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Ponta Grossa

Campanha quer fortalecer candidatos dos Campos Gerais nas eleições de 2026

Campanha da ACIPG incentiva voto em candidatos dos Campos Gerais, alerta contra votos brancos e nulos e promete cobrar os eleitos.

Campos Gerais
Foto: Iolanda Lima / BNT Online
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A campanha “Santo de Casa Também Faz Milagre” quer conscientizar os eleitores de Ponta Grossa e dos Campos Gerais sobre a importância de fortalecer candidatos da própria região nas eleições de 2026. A iniciativa, liderada pela Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG), também faz um alerta contra os votos brancos e nulos e promete cobrar, após a eleição, os candidatos que receberem votos dos municípios da região.

Em entrevista ao Portal BnT, o diretor de Relações Institucionais da ACIPG, Edilson Gorte, afirmou que a falta de representatividade política regional impacta diretamente a capacidade de Ponta Grossa e dos Campos Gerais de defender grandes projetos de infraestrutura, saúde, logística e desenvolvimento econômico.

Segundo Gorte, a campanha não busca defender partido ou corrente ideológica, mas estimular o eleitor a conhecer os candidatos da região e avaliar suas propostas.

“Não me interessa o partido. Vote consciente, vote certo. Vote em candidatos da região. Vamos cobrar isso depois”, afirmou.

Região tem força eleitoral, mas poucos representantes

Durante a entrevista, Gorte destacou que Ponta Grossa possui mais de 250 mil eleitores e figura entre os maiores colégios eleitorais do Paraná. Já os Campos Gerais, segundo os números apresentados durante a conversa, somam aproximadamente 780 mil eleitores.

Apesar desse potencial, a região possui uma representação considerada pequena pela ACIPG na Assembleia Legislativa.

Atualmente, entre os nomes diretamente associados a Ponta Grossa estão os deputados estaduais Mabel Canto e Marcelo Rangel. Gorte também citou Moacyr Fadel como um parlamentar com forte atuação nos Campos Gerais.

Para o diretor da ACIPG, outras cidades com eleitorado menor conseguem eleger proporcionalmente mais representantes.

“Como é que nós vamos querer que a nossa região, uma das mais importantes do Estado, tenha agricultura fortíssima, pecuária forte, grandes indústrias e multinacionais e não tenha representatividade política? Isso para nós é muito complicado”, declarou.

Votos espalhados entre centenas de candidatos

Um dos dados destacados por Gorte diz respeito à eleição de 2022. Segundo levantamento utilizado pela campanha, os eleitores dos Campos Gerais distribuíram votos entre 264 candidatos diferentes à Assembleia Legislativa.

Para a ACIPG, essa pulverização reduz a possibilidade de a região concentrar votos suficientes para aumentar sua bancada.

Gorte também apontou o volume de votos brancos, nulos e de abstenções como outro fator que preocupa as entidades envolvidas na mobilização.

Durante a entrevista, ele afirmou que, considerando votos brancos e nulos registrados na eleição anterior, haveria potencial eleitoral suficiente para ajudar a eleger outros representantes da região.

“Você está deixando o outro decidir. Não venha reclamar depois que está ruim. Em quem você votou? No voto branco? Então você deixou alguém decidir por você”, disse.

Campanha resgata mobilizações anteriores

A iniciativa de 2026 resgata campanhas semelhantes realizadas em outros momentos pela Associação Comercial.

Gorte lembrou uma mobilização realizada ainda na década de 1990, durante a gestão de Renato Napoli, quando Ponta Grossa conseguiu eleger quatro deputados estaduais.

Uma nova campanha foi desenvolvida em 2010, durante a presidência de Márcio Pauliki na entidade, também com o objetivo de estimular maior representatividade política local.

Agora, segundo Gorte, o cenário volta a exigir mobilização diante das grandes demandas enfrentadas pelos Campos Gerais.

Contorno, aeroporto e ferrovias entram no debate

A ACIPG defende que representação política não deve ser medida apenas pela quantidade de emendas parlamentares destinadas aos municípios.

Durante a entrevista, foram citadas demandas como o Contorno de Ponta Grossa, a ampliação e estruturação do aeroporto, investimentos na malha ferroviária, fornecimento de energia elétrica, infraestrutura rural e discussões envolvendo a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS).

“A gente fala que o deputado não mandou dinheiro. Não é só dinheiro, não é só emenda. Temos questões políticas em que precisamos brigar, gritar e ter apoio federal e estadual”, afirmou Gorte.

Ele citou ainda as discussões relacionadas ao projeto ferroviário que poderá alterar corredores logísticos no Paraná.

Para o representante da ACIPG, Ponta Grossa precisa recuperar protagonismo nas decisões sobre transporte ferroviário, principalmente pela posição estratégica do município no escoamento da produção.

‘Quem mora aqui conhece os problemas’

Outro argumento da campanha é que candidatos da própria região convivem diretamente com os problemas enfrentados pela população.

“Ele reside aqui, mora aqui, os filhos estão na escola, enfrenta as ruas, conhece as estradas. Ele vive, sente e sabe. Quem conhece o problema pode tentar ajudar”, destacou Gorte.

A iniciativa, porém, não pretende terminar com o fechamento das urnas.

Segundo ele, a ACIPG pretende acompanhar os políticos que receberem votos nos Campos Gerais e cobrar prestação de contas sobre a atuação de cada parlamentar.

“Não interessa se recebeu um, dois, três ou quatro votos da região. Temos que começar a cobrar quem foi eleito com voto daqui”, afirmou.

A cobrança também deve alcançar lideranças políticas locais que trabalham pela eleição de candidatos de outras regiões do Paraná.

Segundo Gorte, vereadores e demais agentes políticos que apoiarem candidatos de fora deverão ser chamados a apresentar posteriormente qual foi a contribuição desses parlamentares aos Campos Gerais.

Campanha quer superar polarização

A ACIPG também reforça que a mobilização não está ligada a uma posição partidária.

A proposta é convencer o eleitor a analisar candidatos locais independentemente da sigla ou do campo político.

“Não importa se você vai votar no verde, amarelo ou azul. Precisamos de candidatos que sintam nossa dificuldade e trabalhem em prol da região”, resumiu Gorte.

Na reta final da entrevista ao BnT, o diretor deixou um recado aos eleitores.

“Tente conhecer o seu candidato. Conheça as propostas de quem está pedindo o seu voto. Não vá simplesmente porque aparece na televisão ou tem uma voz bonita no rádio. Precisamos de candidatos que entendam as nossas dificuldades. Não vote branco, não vote nulo. Vote consciente”, concluiu.

 

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