Fachin avalia arquivar investigação contra Mendonça
O presidente do STF, Edson Fachin, analisa arquivar de imediato as acusações de Alexandre de Moraes contra André Mendonça. A defesa aponta graves falhas formais, como uso de relatórios apócrifos e inclusão irregular no inquérito das fake news. A decisão pode ser monocrática, com base no regimento interno.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, analisa a possibilidade de encerrar de forma imediata as acusações feitas pelo ministro Alexandre de Moraes contra o colega André Mendonça. A avaliação ocorre após a defesa de Mendonça apontar graves falhas formais no pedido, incluindo o uso de relatórios de inteligência sem assinatura e a inclusão irregular no inquérito das fake news nesta terça-feira, 22. A decisão pode ser monocrática, sem levar o tema ao plenário, conforme previsão do Regimento Interno do STF.
Acusações de Moraes contra Mendonça
O ministro Alexandre de Moraes apresentou uma representação pedindo que Mendonça seja investigado por suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O centro da disputa envolve a atuação de Mendonça em processos ligados ao Banco Master e ao INSS. Moraes alega que o colega agiu com parcialidade e motivação política para persegui-lo, assim como ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A tensão aumentou após relatórios da Polícia Federal apontarem conexões entre Moraes e Daniel Vorcaro, banqueiro investigado por fraudes bilionárias. A defesa de André Mendonça sustenta que Moraes cometeu desvios graves ao tentar incluí-lo diretamente no Inquérito 4.781, o das fake news. Pela regra da Corte, investigar um ministro exige autorização do plenário, o que não teria ocorrido nesse caso.
Falhas formais e desvio de finalidade
Além disso, os advogados questionam o uso de relatórios de inteligência apócrifos, ou seja, sem data ou assinatura oficial, enviados pelo diretor da Polícia Federal. Mendonça argumenta que ações de inteligência servem para segurança do Estado e não podem ser usadas para fabricar provas em investigações criminais, configurando o chamado desvio de finalidade. Esses documentos, segundo a defesa, não possuem validade jurídica para embasar uma investigação contra um ministro do STF.
A inclusão de Mendonça no inquérito das fake news é outro ponto central. A defesa afirma que a medida foi irregular, pois não houve autorização do plenário, como exige o regimento. O uso de relatórios apócrifos reforça a tese de que o pedido de Moraes carece de justa causa, ou seja, de provas mínimas para justificar a abertura de uma investigação.
Possibilidade de decisão monocrática
Uma decisão monocrática ocorre quando o relator ou o presidente do tribunal decide sozinho, sem levar o tema para votação dos outros ministros. Juristas explicam que o Regimento Interno do STF permite que Fachin negue seguimento a pedidos considerados manifestamente inadmissíveis ou sem provas mínimas, a chamada justa causa. Nesse cenário, o presidente poderia arquivar a representação de Moraes sem consultar os demais ministros.
Se Fachin entender que as falhas formais são insanáveis, pode encerrar o caso de imediato. A decisão teria impacto direto na crise interna do STF, que vive um momento de tensão entre seus membros. O arquivamento monocrático evitaria um desgaste maior no plenário, mas também poderia gerar questionamentos sobre a imparcialidade do presidente.
Contexto político e jurídico
A disputa entre Moraes e Mendonça reflete um racha no Supremo, com acusações mútuas de perseguição política. O envolvimento do Banco Master e do INSS amplia o alcance do caso, que pode respingar em outras esferas do poder. A menção ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adiciona um componente político à crise, já que o parlamentar é aliado de Moraes.
Para o leitor, o caso importa porque envolve a mais alta corte do país e pode afetar a confiança nas instituições. A forma como Fachin conduzirá o processo será observada de perto por juristas e políticos. O desfecho pode definir precedentes sobre o uso de relatórios de inteligência em investigações criminais.
Próximos passos
Até o momento, Fachin não se pronunciou publicamente sobre o caso. A expectativa é que a decisão saia nos próximos dias, podendo ser monocrática ou levar o tema ao plenário. Se arquivar, encerra a investigação contra Mendonça; se aceitar, o caso segue para análise dos demais ministros.
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