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Flávio mostra que é apenas mais um messias, com discurso de perseguição política, por Gleidson Carlos

A direita brasileira começa a discutir seu futuro para além do bolsonarismo. A derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial pegou aliados de surpresa.

Flávio mostra que é apenas mais um messias, com discurso de perseguição política, por Gleidson Carlos
Foto: Agência Brasil
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A direita brasileira começa a discutir seu futuro para além do bolsonarismo. A derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial pegou aliados de surpresa. E a fuga para os Estados Unidos mais ainda. Porém, ela não sepulta o movimento político construído, mas abre uma disputa pela liderança da oposição a Lula e ao PT a partir de 2027.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é um dos nomes que entram nessa discussão. Ele representa uma alternativa para setores da direita que buscam uma liderança menos dependente do confronto permanente com as instituições.

Mesmo com uma bancada expressiva de deputados e senadores, o PL também enfrenta esse dilema. O primeiro sinal veio do próprio partido, que reconheceu oficialmente a vitória de Lula, contrariando a posição inicial de Flávio, que havia anunciado não aceitar o resultado das urnas.

A manifestação de Valdemar Costa Neto não significa um rompimento com os Bolsonaro, mas revela que os interesses partidários podem começar a se distanciar das decisões individuais de seus líderes. O PL precisa preservar seu espaço político, inclusive entre os eleitores mais radicais, sem necessariamente acompanhar todas as estratégias da família Bolsonaro.

Flávio não perdeu a possibilidade de liderar a direita simplesmente porque foi derrotado nas urnas. Jair Bolsonaro perdeu em 2022 e permaneceu como principal referência da oposição. A diferença está na capacidade de continuar mobilizando aliados e exercendo liderança.

Deixar o Brasil, em meio às medidas impostas pelo Supremo Tribunal Federal e acusações, acrescentam outra dimensão à crise. O episódio coloca em discussão a distância entre o discurso de enfrentamento às instituições e as decisões tomadas diante de consequências judiciais concretas.

Flávio vai recorrer à narrativa de perseguição política, como fizeram outros integrantes da família e aliados. Mas existe uma diferença entre construir a imagem de alguém que enfrenta o sistema e transmitir a percepção de que busca escapar dele.

O bolsonarismo nasceu da promessa de um líder capaz de enfrentar tudo e todos. O velho messianismo político, alimentado pela figura de Jair Bolsonaro, encontrou no filho a tentativa de continuidade de uma herança familiar.

Entretanto, uma eleição demonstrou que milhões de votos não são suficientes para garantir o comando do país. E os acontecimentos posteriores poderão mostrar que também não asseguram a liderança da oposição.

A direita poderá sobreviver aos Bolsonaro. O PL poderá continuar sendo sua principal força parlamentar. Mas a família terá de enfrentar uma realidade da política: sobrenome pode transferir votos, não necessariamente autoridade.

Leia também: Jovem é executado a tiros na porta de casa em Telêmaco Borba

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Gleidson Carlos
Autoria
Gleidson Carlos
Gleidson Carlos Greinert é jornalista formado em Comunicação Social desde 2014. Atua como escritor/articulista político, radialista e presta assessoria de imprensa e marketing. Ele é pós-graduado em Ciência Política.
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