Cervejas artesanais de Guarapuava conquistam Indicação Geográfica inédita
Cervejas artesanais de Guarapuava recebem Indicação Geográfica do INPI, reconhecimento que fortalece o turismo, a economia e a produção local

As cervejas artesanais de Guarapuava, na região central do Paraná, receberam um reconhecimento inédito no Brasil. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu ao município o registro de Indicação Geográfica, na modalidade Indicação de Procedência, para a produção cervejeira local.
A concessão foi oficializada na terça-feira (4) e transforma Guarapuava na primeira região brasileira a obter uma Indicação Geográfica dedicada especificamente às cervejas artesanais. O registro reconhece a reputação conquistada pelos produtos e a relação histórica da atividade com o território do município.
Identificado pelo número BR402025000006-3, o pedido foi apresentado em maio de 2025 pela Associação das Cervejarias de Guarapuava, a Guaracerva. A aprovação ocorreu após uma análise técnica realizada pelo INPI.
RECONHECIMENTO NACIONAL
Com a Indicação Geográfica, as cervejarias que cumprirem os requisitos estabelecidos poderão utilizar o selo de procedência nos rótulos. A identificação ajuda o consumidor a reconhecer a origem do produto, protege a reputação construída pelos produtores e pode agregar valor comercial às cervejas.
Neste primeiro momento, nove marcas estão habilitadas a utilizar a identificação: Metzgerbier, Jordana, Água do Monge, Hank Bier, Irmandade, Heimdall, Suabia, Donau Bier e Over Beer.
O município reúne atualmente nove cervejarias artesanais. Juntas, elas geram aproximadamente 150 empregos diretos e movimentam mais de R$ 2,5 milhões mensalmente, conforme os dados apresentados pelo setor.
O reconhecimento também fortalece o título de Guarapuava como Capital Nacional da Cevada e do Malte. A expectativa é que o selo contribua para a expansão do turismo gastronômico, a atração de visitantes e a abertura de novos mercados para as empresas locais.
O processo para a obtenção da Indicação Geográfica contou com o apoio do Sebrae/PR. Um diagnóstico técnico analisou a reputação das cervejas, a organização coletiva das empresas, a ligação da produção com o território e a necessidade de proteger a identidade cervejeira do município.
Para a presidente da Guaracerva e proprietária da Água do Monge Cervejaria, Larissa Vier, a conquista representa o resultado da união construída entre os produtores.
Ela ressalta que diferentes etapas da cadeia produtiva estão presentes no município, desde o cultivo da cevada e a fabricação do malte até a produção final das bebidas.
“Estamos muito felizes e orgulhosos com mais esse reconhecimento com as cervejas de Guarapuava”, afirma Larissa.
TRADIÇÃO E CADEIA PRODUTIVA
A relação de Guarapuava com a produção de cervejas foi influenciada pela chegada de imigrantes europeus, especialmente alemães, suíços e suábios do Danúbio. Essas comunidades trouxeram conhecimentos e técnicas tradicionais de fabricação da bebida.
Em meados do século XX, a cerveja era produzida principalmente de maneira artesanal e destinada ao consumo das próprias famílias e comunidades. Com o desenvolvimento da atividade, a tradição passou por um processo de profissionalização e deu origem às atuais cervejarias do município.
Entre os exemplos está a Donau Bier, fundada em 2004 e orientada pelos princípios da Lei da Pureza Alemã. Outra empresa que contribuiu para o desenvolvimento do setor foi a Jordana Bier, criada em 2014 e considerada a primeira cervejaria regularizada na área urbana de Guarapuava.
O empresário Ricardo de Almeida Lima, da Irmandade Cervejaria, acompanhou a expansão do mercado artesanal na região. Segundo ele, há cerca de 13 anos, muitos produtores ainda fabricavam cerveja em pequenas estruturas e panelas.
Para Ricardo, o novo registro reconhece características próprias das cervejarias locais, como a produção em pequenos lotes, a utilização de métodos tradicionais e o cuidado dedicado aos ingredientes e processos.
“As cervejarias da região têm como vocação a produção em pequenos lotes, com métodos tradicionais que garantem resultados não alcançados em larga escala. No universo cervejeiro, os ingredientes, as técnicas e os processos fazem toda a diferença”, destaca.
O empresário acredita que a Indicação Geográfica poderá ser utilizada como uma ferramenta para ampliar a presença das marcas de Guarapuava em outros mercados.
“A IG é a nossa bandeira para conquistar novos mercados. Existe um esforço coletivo para posicionar Guarapuava como referência na produção artesanal de cerveja, e esse reconhecimento chancela essa trajetória”, afirma.
O consultor do Sebrae/PR, Heverson Miloch, avalia que o registro demonstra a importância da articulação entre empresários, instituições parceiras e poder público.
“Quando diferentes atores se mobilizam em torno de um propósito comum, os resultados se traduzem em desenvolvimento, valorização do território e novas oportunidades”, declara.
Segundo Miloch, a conquista pode fortalecer a competitividade das empresas, agregar valor à produção regional e facilitar a entrada das cervejarias em novos mercados.
PARANÁ LIDERA REGISTROS
Com a inclusão das cervejas artesanais de Guarapuava, o Brasil passa a contar com 167 Indicações Geográficas nacionais. Deste total, 28 estão localizadas no Paraná, que permanece como o estado brasileiro com o maior número de registros.
Considerando também as 11 Indicações Geográficas estrangeiras reconhecidas pelo INPI, o país contabiliza 178 registros.
Entre os produtos paranaenses que já possuem reconhecimento estão as tortas de Carambeí, o pão no bafo de Palmeira, a cracóvia de Prudentópolis, o mel de Ortigueira, os queijos coloniais de Witmarsum, os vinhos de Bituruna e a erva-mate São Matheus.
A lista também reúne o barreado do Litoral do Paraná, a bala de banana de Antonina, a goiaba de Carlópolis, os cafés especiais do Norte Pioneiro, a carne de onça de Curitiba e os queijos coloniais do Sudoeste do estado.
O reconhecimento concedido a Guarapuava protege a reputação da produção local e consolida um trabalho desenvolvido ao longo de décadas. Para o setor, o próximo desafio será transformar o selo em novas oportunidades de negócios, geração de renda e fortalecimento do município como destino turístico e cervejeiro.
Das assessorias
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