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Faixa-preta perde movimentos após golpe proibido em torneio no Paraná

Willian Masuda, conhecido como Kabuto, sofreu uma fratura na coluna cervical, passou por cirurgia de quase 10 horas e permanece internado na UTI

Faixa-preta perde movimentos após golpe proibido em torneio no Paraná
Reprodução
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O atleta faixa-preta de jiu-jítsu Willian Hiroyuki Masuda, conhecido como Kabuto, permanece internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após sofrer uma grave lesão na coluna cervical durante uma competição realizada em Londrina, no Norte do Paraná. O lutador perdeu os movimentos e a sensibilidade do tórax para baixo depois de receber um golpe proibido.

O acidente aconteceu no sábado (22), durante o Super Pro Jiu-Jitsu 2026, disputado no Ginásio de Esportes Moringão. Kabuto participava da modalidade No-Gi, na qual os atletas competem sem quimono, e enfrentava o também faixa-preta Juliano Di Pelli Machado.

Durante o combate, Willian foi levantado de cabeça para baixo e projetado contra o tatame. O movimento é conhecido como “bate-estaca” e oferece risco elevado de traumatismos na cabeça, no pescoço e na coluna. A manobra é proibida pelas regras utilizadas em competições da modalidade.

O árbitro interrompeu a disputa e desclassificou Juliano logo após o golpe. Willian ainda tentou se levantar, mas não conseguiu. Ele recebeu atendimento da equipe médica que estava no ginásio e foi encaminhado ao hospital.

Cirurgia durou quase 10 horas

Os exames identificaram uma fratura alta na coluna cervical. Por causa da gravidade da lesão, Kabuto precisou passar por uma cirurgia que durou quase 10 horas.

De acordo com as informações divulgadas pela família, o atleta está clinicamente estável e consegue respirar sem o auxílio de aparelhos. Ele apresenta pequenos movimentos nos braços, porém continua sem movimentos e sensibilidade do tórax para baixo.

Willian permanece internado na UTI e ainda não há previsão de alta. A extensão das possíveis sequelas dependerá da evolução clínica e neurológica apresentada durante o tratamento e o processo de reabilitação.

A família também informou que conversou com o neurocirurgião responsável sobre a possibilidade de utilização da polilaminina, substância experimental estudada no Brasil para casos de lesão medular.

Neste momento, a equipe médica não indicou uma nova intervenção para a aplicação da terapia. Segundo os familiares, o tratamento depende de critérios específicos e das condições clínicas de cada paciente. A possibilidade, entretanto, não foi descartada definitivamente.

Ministério Público pede investigação

O caso também passou a ser acompanhado pelo Ministério Público do Paraná. Uma notícia-crime foi encaminhada à Polícia Civil com o pedido de abertura de inquérito para investigar a conduta de Juliano Di Pelli Machado.

O pedido aponta a possibilidade de apuração por lesão corporal de natureza gravíssima praticada com dolo eventual, situação em que o autor, embora não tenha necessariamente a intenção direta de produzir o resultado, teria assumido o risco de provocá-lo. A apresentação da notícia-crime não representa uma condenação ou denúncia formal.

O promotor Renato de Lima Castro também solicitou que sejam preservadas as imagens da transmissão do combate e os registros das câmeras de segurança do Ginásio Moringão. A investigação deverá analisar a execução do movimento, as regras aplicadas no campeonato, a atuação da arbitragem e a extensão das lesões sofridas por Willian.

A defesa de Juliano afirmou que o atleta está profundamente abalado com o estado de saúde de Kabuto e que permanece à disposição das autoridades. Os advogados sustentam que o episódio deve ser analisado tecnicamente, considerando as imagens, o regulamento da competição e a avaliação da arbitragem.

Segundo a defesa, Juliano é atleta profissional, possui resultados em competições internacionais e não tem histórico de punições por conduta antidesportiva. Uma manifestação mais detalhada deverá ocorrer depois da análise técnica do caso.

Organização se manifesta e família cria vaquinha

A organização do Super Pro Jiu-Jitsu informou que Willian recebeu atendimento imediato da equipe de socorro e da ambulância que estavam no local. O campeonato também declarou que acompanha o estado de saúde do atleta, presta o suporte cabível à família e colabora com as autoridades.

A Fundação de Esportes de Londrina lamentou o ocorrido e esclareceu que o Ginásio Moringão foi utilizado como local da competição, mas que a entidade não participou da organização do campeonato.

Diante da possibilidade de um processo longo de recuperação, Fernanda Mayumi, esposa de Kabuto, criou uma vaquinha solidária para ajudar nos custos do tratamento, da reabilitação e das adaptações que poderão ser necessárias.

A campanha, intitulada “Força Kabuto — Juntos pela sua recuperação”, está sendo compartilhada por atletas, academias e integrantes da comunidade do jiu-jítsu. As doações podem ser feitas pela página oficial da vaquinha.

O estado de saúde mais recente aponta que Kabuto permanece estável, respirando sem aparelhos, mas sem movimentos e sensibilidade do tórax para baixo.

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Heryvelton Martins
Autoria
Heryvelton Martins
Jonalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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