QUINTA-FEIRA · 15 OUT 2026Ponta Grossa 20°C ☁️
Publicidade
Paraná

Dia das Crianças muito além do cabelo maluco

As lições por trás dos dias temáticos, que parecem só brincadeira, mas ensinam pertencimento, criatividade e convivência.

Dia das Crianças muito além do cabelo maluco
Publicidade

Outubro é marcado pelo Dia das Crianças, uma data que toma conta da rotina das famílias com menores de 12 anos. Pais percorrem lojas atrás do brinquedo ideal, escolas fazem atividades temáticas e o comércio espera movimentar 9.2 bilhões com a data em 2026, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A expectativa dos pequenos é grande, mas é na sala de aula que a data ganha um significado diferente. Professores preparam gincanas, piqueniques, fantasias e os corredores ganham cores. À primeira vista, tudo parece só diversão. Mas a festa esconde aprendizados que acompanham a criança pela vida inteira.

A ciência confirma. Um relatório da Academia Americana de Pediatria (AAP), publicado em 2018 na revista científica Pediatrics, concluiu que brincar com pais e colegas desenvolve habilidades sociais, emocionais, cognitivas e de linguagem. O documento aponta ainda ganhos na capacidade de colaborar e de inovar, além de redução do estresse.

Segundo os pediatras, a brincadeira ajuda a formar o cérebro e fortalece a função executiva, nome dado ao conjunto de habilidades que permite planejar, manter o foco e resolver problemas. Por isso, se para os alunos, as comemorações são pura festa, para educadores, cada proposta tem um objetivo didático.

Em Curitiba, a Escola Willy Janz mostra como isso funciona na prática. De 14 a 16 de outubro, a instituição promove a Semana da Criança 2026 com três dias temáticos: Piquenique das Cores na quarta-feira, Meia Maluca e Cabelo Maluco na quinta e Dia dos Anos 80 na sexta.

Piquenique das Cores: o valor de dividir

O primeiro dia leva as turmas para um lanche coletivo com frutas de vários tons. Maçã e melancia representam o vermelho, a manga traz o amarelo, o kiwi fica com o verde e o mirtilo com o azul.
“Sentar em roda e repartir a comida é um exercício de sociabilização, ou seja, de aprender a viver em grupo. A criança espera a vez, oferece, aceita e descobre que a mesa fica mais farta quando todos participam”, explica Karlene Moreira dos Santos, coordenadora do Ensino Fundamental da Escola Willy Janz.

Ela afirma que há também um ganho na alimentação. Em clima de brincadeira, provar um sabor desconhecido deixa de ser obrigação e vira curiosidade. De quebra, os pequenos trabalham cores, texturas e gostos sem perceber que estão estudando.
Meia Maluca e Cabelo Maluco: liberdade para criar

No segundo dia da semana temática, o destaque é para a criatividade. Vale trança colorida, enfeite na cabeça e um pé de meia diferente do outro. Não existe certo ou errado, e essa é justamente a lição.
“Vai muito além do visual. Entre uma invenção e outra, as crianças também aprendem bastante. No Cabelo Maluco, nós trabalhamos a socialização, o respeito às diferenças, cores e formas”, explica Karlene.

A pedagoga diz que a criatividade entra em cena desde a véspera, quando o aluno planeja o visual em casa, muitas vezes com a ajuda da família. Ele imagina, testa, muda de ideia e resolve problemas práticos, como fazer um penteado parar em pé. Existe ainda um aprendizado sobre pertencimento, que é a sensação de fazer parte. “Quando todos chegam fora do padrão, ser diferente deixa de causar vergonha. Cada um se expressa do seu jeito e, ao mesmo tempo, se reconhece no grupo”.

A programação inclui ainda um desfile, momento que deixa a turma empolgada. “Fazemos um desfile para eles observarem os adereços, as texturas diferentes, as cores e os tamanhos, o que é maior e o que é menor. Dentro de um dia legal e diferente, trabalhamos juntas várias coisas das disciplinas”, completa a coordenadora.
Dia dos Anos 80: brincadeira que une gerações

A semana termina com uma viagem no tempo. Jaquetas coloridas, polainas, jeans e o som do toca-fitas apresentam aos alunos uma época que eles só conhecem pelas histórias dos adultos.

“Para montar o figurino, é preciso perguntar. Como os pais se vestiam? O que ouviam? Do que brincavam no recreio? Essa conversa aproxima avós, pais e filhos e mostra que a família também faz parte da vida escolar”, garante Karlene.

Brincar é coisa séria

A brincadeira é um direito previsto em lei. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) inclui brincar, praticar esportes e divertir-se entre as garantias de liberdade da infância. Já a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que orienta o ensino nas escolas brasileiras, coloca o brincar como um dos seis direitos de aprendizagem da Educação Infantil.

Não é por acaso. É assim que os pequenos aprendem a seguir regras, lidar com a frustração de perder, controlar impulsos e se colocar no lugar do outro. São competências que vão usar na sala de aula, no trabalho e nos relacionamentos pelo resto da vida.

Com 34 anos de história, a Escola Willy Janz trabalha com desenvolvimento vocacional e trata essas datas como parte do projeto pedagógico, e não como uma pausa nele. Para a escola, a descoberta da vocação começa quando a criança tem espaço para conhecer a si mesma, descobrir novas possibilidades e explorar a criatividade.

O diretor da escola, André Ceruzi, manda um recado para os pais: “Deixem seus filhos brincarem. Com tempo livre, com bagunça, com meia trocada e cabelo em pé. Quem brinca hoje tende a se tornar um adulto mais funcional, mais saudável e mais preparado para conviver”.

Leia também: Dólar abre cotado a R$ 5,06 nesta quinta; mercado acompanha PEC da escala 6×1 e pesquisas eleitorais

Quer ver a BnT mais vezes no Google?
Boca no Trombone
Autoria
Boca no Trombone
O Portal BnT foi criado em 2021 e trata sobre diversos temas que afetam você e toda a comunidade de Ponta Grossa e região
Ver todas as matérias →
Publicidade
Publicidade
Notícias relacionadas
Web Stories
Todas →
VídeosMais vídeos para você curtir
Ver no YouTube →
Faz parte da rede