Doutores Palhaços celebram 18 anos com 500 mil intervenções nos Campos Gerais
Doutores Palhaços Ponta Grossa completam 18 anos e celebram 500 mil intervenções em hospitais dos Campos Gerais.

A Doutores Palhaços SOS Alegria, organização fundada em Ponta Grossa, completa 18 anos nesta quinta-feira (5) com uma marca histórica: 500 mil intervenções realizadas desde o início de suas atividades. Reconhecida nacionalmente pelo trabalho de palhaçaria hospitalar, a instituição atua em Ponta Grossa, Palmeira e Tibagi, levando acolhimento, arte e momentos de descontração a pacientes, familiares e profissionais de saúde.
Fundada em 2008, a iniciativa começou com apenas dois palhaços voluntários e se transformou em uma organização que reúne aproximadamente 70 integrantes. Destes, 37 fazem parte do elenco que realiza visitas aos hospitais, enquanto os demais atuam na diretoria, nos conselhos e na formação dos participantes.
História de superação marca trajetória dos Doutores Palhaços
Entre as milhares de histórias que fazem parte dos 18 anos da SOS Alegria está a de Felipe, que, aos oito anos, precisou ser hospitalizado após perder os movimentos das pernas.
A mãe, Alexandra Maria Stravatti, relembra a angústia vivida pela família em 2013, quando os médicos ainda investigavam as causas da paralisia.
Durante a internação, a visita de dois palhaços transformou o ambiente do quarto e trouxe um momento de esperança para a família.
“Eles deixaram aquele ambiente alegre, cheio de vida. Foi como se uma energia boa tivesse entrado ali”, recorda Alexandra.
Segundo ela, Felipe voltou a sorrir e brincar após a visita. Posteriormente, o menino começou a recuperar os movimentos das pernas.
Alexandra destaca que a intervenção artística não foi responsável pela recuperação física do filho, mas teve um papel importante no enfrentamento emocional daquele período.
“Mesmo sabendo que não foi a intervenção com os palhaços que fez com que ele voltasse a andar, a presença deles trouxe esperança para mim e para o Felipe em um momento bem difícil”, afirmou.
Hoje, Felipe tem 22 anos, e a família mantém viva a lembrança do acolhimento recebido.
De um sonho à referência em humanização hospitalar
A história da organização começou com a atriz Micheli Vaz, que sonhava em unir medicina e atuação artística.
Inspirada pelo trabalho dos Doutores da Alegria, de São Paulo, e pela experiência de acompanhar uma amiga internada para tratamento contra o câncer, Micheli decidiu iniciar as primeiras intervenções hospitalares em Ponta Grossa, ao lado de Bruno Madalozo.
O projeto ganhou espaço nos hospitais, conquistou o apoio das equipes de saúde e passou por um processo de profissionalização.
Atualmente, os voluntários realizam intervenções cinco dias por semana, seguindo escalas organizadas. A atuação, inicialmente concentrada em Ponta Grossa, foi ampliada para Palmeira e chegou a Tibagi em 2025.
A organização também investe na preparação dos participantes. A cada dois anos, são abertas inscrições para novas turmas de voluntários, que passam por formação específica para atuar nos ambientes hospitalares.
Arte e voluntariado transformam o ambiente dos hospitais
Para o coordenador-geral da SOS Alegria, Bruno Madalozo, o trabalho vai muito além de provocar risadas.
“Na SOS Alegria, entendemos a arte como um caminho para o cuidado e a humanização das relações. Nosso diferencial está em unir o voluntariado à formação artística profissional, por meio de uma metodologia própria que prepara continuamente nosso elenco para atuar nos espaços de saúde”, explica.
Segundo ele, as intervenções são desenvolvidas com sensibilidade, escuta e respeito às condições de cada paciente.
A organização mantém projetos aprovados pelo Ministério da Cultura desde 2014, utilizando mecanismos de incentivo cultural para sustentar e ampliar suas atividades.
SOS Alegria comemora 18 anos e agradece apoio da comunidade
Para Micheli Vaz, o aniversário de 18 anos representa também o reconhecimento de uma construção coletiva que envolve voluntários, profissionais de saúde, patrocinadores e comunidades.
“Depois de 18 anos, percebemos que o mais importante não está apenas nos risos que provocamos, mas nos encontros que construímos. A arte do palhaço nos permite olhar para além do estado de saúde, reconhecer as pessoas em sua humanidade e criar espaços de escuta, afeto e conexão”, destaca.
O projeto Salvando Risos, desenvolvido pela SOS Alegria, é aprovado pelo Ministério da Cultura por meio da Lei de Incentivo à Cultura, sob o Pronac nº 259072.
A iniciativa conta com patrocínio da Paccar Financial, Granja Econômica, Águia Sistemas, Frísia, Unimed Ponta Grossa, Scherer Autopeças, Supermercado Rickli e Colégio Sepam. O apoio é da DAF Caminhões e do Premium Vila Velha Hotel, com produção executiva da ABC Projetos Culturais.
Aos 18 anos, a SOS Alegria reafirma sua presença nos Campos Gerais, mostrando como a arte pode contribuir para tornar a experiência hospitalar mais acolhedora e humana.
























