Congresso do Paraguai repudia fala de Lula sobre guerra
Documento aprovado por parlamentares afirma que presidente brasileiro distorce e minimiza a dimensão histórica da Guerra da Tríplice Aliança

O Congresso do Paraguai aprovou declarações de repúdio às falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra do Paraguai, também chamada de Guerra da Tríplice Aliança. Parlamentares paraguaios acusam o presidente brasileiro de simplificar as causas do conflito e desconsiderar as consequências enfrentadas pelo país vizinho.
A manifestação ocorreu depois de Lula afirmar que “um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil”. A declaração foi feita na sexta-feira (24), durante uma visita à fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí, no interior de São Paulo. Na ocasião, o presidente defendia investimentos na indústria de defesa e o fortalecimento das Forças Armadas brasileiras.
Câmara aprova repúdio por unanimidade
Na quarta-feira (29), a Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou, por unanimidade, a Declaração nº 1.836. O documento acusa Lula de “distorcer e minimizar a dimensão histórica da Guerra da Tríplice Aliança”.
Segundo a Câmara paraguaia, a fala demonstra desconhecimento sobre a complexidade dos acontecimentos que antecederam o conflito e não considera o sofrimento humano, além das consequências demográficas, econômicas, institucionais e territoriais enfrentadas pelo Paraguai.
A declaração também reafirma o compromisso do Legislativo com a preservação da memória histórica do país. Para os deputados, essa memória constitui parte da identidade, da soberania e da dignidade do povo paraguaio.
O documento solicita ainda que o governo paraguaio, por meio do Ministério das Relações Exteriores, adote medidas diplomáticas para tentar recuperar o chamado Canhão Cristiano e outros objetos levados como troféus de guerra.
Apesar das críticas, a Câmara destacou que a defesa da versão histórica paraguaia é compatível com a manutenção das relações diplomáticas e da cooperação entre Brasil e Paraguai, desde que exista respeito recíproco e reconhecimento dos acontecimentos compartilhados pelos dois países.
Senado também rejeita declaração
O Senado do Paraguai aprovou outra declaração que rejeita categoricamente as palavras de Lula e reafirma o que os parlamentares classificam como a verdade histórica e a vocação de paz do país.
O texto sustenta que a manifestação do presidente brasileiro omitiu acontecimentos anteriores à guerra, como a intervenção militar do Império do Brasil no Uruguai, uma nota enviada pelo governo paraguaio em agosto de 1864 e tentativas de mediação atribuídas ao Paraguai.
Durante a mesma sessão, os senadores deram aprovação inicial a um projeto que pretende instituir o dia 12 de agosto como o “Dia Nacional de Comemoração do Genocídio do Rio da Prata”. A proposta ainda será analisada pela Câmara dos Deputados paraguaia.
Fala ocorreu durante defesa de investimentos militares
Durante o evento em Jacareí, Lula afirmou que o Brasil é um país que busca a paz, mas precisa estar preparado para possíveis ameaças externas. Ao citar a Guerra do Paraguai, o presidente disse que o conflito representou um custo equivalente a três orçamentos brasileiros da época.
A guerra, travada entre o Paraguai e a Tríplice Aliança, formada por Brasil, Argentina e Uruguai, ocorreu entre 1864 e 1870. O conflito devastou o Paraguai e permanece como um tema de forte sensibilidade histórica no país.























