Estreantes nas urnas chegam ao Congresso em 2027
A eleição de 2026 levou ao Congresso 33 nomes em sua primeira disputa eleitoral, entre eles ex-ministros, ex-primeiras-damas e herdeiros políticos. Levantamento do g1 com dados do TSE mostra que muitos já tinham trajetória pública antes de concorrer.

A eleição de 2026 vai levar ao Congresso alguns nomes que já eram conhecidos dos brasileiros antes de aparecerem na urna pela primeira vez. Entre eles estão a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), as ex-ministras Nísia Trindade (PT) e Anielle Franco (PT) e o ex-ministro Jader Filho (MDB). Um levantamento do g1 com base nos dados de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou 33 eleitos em sua primeira disputa eleitoral: quatro senadores e 29 deputados federais.
Embora tenham feito sua estreia na urna, são pessoas com trajetórias na política, com cargos em ministérios, governos estaduais, prefeituras e partidos, além de participação em organizações e movimentos sociais. Há também membros de famílias com presença consolidada na política. A seguir, veja quem são esses novos parlamentares e como chegaram ao Legislativo federal.
Ex-primeiras-damas e ex-ministros estreiam no Senado
Michelle Bolsonaro (PL) conquistou 938.496 votos em sua primeira eleição e garantiu uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. Mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro, ela foi primeira-dama entre 2019 e 2022 e, depois, assumiu o comando do PL Mulher. Sua atuação partidária e participação em campanhas de aliadas e aliados antecederam a candidatura parlamentar.
Em Goiás, Gracinha Caiado (União Brasil) se elegeu senadora ao receber 1.458.522 votos. Mulher de Ronaldo Caiado, ela já havia participado da articulação política do marido e ocupado funções na área social do governo goiano. Foi presidente de honra da Organização das Voluntárias de Goiás, coordenou o Gabinete de Políticas Sociais e participou da criação do Goiás Social.
Marina JHC (PSDB), eleita senadora em Alagoas com 926.860 votos, foi primeira-dama de Maceió durante a gestão do marido, João Henrique Caldas, o JHC, eleito governador de Alagoas neste ano. A conexão familiar também aparece na chapa: sua primeira suplente é a senadora Eudócia Caldas, mãe de JHC. Já Bruno Scheid (PL) fez 474.226 votos para se eleger senador por Rondônia. Embora tenha concorrido pela primeira vez, já mantinha proximidade com Jair Bolsonaro e usou o nome Bruno Bolsonaro Scheid na campanha.
Ex-ministras chegam à Câmara com bagagem técnica
Nísia Trindade (PT-RJ) chega à Câmara dos Deputados com uma carreira construída na ciência e na gestão pública. Socióloga, foi a primeira mulher a presidir a Fundação Oswaldo Cruz e a comandar o Ministério da Saúde. Sua passagem pela Fiocruz incluiu o enfrentamento da pandemia de Covid-19. Ela deixou o ministério em 2025 e recebeu 67.350 votos na eleição deste ano.
Também eleita pelo Rio, Anielle Franco (PT) obteve 149.726 votos. Professora, jornalista e ex-ministra da Igualdade Racial, ela dirigiu o Instituto Marielle Franco e ganhou projeção na luta por justiça após o assassinato da irmã, vereadora do Rio, em 2018. Sua trajetória reúne atuação na educação, no movimento negro e no governo federal.
Herdeiros políticos ocupam cadeiras na Câmara
Em Alagoas, Alvinho Lira (PP) foi eleito deputado federal com 172.628 votos, aos 20 anos. É filho de Arthur Lira, ex-presidente da Câmara, que conquistou uma vaga no Senado nesta eleição. Pai e filho ocuparão, portanto, cadeiras nas duas Casas do Congresso.
Na Bahia, Daniel Alencar (PSD) é filho do senador Otto Alencar e irmão de Otto Alencar Filho, que deixou a Câmara para integrar o Tribunal de Contas do Estado. Médico, Daniel foi eleito deputado federal com 192.492 votos. Outro estreante baiano, Carlos Muniz (PSDB), é filho do vereador de mesmo nome que preside a Câmara Municipal de Salvador. Ele recebeu 141.762 votos.
No Ceará, a deputada federal eleita Luisa Cela (PT) é filha da ex-governadora Izolda Cela e já havia ocupado a Secretaria da Cultura do estado. Em Minas Gerais, Vinicius Diniz (PL), eleito deputado federal, é filho do deputado federal Hercílio Diniz e integra a família proprietária da rede de supermercados Coelho Diniz.
Em Pernambuco, Gabriel Porto (PSB), eleito deputado federal, é filho de Álvaro Porto, presidente da Assembleia Legislativa do estado. Em Roraima, o futuro deputado Rodrigo Mesquita (Podemos) é filho de Disney Mesquita, empresário e ex-chefe da Casa Civil do governo estadual.
No Rio de Janeiro, Márcio Rezende (PSD) é irmão do prefeito de Macaé, Welberth Rezende. Em Sergipe, o médico Cláudio Mitidieri (PSB) é primo do governador Fábio Mitidieri e foi secretário estadual da Saúde, além de ter presidido o instituto de assistência à saúde dos servidores estaduais.
Trajetórias próprias e influência partidária
Em São Paulo, Natália Boulos (PSOL), mulher de Guilherme Boulos, também chega à Câmara com atuação política própria anterior à candidatura. Advogada, integrou a direção nacional do PSOL e construiu sua trajetória no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).
Eleito pelo Rio de Janeiro, o pernambucano Antonio Rueda (União Brasil) já comandava nacionalmente o partido antes de disputar uma cadeira na Câmara. Advogado e dirigente partidário, recebeu 155.836 votos. Seu caso mostra como alguém pode estrear nas urnas depois de exercer influência sobre candidaturas e alianças.
O levantamento do g1 revela que a renovação no Congresso não significa, necessariamente, a chegada de novatos na política. Muitos dos eleitos em 2026 já circulavam nos bastidores do poder, ocupando cargos de confiança, liderando partidos ou integrando famílias com tradição eleitoral. A nova legislatura, que toma posse em 2027, terá a missão de representar os interesses da população em um cenário de continuidade e mudança.























