Cuidado antes do Pix: golpes imobiliários ficam mais sofisticados no Paraná
Golpes imobiliários no Paraná usam anúncios falsos, Pix e documentos clonados. Veja os sinais de alerta para quem negocia em Ponta Grossa.

Os golpes imobiliários no Paraná ganharam novas formas com o avanço das negociações digitais, envolvendo anúncios falsos, fotografias de imóveis reais, documentos clonados e pedidos de pagamento via Pix. Em Ponta Grossa e nos Campos Gerais, especialistas do setor alertam compradores e locatários para a necessidade de confirmar a identidade de quem negocia e verificar a documentação antes de transferir qualquer valor.
Embora não exista uma estatística nacional específica para medir isoladamente os golpes envolvendo imóveis, os registros gerais de estelionato mostram o tamanho do ambiente em que esse tipo de fraude ocorre.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, o Brasil registrou 2.261.055 ocorrências de estelionato em 2025. No ano anterior, foram 2.193.122 registros. Considerando a taxa por 100 mil habitantes, houve crescimento de 2,7%.
O avanço foi ainda mais expressivo nos crimes cometidos por meio eletrônico. Foram 346.753 ocorrências em 2025, contra 286.226 em 2024, com alta de 20,6% na taxa registrada.
Desde 2018, primeiro ano da série histórica utilizada pelo Anuário, os registros de estelionato cresceram 429,8%. Pesquisa de vitimização citada pela publicação aponta ainda que cerca de 26,3 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais disseram ter sido vítimas de algum golpe ou perdido dinheiro pela internet ou celular no período analisado.
Outro dado revela a preocupação da população: 83,2% dos brasileiros afirmam ter medo de sofrer algum tipo de fraude pela internet ou pelo celular.
Fraudes eletrônicas avançam no Paraná
No Paraná, foram registrados 159.228 estelionatos em 2025, diante de 152.407 ocorrências em 2024. A taxa passou de 1.288,9 para 1.339,1 casos por 100 mil habitantes, crescimento de 3,9%.
Nos estelionatos praticados por meio eletrônico, foram 11.515 ocorrências em 2025, contra 8.829 no ano anterior. A variação da taxa chegou a 29,7%.
Com 1.339,1 registros de estelionato por 100 mil habitantes, o Paraná apresentou a terceira maior taxa entre as unidades da Federação em 2025, ficando atrás apenas de São Paulo e do Distrito Federal.
Os números não significam, porém, que houve aumento comprovado especificamente dos golpes imobiliários em 2026. A edição mais recente do Anuário consolida os dados de 2025. As investigações divulgadas pela Polícia Civil do Paraná mostram, por outro lado, que diferentes modalidades de fraude envolvendo imóveis continuam sendo identificadas no Estado.
Golpistas usam imóveis reais para enganar vítimas
Um dos esquemas investigados pela Polícia Civil ocorreu em Cambé e Londrina. Em dezembro de 2025, três homens foram presos preventivamente suspeitos de aplicar o golpe do falso aluguel.
Segundo a investigação, eles procuravam imobiliárias, retiravam chaves sob o argumento de que fariam visitas aos imóveis e produziam cópias. Depois, anunciavam as propriedades na internet como se fossem os verdadeiros proprietários.
Os interessados chegavam a visitar os imóveis e recebiam contratos simulados. Convencidas de que a negociação era legítima, as vítimas realizavam pagamentos como sinal para assegurar a locação. Depois que o dinheiro era recebido, os suspeitos desapareciam.
Outro caso ocorreu em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. A PCPR investigou um homem que aproveitava a condição de morador de um condomínio para acessar apartamentos desocupados e em processo de leilão.
Conforme a investigação, ele trocava as fechaduras, anunciava os apartamentos em plataformas digitais e firmava contratos falsos de compra e venda. Pelo menos três vítimas foram identificadas à época, com prejuízo estimado em cerca de R$ 58 mil.
No Litoral do Paraná, um caso de falso aluguel deixou 22 vítimas em Matinhos. Segundo a Polícia Civil, a investigada oferecia imóveis que não estavam disponíveis para locação e teria obtido aproximadamente R$ 100 mil com a fraude.
Os episódios mostram que nem sempre o imóvel anunciado é inexistente. Em alguns golpes, a propriedade realmente existe e pode até ser visitada, mas a pessoa que recebe o dinheiro não tem qualquer autorização para vendê-la ou alugá-la.
A fraude também pode envolver fotografias copiadas de anúncios legítimos, perfis falsos, documentos adulterados ou clonados e dados de terceiros utilizados para transmitir credibilidade à negociação.
Para Gelisson Gugelmin, diretor do SECOVI-PR na Regional Campos Gerais, ofertas muito vantajosas devem ser analisadas com atenção.“Todos que pretendem comprar ou alugar devem desconfiar de vantagens que parecem boas demais para ser verdade. Preço muito abaixo do mercado, pedido de pagamento imediato, transferência para conta de terceiro, resistência em apresentar documentos e tentativa de retirar a negociação de uma plataforma conhecida são sinais que merecem atenção”, alerta.
Como reduzir o risco antes do Pix
Entre os principais cuidados está verificar se a pessoa que está negociando realmente é proprietária do imóvel ou possui autorização para atuar como intermediária.
Antes de qualquer pagamento, comprador ou locatário deve conferir os documentos apresentados e comparar o nome do responsável pela negociação com o titular da conta bancária que receberá a transferência.
Em contratos de compra e venda, a matrícula atualizada do imóvel é um dos documentos essenciais para conferir propriedade, características do bem e eventuais restrições existentes.
A visita presencial também é recomendada sempre que possível. Outro recurso útil é realizar uma busca reversa pelas fotografias do anúncio, o que pode revelar se as mesmas imagens foram copiadas de outras ofertas publicadas na internet.
Também é importante desconfiar da chamada urgência artificial, quando o suposto proprietário afirma haver muitos interessados e exige depósito imediato para não “perder a oportunidade”.
Carlos Ribas Tavarnaro, presidente do SECOVI-PR, destaca que a tecnologia facilitou a divulgação dos imóveis, mas também abriu espaço para novas formas de fraude. “O alerta é claro: a tecnologia ampliou o alcance dos anúncios, mas também criou novas possibilidades para a falsificação de identidades, documentos e ofertas. A intermediação por profissionais habilitados e empresas regularmente constituídas pode acrescentar uma camada importante de segurança, sobretudo em operações que envolvem valores elevados”, afirma.
Tavarnaro também orienta consumidores a verificarem as credenciais de corretores e imobiliárias junto aos órgãos e entidades responsáveis.
Para quem pretende comprar ou alugar um imóvel em Ponta Grossa ou nos Campos Gerais, a recomendação é não realizar transferências apenas porque o anúncio parece profissional ou porque o negociador apresenta documentos por aplicativos de mensagens.
Antes do Pix, é fundamental confirmar quem está recebendo o dinheiro, verificar o imóvel, conferir a documentação e buscar informações sobre o corretor ou imobiliária. Alguns minutos de checagem podem evitar um prejuízo financeiro difícil de recuperar.
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