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Ponta Grossa

Coleção inspirada no México valoriza artesanato e geração de renda em PG

Coleção México do Ateliê Transitória reúne peças artesanais produzidas por mulheres da Casa Transitória em Ponta Grossa.

mexico
Foto: Diogo laba
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Uma nova coleção marcada por cores, técnicas artesanais e referências à cultura mexicana foi lançada nesta quinta-feira (1º) pelo Ateliê Transitória, projeto ligado à Casa Transitória Fabiana de Jesus, em Ponta Grossa.

A edição reúne peças produzidas de forma totalmente artesanal pelas mulheres que participam das atividades da instituição. Entre os produtos estão panos de prato, passadeiras, tapetes, mantas, cerâmicas, bolsas confeccionadas por meio de upcycling, nécessaires e bonecos de crochê, conhecidos como amigurumis.

A coleção México dá continuidade a uma série de produções temáticas já desenvolvidas pelo ateliê. Em outras edições, as artesãs buscaram inspiração em países e regiões como Japão, França, Itália e Amazônia.

Artesanato ganha novas possibilidades

Segundo a coordenadora da Casa Transitória, Ana Paula Rocha, uma das propostas das coleções é mostrar ao público novas possibilidades para o trabalho manual.

“O objetivo da gente trabalhar com as coleções é justamente esse, a gente diversificar o produto artesanal para que a gente possa trazer um outro olhar sobre o que é esse processo artesanal”, explica.

A complexidade envolvida na produção também aparece nos detalhes das peças. Algumas exigem dias ou até semanas de dedicação.

“Tem uma manta que foi feita no crochê, teve 44 mil pontos feito à mão. Então o quanto que é rico o trabalho artesanal, o quanto que as mulheres realmente se empenham e trabalham para executar essas peças que são maravilhosas”, destaca Ana Paula.

Para a coordenadora, as coleções também ajudam a romper a ideia de que o artesanato está limitado apenas aos produtos mais tradicionais.

“A grande importância para nós é justamente mostrar que o trabalho artesanal ele pode sair daquele corriqueiro, daquele cotidiano, que às vezes a gente vê só um tapete, só um produto mais simples, então a gente consegue traduzir essa riqueza artesanal na confecção de uma bolsa em crochê, de uma peseira em crochê…”, afirma.

Projeto também promove geração de renda

A produção artesanal está diretamente relacionada a uma das frentes de atuação da Casa Transitória. Atualmente, a entidade desenvolve trabalhos voltados à segurança alimentar, geração de renda e envelhecimento saudável.

“A Casa Transitória nós temos três linhas de atuação, que uma é a segurança alimentar, a outra é a geração de renda e o envelhecimento saudável. Na geração de renda, normalmente são as nossas mulheres que são idosas, que acabam vindo para um programa de convivência e aquelas que acabam querendo participar da coleção, dos processos de produção, até mesmo para aumentar a sua renda”, explica Ana Paula.

Além do aspecto financeiro, o projeto também busca aproveitar os materiais recebidos por meio de doações, diminuindo desperdícios e incorporando a sustentabilidade ao processo de produção.

“A importância também da gente trabalhar com as coleções é porque nós recebemos muitas doações e isso faz com que a gente trabalhe com uma paleta de cor e não haja desperdício de material. […] A coleção também tem essa questão da sustentabilidade financeira, sustentabilidade também ecológica em virtude do tipo de produto que a gente usa”, acrescenta.

Convívio e troca de experiências

Para as artesãs, o trabalho representa também um espaço de convivência, aprendizado e integração.

Dona Nolair participa da produção de peças em crochê e conta que produziu bolsas e amigurumis para a nova coleção.

“Eu faço parte do crochê. Então eu fiz a confecção das bolsas… tem esses amigurumis aqui também, eu adoro fazer, que sai bem disputado. Então a gente faz só uma peça de cada um, então a gente fica aqui na expectativa para ver quem que vai levar”, conta.

Cada produto, segundo ela, é preparado levando em consideração também a pessoa que poderá levá-lo para casa.

“A gente faz com muito carinho porque sabe que as pessoas vão chegar e vão gostar da peça que a gente fez”, destaca.

A participação no projeto ultrapassa a produção artesanal. Para Dona Nolair, os encontros também fazem diferença na rotina das mulheres.

“Eu adoro vir aqui, porque eu venho na segunda e na quarta, a gente tem um convívio com muitas mulheres, cada uma com seu problema e a gente vai conversando e passa a tarde que é uma beleza.”

“A gente aproveita para aprender e ensinar também o que a gente faz. Então a gente tá aqui para ter uma diversão melhor, uma vida melhor pra gente”, completa.

Parte da produção é realizada pelas artesãs em casa, especialmente nos trabalhos que exigem mais concentração e precisão.

“A gente pega o material aqui e leva para casa para fazer, porque aqui não dá tempo de fazer. Aqui a gente ensina um, ensina outro, conversa com um, conversa com outro… E a gente tem que contar ponto por ponto. Então não pode perder a carreira de pontos porque se perder você não consegue fazer. Então eu levo pra casa e faço em casa tranquilo”, relata.

Exposição segue durante outubro

Durante o mês de lançamento, a coleção inspirada no México poderá ser visitada de segunda-feira a sábado, das 14h às 19h.

Depois do período especial de exposição, as peças que estiverem disponíveis continuarão sendo comercializadas na loja permanente mantida dentro da Casa Transitória Fabiana de Jesus.

A instituição fica na Rua Afonso Celso, na região do Ana Rita, em Ponta Grossa.

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