Câmara envia Zampieri à Corregedoria por 9 a 1 após denúncia sobre ‘malotes’
Vereador afirmou que não apresentará documentos à Câmara e classificou a representação como retaliação política

A Câmara Municipal de Ponta Grossa aprovou, nesta segunda-feira (21), por nove votos favoráveis e um contrário, o encaminhamento à Corregedoria da representação apresentada pelo vereador Guilherme Mazer (PT) contra Ricardo Zampieri (PL). O caso envolve declarações feitas por Zampieri sobre supostos “malotes” e a possibilidade de uma nova operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no Legislativo municipal.
A votação ocorreu após uma discussão sobre o direito de manifestação dos vereadores, que levou à interrupção temporária da sessão. Depois de consultar a Procuradoria e a Diretoria do Processo Legislativo, o presidente da Câmara, Dr. Erick (PV), concedeu cinco minutos para cada um dos parlamentares envolvidos apresentar seus argumentos.
Durante sua manifestação, Zampieri afirmou que não pretende entregar à Câmara os documentos relacionados às suspeitas que mencionou anteriormente. Segundo o vereador, as informações serão encaminhadas ao Ministério Público. O parlamentar também classificou a representação apresentada por Mazer como uma tentativa de retaliação política em razão de suas declarações sobre supostas irregularidades no Legislativo.
- Com o resultado da votação, a representação seguirá para a Corregedoria da Câmara Municipal, responsável pela análise do caso e pela adoção das providências previstas no Regimento Interno.
Mazer afirma que Zampieri não apresentou provas no prazo de 48 horas
A representação apresentada por Guilherme Mazer tem origem nas declarações de Ricardo Zampieri durante a sessão ordinária de 24 de agosto. Na ocasião, o vereador do PL mencionou supostos “malotes” e afirmou que uma eventual nova operação do Gaeco poderia resultar na queda de integrantes da Câmara Municipal.
Diante das declarações, Mazer apresentou uma representação solicitando que Zampieri fosse notificado para apresentar documentos comprobatórios no prazo de 48 horas. Durante a sessão desta segunda-feira, o vereador petista afirmou que o prazo foi concedido, mas que não houve manifestação de Zampieri dentro do período estabelecido.
Segundo Mazer, a representação foi apresentada porque ele se sentiu atingido pelas declarações generalizadas do colega parlamentar. O vereador também afirmou que a Mesa Executiva se reuniu e indicou o encaminhamento do caso à Corregedoria, para que a instância responsável examine a representação e permita que Zampieri apresente sua defesa.
O documento ao qual o BnT Online teve acesso anteriormente confirma que Mazer solicitou a apresentação das provas em 48 horas e o encaminhamento à Corregedoria caso os documentos não fossem entregues.
Zampieri afirma que não entregará documentos à Câmara
Ao utilizar a palavra durante a sessão, Ricardo Zampieri questionou o encaminhamento da representação e afirmou que estava sendo alvo de uma tentativa de retaliação por ter mencionado supostas irregularidades. O vereador argumentou que a preocupação dos integrantes do Legislativo deveria estar voltada à apuração das denúncias, e não à responsabilização de quem as apresentou.
Durante sua manifestação, Zampieri também fez uma ressalva sobre a declaração de que todos os vereadores teriam conhecimento das situações mencionadas. Segundo ele, caso tenha afirmado que todos sabiam dos fatos, faria a correção, pois não teria certeza de que todos os parlamentares possuíam essas informações. Entretanto, sustentou que muitos teriam conhecimento das supostas irregularidades.
O parlamentar também afirmou que pretende encaminhar a denúncia ao Ministério Público e que não apresentará os documentos à Câmara Municipal. Zampieri justificou sua decisão argumentando que a entrega das informações ao próprio Legislativo poderia comprometer a apuração dos fatos.
A afirmação representa uma novidade em relação à representação original: durante a sessão, o vereador declarou expressamente que não pretende entregar os documentos à Câmara, mesmo após a cobrança formal apresentada por Mazer. A transcrição da sessão não apresenta comprovante de protocolo de denúncia no Ministério Público nem documentos que confirmem as supostas irregularidades mencionadas pelo vereador.
Vereador classifica representação como retaliação política
Ricardo Zampieri também relacionou a representação ao período eleitoral. Durante sua manifestação, o vereador afirmou que a iniciativa de Guilherme Mazer teria motivação política e mencionou a proximidade das eleições de outubro. Zampieri argumentou que, em sua avaliação, a representação seria uma tentativa de prejudicar sua atuação política.
O parlamentar também criticou a cobertura da imprensa sobre o episódio, pedindo cautela aos veículos de comunicação na divulgação das informações. Ao finalizar sua manifestação, Zampieri reiterou que não estava preocupado com o encaminhamento da representação, mas com a interpretação que a população poderia fazer do episódio.
