Contorno Norte: entidades apontam risco de má alocação de R$ 1 bilhão em obra com possível limitação futura
Um movimento formado por diversas entidades representativas de Ponta Grossa e região tem se posicionado contra o traçado do Contorno Norte proposto pela concessionária Motiva Paraná e protocolado na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A principal preocupação é de que o projeto, ao não contornar efetivamente o perímetro urbano, possa comprometer o desenvolvimento da […]

Um movimento formado por diversas entidades representativas de Ponta Grossa e região tem se posicionado contra o traçado do Contorno Norte proposto pela concessionária Motiva Paraná e protocolado na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A principal preocupação é de que o projeto, ao não contornar efetivamente o perímetro urbano, possa comprometer o desenvolvimento da cidade e resultar em má alocação de recursos públicos.
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Liderada pela Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG), a mobilização reúne entidades de diferentes setores, como a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Ponta Grossa (CDEPG), o Sindicato Rural dos Campos Gerais, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Ponta Grossa (Iplan), além de representantes do setor produtivo.
Risco de investimento ineficiente
O presidente da ACIPG, Leonardo Puppi Bernardi, destacou o possível impacto financeiro do projeto. Segundo ele, a aplicação de R$ 1 bilhão em uma obra que pode necessitar de substituição entre 2035 e 2040 representa risco de uso inadequado de recursos, com reflexos para a população por meio de tarifas de pedágio.
Limitações do traçado proposto
O vice-presidente da ACIPG e coordenador da FIEP nos Campos Gerais, Rafael Issa Rickli, apontou fragilidades técnicas no traçado atual. De acordo com ele, o projeto pode não cumprir plenamente sua função de retirar o tráfego pesado da área urbana, especialmente em trechos próximos a bairros já consolidados, o que pode resultar em saturação futura.
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Rickli também mencionou a ausência de alternativas consideradas mais estratégicas, como a passagem pela Estrada do Talco e áreas do Incra, que possibilitariam maior afastamento do perímetro urbano e melhor organização logística. Ele ressaltou que as entidades não são contrárias à obra, mas defendem um planejamento adequado.
Impactos no desenvolvimento urbano
A presidente do CDEPG, Priscila Garbelini, afirmou que o traçado atual pode contrariar o planejamento de longo prazo da cidade. Segundo ela, o projeto pode limitar o crescimento previsto no Masterplan Ponta Grossa 2043, ao atravessar áreas urbanas e restringir a expansão.
Entre os pontos citados estão possíveis impactos em um novo distrito industrial no norte da cidade, em empresas já instaladas, no potencial turístico de Itaiacoca e na circulação de maquinário agrícola.
Preocupações do setor rural
O presidente do Sindicato Rural dos Campos Gerais, Gustavo Ribas Netto, destacou três pontos principais: o traçado passando por área da Embrapa, o que pode afetar pesquisas; impactos ambientais em nascentes e áreas úmidas, incluindo o Rio Cará-Cará; e dificuldades para o deslocamento de máquinas agrícolas entre propriedades.
Defesa de solução de longo prazo
As entidades reforçam que consideram a obra necessária, mas defendem um traçado planejado para o longo prazo, que efetivamente contorne a área urbana, respeite o planejamento estratégico e minimize impactos ambientais e econômicos.
O debate segue em andamento, com expectativa de que a ANTT e a concessionária avaliem as contribuições apresentadas pelas entidades envolvidas.























