Falta de manutenção causou acidente com 11 mortos no Paraná, aponta MP
Ônibus transportava trabalhadores para uma indústria em Telêmaco Borba quando caiu em uma ribanceira na PR-090, em Sapopema, em março de 2022

A falta de manutenção no ônibus que caiu em uma ribanceira e matou 11 trabalhadores em Sapopema, no Norte do Paraná, foi apontada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) como a principal causa do acidente. A tragédia aconteceu em 30 de março de 2022, na PR-090, no trecho conhecido como Serra Fria.
O veículo transportava 31 pessoas e havia saído de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, com destino a Telêmaco Borba, nos Campos Gerais. Os trabalhadores viajavam para realizar serviços de manutenção em uma indústria de papéis e embalagens.
Segundo a denúncia apresentada pelo MP-PR, o ônibus possuía uma falha mecânica antiga no sistema de freios e não havia passado pelas inspeções obrigatórias. A investigação também apontou que o veículo não tinha registro na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para realizar o transporte interestadual de passageiros.
Falha nos freios
A perícia já havia identificado, em outubro de 2023, sinais de desgaste antigo nos freios do ônibus. Conforme o Ministério Público, durante a descida da serra, o motorista não teria utilizado o freio motor, o que contribuiu para o superaquecimento do sistema de frenagem.
Com a perda da capacidade dos freios, o motorista não conseguiu manter o controle do veículo. O ônibus saiu da pista, capotou e caiu em uma ribanceira no quilômetro 268 da rodovia. O acidente ocorreu por volta das 22h, em um trecho de pista simples. De acordo com os registros das equipes de atendimento, chovia no momento da ocorrência.
Sete trabalhadores morreram ainda no local. Outras três vítimas faleceram após serem encaminhadas ao hospital, enquanto a 11ª morte aconteceu durante a transferência entre unidades de saúde. Dez pessoas foram resgatadas em estado grave, quatro tiveram ferimentos moderados e os demais ocupantes sofreram lesões leves.
Responsáveis são denunciados
O Ministério Público solicitou a abertura de uma ação criminal contra a proprietária e o administrador da empresa responsável pelo ônibus. Os dois foram denunciados por homicídio culposo, quando não existe intenção de matar.
Segundo a denúncia, os responsáveis teriam deixado de tomar as providências necessárias para evitar o acidente, incluindo a manutenção adequada do veículo e a realização das inspeções obrigatórias. O MP também classificou o transporte dos trabalhadores como clandestino.
Além da responsabilização criminal, o Ministério Público pediu que, em caso de condenação, seja estabelecida uma indenização mínima de R$ 20 mil para cada vítima.
O ônibus já havia percorrido aproximadamente 500 quilômetros quando sofreu o acidente. As vítimas eram de diferentes estados brasileiros, incluindo Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Pará, Piauí e Alagoas.
