As declarações foram apresentadas como argumentos de defesa do vereador durante a sessão. A motivação política atribuída por Zampieri à representação é uma alegação do parlamentar, não uma conclusão estabelecida pela votação.
Discussão sobre direito de defesa provoca interrupção da sessão
Antes da votação, a sessão foi marcada por divergências sobre a possibilidade de os parlamentares discutirem a representação em plenário. Inicialmente, o presidente Dr. Erick informou que os vereadores deveriam deliberar apenas sobre o encaminhamento do caso à Corregedoria, sem discutir o mérito das acusações.
A orientação provocou questionamentos, incluindo manifestações sobre o direito de defesa de Zampieri e a possibilidade de os demais parlamentares apresentarem suas posições antes da votação. Diante da situação, o presidente interrompeu temporariamente os trabalhos e realizou uma consulta à Procuradoria e à Diretoria do Processo Legislativo.
Após a retomada da sessão, Dr. Erick informou que não havia sido identificada previsão regimental para uma discussão ampla sobre a representação naquele momento. Entretanto, decidiu conceder cinco minutos para Guilherme Mazer e Ricardo Zampieri apresentarem suas manifestações antes da votação.
Os demais vereadores ficaram autorizados a votar, mas não tiveram o mesmo espaço para discutir o caso antes da deliberação. A decisão gerou novas manifestações durante a sessão, com parlamentares questionando a condução dos trabalhos.
Câmara aprova encaminhamento por nove votos a um
Após as manifestações de Mazer e Zampieri, o presidente colocou em votação o encaminhamento da representação à Corregedoria. O plenário aprovou a medida por nove votos favoráveis e um contrário. Conforme anunciado pela Presidência, Guilherme Mazer e Ricardo Zampieri não participaram da votação por serem, respectivamente, o autor e o alvo da representação.
Durante a votação, houve novos questionamentos sobre a condução dos trabalhos. O vereador Geraldo Stocco manifestou insatisfação com a restrição ao debate e solicitou sua saída do plenário. Posteriormente, a Presidência também submeteu à apreciação dos vereadores um pedido de ausência apresentado por Ricardo Zampieri.
Apesar das manifestações e interrupções, a votação foi concluída, e o presidente anunciou a aprovação do encaminhamento da representação à Corregedoria. O resultado oficial anunciado em plenário foi de nove votos favoráveis e um contrário. A transcrição disponibilizada não permite identificar com segurança todos os parlamentares que participaram da votação nem o autor do único voto contrário.
Eder Pimentel explica voto favorável
Após a aprovação, o vereador Eder Pimentel manifestou-se para justificar seu voto favorável ao encaminhamento da representação. O parlamentar afirmou que não se sentia satisfeito em encaminhar um colega à Corregedoria, mas considerou necessário que as declarações fossem esclarecidas.
Segundo Eder, quando um vereador apresenta suspeitas que podem atingir integrantes do Legislativo, é importante que os fatos sejam comprovados para evitar que todos os parlamentares sejam colocados sob suspeita perante a população. O vereador defendeu que Zampieri tenha a oportunidade de apresentar à Corregedoria as informações das quais afirma ter conhecimento.
Eder também mencionou a possibilidade de aplicação de uma advertência caso as declarações não sejam comprovadas, destacando que seu voto não tinha motivação pessoal. A manifestação, entretanto, não representa uma decisão sobre eventual penalidade, que dependerá dos procedimentos previstos no Regimento Interno.
Presidente esclarece que votação não representa condenação
Após o encaminhamento da representação, o presidente da Câmara, Dr. Erick, voltou a explicar os procedimentos adotados durante a sessão. Ele afirmou que a votação não representava uma condenação de Ricardo Zampieri nem estabelecia a existência de irregularidades praticadas por qualquer integrante do Legislativo.
Segundo o presidente, a decisão se limitou ao encaminhamento da representação para análise da Corregedoria. Dr. Erick também justificou a restrição ao debate, afirmando que uma discussão ampla sobre acusações ainda não analisadas poderia colocar em questionamento os mandatos dos parlamentares antes da devida apuração.
O presidente defendeu que os procedimentos de análise sejam realizados pela instância competente, conforme as disposições regimentais.
O que acontece agora com Ricardo Zampieri?
Com a aprovação do encaminhamento, a representação apresentada por Guilherme Mazer seguirá para a Corregedoria da Câmara Municipal de Ponta Grossa. A instância deverá examinar o caso conforme as regras aplicáveis, considerando as declarações que motivaram a representação e os argumentos apresentados pelos envolvidos.
A votação desta segunda-feira não determinou a aplicação de advertência, suspensão ou qualquer outra penalidade contra Ricardo Zampieri. Também não foi apresentada, durante a discussão da representação, confirmação documental das supostas irregularidades mencionadas pelo parlamentar.
O caso permanece, portanto, na esfera da apuração institucional, sem que o resultado da votação represente uma conclusão sobre a veracidade das declarações de Zampieri.
























