Após fugir, Flávio se declara presidente eleito em carta
Flávio Bolsonaro divulga carta dos EUA, se declara presidente eleito, acusa fraude sem provas e promete liderar a oposição.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta de três páginas após fugir do Brasil e chegar aos Estados Unidos. No documento, o candidato derrotado nas eleições presidenciais de domingo (25) se autodeclara o verdadeiro presidente eleito do país, denuncia uma suposta fraude eleitoral e faz duras acusações contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Logo na abertura, Flávio afirma: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.”
A declaração contraria o resultado oficial das eleições, que confirmou a reeleição de Lula com aproximadamente 64,1 milhões de votos, ou 51,7% dos votos válidos. Flávio foi derrotado por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos.
Acusações de fraude eleitoral
Na carta, Flávio Bolsonaro afirma ter testemunhado uma suposta fraude durante a apuração do segundo turno. Segundo ele, decisões judiciais relacionadas à prorrogação da votação teriam provocado irregularidades no processo eleitoral.
O senador também questiona o aumento da votação de Lula entre o primeiro e o segundo turno e acusa o governo federal de utilizar a máquina pública para favorecer a reeleição.
Flávio chega a defender a cassação da chapa Lula-Alckmin, alegando abuso de poder político e econômico.
Apesar das acusações, o senador não apresentou provas que comprovem fraude eleitoral ou alteração irregular dos resultados.
Flávio nega fuga e acusa STF de perseguição
Outro ponto central do documento é a tentativa de justificar sua saída do Brasil. Flávio afirma que decidiu viajar aos Estados Unidos para proteger a família de uma suposta perseguição política.
“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, declara o senador, acrescentando que pretende continuar atuando politicamente do exterior.
Ele também afirma que não existe mandado de prisão contra ele e acusa integrantes do STF de tentarem silenciar a oposição.
Entretanto, a saída do país ocorreu após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes para que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal. O senador é investigado em um inquérito relacionado a suspeitas de lavagem de dinheiro, acusações que ele nega.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, Flávio deixou o território brasileiro pela fronteira com a Argentina, passou pelo Equador e desembarcou em Miami na manhã desta quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das filhas.
Agradecimentos a Trump e Milei
O senador também agradeceu aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei.
No documento, Flávio elogia Trump, classificando-o como defensor da liberdade de expressão, e agradece ao governo norte-americano por acolher sua família.
O parlamentar afirma que pretende permanecer nos Estados Unidos por considerar que não possui segurança jurídica no Brasil.
Promessa de liderar a oposição do exterior
Na parte final da carta, Flávio Bolsonaro anuncia que pretende assumir a liderança da oposição brasileira a partir dos Estados Unidos.
Ele dirige um recado a senadores, deputados e governadores que apoiaram sua candidatura, mencionando especialmente Rogério Marinho, seu candidato à presidência do Senado.
“Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, afirma.
Flávio também promete apresentar, nos próximos dias, uma estratégia para mobilizar seus apoiadores por meios que descreve como pacíficos e legítimos.
Ao encerrar o documento, o senador reforça que não pretende abandonar a atuação política e sustenta que continuará contestando o resultado da eleição presidencial.
A carta foi divulgada por aliados, incluindo o empresário Paulo Figueiredo, que reside nos Estados Unidos.
O texto representa a primeira manifestação mais extensa de Flávio Bolsonaro após sua chegada ao território norte-americano. Até o momento, as acusações de fraude eleitoral apresentadas pelo senador não foram acompanhadas de evidências que invalidem o resultado oficial das urnas.
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