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Economia

Cooperativismo mostra como união pode transformar comunidades

Cooperativismo fortalece comunidades, amplia oportunidades e mostra como a união de pessoas pode impulsionar o desenvolvimento econômico e social.

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Mais do que um modelo de organização econômica, o cooperativismo parte de uma ideia simples: pessoas que se unem em torno de um objetivo comum podem gerar resultados capazes de transformar comunidades inteiras.

Esse princípio, presente na origem do movimento cooperativista, continua atual e se reflete na atuação de cooperativas de diferentes setores pelo Brasil. No sistema financeiro, o modelo ganha características próprias ao colocar o associado no centro das decisões e aproximar a instituição da realidade econômica e social das regiões onde está presente.

O BnT Online esteve no Rio Grande do Sul para conhecer parte dessa história e entender como os princípios construídos há mais de um século seguem influenciando o desenvolvimento de comunidades brasileiras.

Um modelo construído pelas pessoas

A essência de uma cooperativa está na participação coletiva. Diferentemente de modelos empresariais tradicionais, a cooperativa é formada por pessoas que se associam voluntariamente em busca de objetivos econômicos e sociais em comum.

A presidente da Casa Cooperativa de Nova Petrópolis, Heloísa Helena Lopes, explica que compreender esse conceito é essencial para entender a importância do cooperativismo.

“Quando a gente fala em cooperativismo, a gente precisa conhecer o que é uma cooperativa. Que é a união de pessoas ao redor de um propósito”, afirmou.

Segundo ela, a atuação das cooperativas pode produzir impactos diretos nas comunidades.

“As pessoas se unem para desenvolver econômica e socialmente as suas comunidades. Quando existe uma cooperativa, a comunidade se transforma”, disse.

Outro diferencial está na destinação dos resultados obtidos. Dentro do cooperativismo, parte do resultado financeiro pode retornar aos próprios associados.

“Os lucros de uma cooperativa, que a gente chama de sobras, que é o resultado, ele é compartilhado”, explicou Heloísa.

Cooperativismo e desenvolvimento

Em diferentes partes do mundo, o cooperativismo possui forte presença na economia, especialmente no setor financeiro.

O presidente da Sicredi Pioneira, Tiago Schmidt, avalia que o Brasil ainda possui espaço significativo para ampliar o conhecimento sobre o funcionamento das cooperativas e sobre o impacto que elas podem gerar.

Segundo ele, exemplos internacionais ajudam a demonstrar a dimensão desse modelo.

Na Irlanda, de acordo com Schmidt, aproximadamente 75% da população está associada ao sistema financeiro cooperativo. Já nos Estados Unidos, mais de 200 milhões de pessoas participam de alguma cooperativa de crédito.

“Mais de 52% da população estadunidense faz as suas movimentações financeiras por meio de cooperativas de crédito”, afirmou.

Para Schmidt, há uma relação importante entre o fortalecimento do cooperativismo e o desenvolvimento econômico e social das comunidades.

“A gente consegue fazer essa correlação entre os locais mais desenvolvidos econômica e socialmente e os locais onde o cooperativismo é mais forte”, destacou.

Brasil ainda tem potencial para avançar

Apesar do crescimento do setor, o cooperativismo ainda é pouco conhecido por parte da população brasileira.

Para Tiago Schmidt, ampliar esse conhecimento passa por pesquisar, registrar e difundir a história, os princípios e os resultados do modelo.

“O quanto o cooperativismo se aplica a toda a sociedade, o quanto o cooperativismo é inclusivo e respeita todas as pessoas independente de gênero, de raça, de classe social, de partido político, de religião”, ressaltou.

Segundo ele, o cooperativismo não está ligado a uma bandeira política ou ideológica específica.

“O cooperativismo é inclusivo. Ele não é rótulo ou bandeira de ninguém”, afirmou.

Na avaliação de Schmidt, as diferenças de desenvolvimento do cooperativismo entre as regiões brasileiras também mostram que ainda existe grande espaço para expansão.

Crédito também exige responsabilidade

No sistema financeiro cooperativo, a proximidade com o associado também influencia a forma como serviços como o crédito são oferecidos.

O superintendente de Cooperativismo do Sicredi, Rogério Machado, destaca que a concessão responsável de crédito deve ser uma preocupação de todo o sistema financeiro.

“É responsabilidade de todos nós e das instituições financeiras do mercado. Há uma preocupação do Banco Central sobre isso, sobre a oferta do crédito”, afirmou.

Segundo Machado, o modelo de negócios das cooperativas considera a relação construída com os associados e a realidade das comunidades onde a instituição atua.

Mais do que serviços financeiros

A atuação das cooperativas ultrapassa a prestação de serviços financeiros. Projetos voltados à educação, ao desenvolvimento econômico, à responsabilidade social e ao fortalecimento das comunidades também fazem parte desse modelo.

No Sicredi, essa lógica busca aproximar a instituição dos associados e fazer com que os resultados gerados pela atividade financeira tenham impacto direto nos locais onde a cooperativa está inserida.

O cooperativismo, nesse contexto, se apresenta como uma alternativa que combina atividade econômica, participação coletiva e desenvolvimento social.

A proposta é fazer com que o associado não seja apenas usuário de um serviço, mas parte de uma estrutura construída para gerar benefícios compartilhados e fortalecer as comunidades.

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Matheus Leônidas
Autoria
Matheus Leônidas
Estudante de Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. Cativado por todas as editorias. Trabalho por um jornalismo justo e de qualidade.
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