Estudo identifica espécies inéditas no Buraco do Padre, em Ponta Grossa
Levantamento científico encontrou novos invertebrados, 170 espécies de aves e vegetação ameaçada de extinção no parque

Um estudo técnico-científico realizado no Parque de Natureza Buraco do Padre, em Ponta Grossa, identificou espécies de invertebrados até então desconhecidas pela ciência, além de aves endêmicas da Mata Atlântica e vegetação ameaçada de extinção. A pesquisa integra o Plano de Manejo Espeleológico da Furna do Buraco do Padre.
O trabalho reúne 23 pesquisadores de dez áreas científicas e é coordenado pela empresa Geodiversidade Soluções Geológicas Ltda. O plano foi contratado pela gestão privada do parque e começou a ser elaborado no segundo semestre de 2024. Atualmente, encontra-se na fase final, voltada à definição de programas de gestão, manejo e projetos especiais.
Novas espécies encontradas na furna
Entre os principais resultados está a identificação de dois invertebrados no interior da furna: uma aranha-pirata, registrada no estudo como cf. Mimetus penicilatus, e um besouro do gênero Myllaena, classificado como Myllaena sp. nov..
Segundo os responsáveis pelo levantamento, o gênero do besouro possuía somente uma espécie conhecida no Brasil até então. A presença desses animais em uma área restrita evidencia a singularidade ecológica do ambiente subterrâneo e o nível de conservação da furna.
Os pesquisadores também identificaram 27 táxons vegetais no interior da cavidade. O termo táxon é utilizado para classificar grupos de seres vivos, como espécies, gêneros ou famílias. Desse total, 15 estão ameaçados de extinção.
Parque abriga 170 espécies de aves
A pesquisa registrou 170 espécies de aves no Parque de Natureza Buraco do Padre. O número corresponde a quase 40% de toda a avifauna já identificada nos Campos Gerais do Paraná. Entre as espécies encontradas, 41 são endêmicas da Mata Atlântica — ou seja, ocorrem naturalmente apenas nesse bioma. Outras 45 são migratórias e quatro são consideradas ameaçadas de extinção.
A furna também funciona como abrigo para aproximadamente mil andorinhões. No local foram encontradas duas espécies: o taperuçu-de-coleira-branca, considerado o mais abundante dentro da cavidade, e o taperuçu-de-coleira-falha.
Pesquisa busca conciliar preservação e turismo
O Plano de Manejo Espeleológico está previsto na Resolução nº 347 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, de setembro de 2004. O documento define orientações para a conservação, o uso sustentável e o monitoramento de cavidades naturais subterrâneas, como cavernas, furnas, grutas e fendas. Para o gestor do parque, Alvaro Fernandes Dias Filho, os resultados demonstram que a importância do Buraco do Padre vai além do turismo.
“Esses dados mostram que o Buraco do Padre está cumprindo o seu papel com excelência, proporcionando a visitação e o uso público sem oferecer risco à frágil fauna e flora do local. Estamos falando de um ambiente único, que abriga espécies raras e até desconhecidas pela ciência”, afirma. O coordenador técnico do estudo, Henrique Pontes, destaca o caráter pioneiro do levantamento.
“Trata-se de um dos poucos estudos desse tipo desenvolvidos dentro de um Parque Nacional no país conduzido pela iniciativa privada, e o primeiro voltado a uma cavidade arenítica do Sul do Brasil”, explica. Os resultados reforçam a relevância do Buraco do Padre como patrimônio natural de Ponta Grossa, dos Campos Gerais e do Paraná, além de evidenciarem a necessidade de conciliar pesquisa científica, visitação pública e preservação ambiental.
























