícia Federal
Investigação revelou plano para assassinar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes; Procuradoria-Geral da República afirmou que Bolsonaro sabia e concordou com a ação, mas não há comprovação de que tenha dado ordem direta para executar os crimes

A pergunta “Bolsonaro mandou matar Lula?” ganhou força nas pesquisas do Google e nas redes sociais nesta semana, em meio à reta final das eleições presidenciais de 2026. A repercussão trouxe novamente à tona uma das revelações mais graves das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022: a existência de um plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O plano, denominado “Punhal Verde e Amarelo”, foi identificado durante investigações da Polícia Federal (PF) e envolvia militares ligados ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Bolsonaro tinha conhecimento da operação e concordou com ela. Entretanto, é necessário distinguir a acusação de ter autorizado ou concordado com o planejamento de uma suposta ordem direta para matar Lula. Não foi comprovado que Bolsonaro tenha determinado pessoalmente o assassinato do presidente.
O que era o plano para matar Lula?
O esquema foi descoberto durante a investigação da tentativa de golpe de Estado e previa ações violentas contra autoridades brasileiras para impedir a posse do governo eleito em 2022. As investigações apontaram que o planejamento incluía monitoramento dos alvos, avaliação de operações clandestinas e possibilidades de execução de assassinatos.
Entre as pessoas identificadas como possíveis vítimas estavam:
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Luiz Inácio Lula da Silva: presidente eleito em outubro de 2022.
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Geraldo Alckmin: vice-presidente eleito na mesma chapa.
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Alexandre de Moraes: ministro do STF e então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O general da reserva Mário Fernandes, que ocupou cargo na Secretaria-Geral da Presidência durante o governo Bolsonaro, admitiu em interrogatório ao STF, em julho de 2025, ter elaborado o documento. Fernandes, porém, sustentou que o material representava apenas pensamentos pessoais colocados por escrito e negou tê-lo compartilhado com outras pessoas.
O que liga Bolsonaro ao plano de assassinato?
Na denúncia apresentada ao STF em fevereiro de 2025, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que o planejamento foi levado ao conhecimento de Jair Bolsonaro e recebeu sua concordância. Um dos elementos citados pela acusação foi uma mensagem de áudio atribuída ao general Mário Fernandes, encaminhada ao tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Na gravação, Fernandes relatou uma conversa com o então presidente sobre o período em que determinadas ações poderiam acontecer, mencionando a diplomação de Lula e o fim do mandato presidencial, em 31 de dezembro de 2022. A investigação também identificou que o documento com o planejamento foi impresso no Palácio do Planalto em novembro de 2022 e que Fernandes esteve no Palácio da Alvorada no mesmo dia.
Para a PGR, esses elementos indicavam que Bolsonaro acompanhava a evolução da articulação. A defesa do ex-presidente, por sua vez, negou seu envolvimento e seu conhecimento sobre o plano de assassinato. A acusação de conhecimento e anuência não equivale, por si só, à comprovação de uma ordem direta de execução.
Bolsonaro foi condenado pela tentativa de golpe de Estado?
Sim. Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão, por quatro votos a um. O ex-presidente foi condenado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
O julgamento considerou diversos elementos da articulação golpista, incluindo o planejamento de ações violentas contra autoridades. Entretanto, Bolsonaro não foi condenado especificamente por homicídio ou tentativa de homicídio de Lula. A distinção é importante: a existência de um plano para matar autoridades foi examinada no contexto da trama golpista, mas não resultou em uma condenação individual de Bolsonaro por ter ordenado os assassinatos.
Por que a pergunta viralizou justamente agora?
O assunto voltou a ganhar destaque na terça-feira (20), depois de uma mobilização digital relacionada ao deputado federal André Janones (Rede-MG), apoiador do presidente Lula. Segundo levantamento publicado pelo jornal DCI, Janones incentivou participantes do canal de WhatsApp “Exército do Lula” a pesquisar a expressão “Bolsonaro mandou matar Lula” no Google.
A movimentação provocou um aumento superior a 5.000% nas pesquisas pela frase, de acordo com o levantamento baseado no Google Trends. Nesta quarta-feira (21), o serviço do Google registrava mais de 500 mil pesquisas associadas ao termo entre as tendências brasileiras. A mobilização ocorre poucos dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, 25 de outubro, quando Lula enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Afinal, Bolsonaro mandou matar Lula?
A resposta exige diferenciar o que foi investigado, o que a acusação sustentou e o que efetivamente foi decidido pela Justiça. A existência de um plano para matar Lula, Alckmin e Moraes foi documentada pelas investigações. A Procuradoria-Geral da República afirmou que Jair Bolsonaro tinha conhecimento da operação e concordou com ela. O planejamento também foi considerado no julgamento da tentativa de golpe de Estado.
Por outro lado, não foi demonstrada uma ordem direta de Bolsonaro determinando a execução dos assassinatos. O ex-presidente nega participação nesse planejamento e não recebeu condenação específica por tentativa de homicídio. Assim, a afirmação categórica de que Bolsonaro “mandou matar Lula” vai além do que está comprovado nos processos. A conclusão documentada é que houve um plano de assassinato e que a acusação atribuiu ao ex-presidente conhecimento e concordância com a operação.
O episódio permanece como uma das revelações mais graves da investigação sobre a tentativa de ruptura democrática após as eleições de 2022 e volta ao centro do debate político brasileiro durante a disputa presidencial de 2026.
























