Flávio Bolsonaro seguirá investigado pelo STF mesmo após deixar o Brasil
Flávio Bolsonaro continua alvo de dois inquéritos no STF após relatos de fuga para os EUA. Entenda as investigações e o cancelamento dos passaportes.

Nesta terça-feira (27), informações divulgadas pela imprensa internacional apontaram que Flávio teria viajado para os Estados Unidos, apesar de uma determinação judicial que o proibia de deixar o território brasileiro. A possível fuga ocorre menos de dois dias após sua derrota nas eleições presidenciais.
Por exercer o mandato de senador, Flávio possui foro por prerrogativa de função no STF. As investigações envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro em operações relacionadas a plataformas de apostas e possíveis irregularidades no financiamento de uma produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Investigação envolve advogado e movimentações financeiras
Um dos procedimentos em andamento no Supremo apura a atuação do advogado Willer Tomaz, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em negócios envolvendo empresas de apostas esportivas.
O nome de Flávio Bolsonaro apareceu nas apurações após referências feitas por uma funcionária do advogado a uma conta vinculada à Alcazar Holdings, empresa estabelecida na Ilha da Madeira, em Portugal.
A Polícia Federal investiga as movimentações financeiras relacionadas à companhia e possíveis conexões com o parlamentar.
Na sexta-feira (23), o ministro Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens de Willer Tomaz. A decisão também incluiu medidas de investigação patrimonial e financeira.
As determinações ocorreram após os investigadores identificarem que o advogado havia viajado para Miami depois de ser alvo de medidas da Operação Sem Desconto, responsável por apurar irregularidades em descontos aplicados a benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Financiamento de filme sobre Bolsonaro também é investigado
A segunda investigação envolvendo o senador está relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, produção que apresenta a trajetória política de Jair Bolsonaro.
O inquérito busca esclarecer pagamentos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a possível participação de Flávio na obtenção dos recursos utilizados para custear o projeto.
A apuração ganhou repercussão após a divulgação de conversas nas quais o senador teria solicitado apoio financeiro a Vorcaro para a realização das gravações.
Flávio Bolsonaro passou a integrar formalmente a investigação em julho de 2026. Ele nega ter negociado qualquer benefício irregular e sustenta que os valores discutidos eram provenientes de recursos privados.
Em outubro, a Polícia Federal solicitou ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, a ampliação do prazo investigativo por mais 90 dias, para concluir análises financeiras e obter documentos por meio de cooperação internacional.
Investigações podem continuar após o fim do mandato
Embora não tenha conquistado a Presidência da República, Flávio Bolsonaro permanece no Senado até 1º de fevereiro de 2027.
O encerramento do mandato, entretanto, não significa necessariamente que os procedimentos serão transferidos para outra instância judicial.
Pelo entendimento atual do Supremo, a Corte pode manter a competência sobre investigações envolvendo ex-parlamentares quando os fatos apurados tiverem relação com o exercício da função pública.
Dessa forma, a continuidade dos dois inquéritos no STF dependerá da análise das circunstâncias de cada investigação.
Passaportes foram cancelados após determinação de Moraes
A situação judicial de Flávio Bolsonaro ganhou novos desdobramentos após o segundo turno das eleições, realizado no domingo (25).
Na segunda-feira (26), Alexandre de Moraes determinou que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal no prazo de 24 horas, além de estabelecer a proibição de deixar o Brasil.
Como os documentos não foram apresentados dentro do período determinado, a Polícia Federal anunciou o cancelamento dos passaportes nesta terça-feira (27).
Informações publicadas pela imprensa argentina indicaram que o senador poderia ter atravessado a fronteira brasileira em direção a Puerto Iguazú, na Argentina, antes de seguir para os Estados Unidos.
Relatos posteriores apontaram sua possível chegada ao território norte-americano. Até o início da tarde desta terça-feira, porém, a Polícia Federal informava não possuir registro formal de sua saída do Brasil.
Independentemente de sua localização, os procedimentos que investigam o senador permanecem em andamento. A condição de investigado não representa condenação, e eventuais responsabilidades criminais dependerão das provas reunidas e das decisões da Justiça.
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