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Gaeco mira esquema de propina em rodovias; operação tem alvos em PG e afasta 15 PMs

Operação do Gaeco em Ponta Grossa apura propina em rodovias, afasta 15 PMs e cumpre 19 mandados em oito cidades do Paraná.

Gaeco
Foto: Gaeco
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Uma operação do Gaeco em Ponta Grossa e outros sete municípios do Paraná resultou no cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão e no afastamento cautelar de 15 policiais militares nesta quinta-feira (8). A ação integra a terceira fase da Operação Rota 466, que investiga suspeitas de organização criminosa, corrupção passiva, concussão, falsidade ideológica e lavagem de ativos.

A operação foi deflagrada pelo Núcleo Regional de Guarapuava do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar.

Os detalhes da nova fase foram apresentados durante entrevista coletiva realizada às 10h30 desta quinta-feira, na sede do Ministério Público do Paraná em Ponta Grossa.

Os mandados foram cumpridos em Guarapuava, Ponta Grossa, Telêmaco Borba, Pitanga, Bituruna, Castro, Palmeira e Wenceslau Braz. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual.

Ao todo, os endereços alvos da operação estão relacionados a 15 policiais militares e quatro civis investigados.

15 policiais são afastados das ruas

Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça determinou o afastamento cautelar dos 15 policiais militares investigados nesta fase das atividades operacionais e ostensivas.

Com a decisão, os agentes poderão atuar apenas em funções administrativas enquanto as investigações continuam.

Também foi determinado o recolhimento de armamentos funcionais e particulares dos policiais investigados.

Durante o cumprimento dos mandados, uma pessoa foi presa por posse irregular de arma de fogo, e o armamento foi apreendido.

As equipes também recolheram celulares que serão submetidos à análise, documentos e aparelhos eletrônicos com indícios de descaminho.

Investigação aponta esquema de corrupção em postos rodoviários

Segundo o Ministério Público, a terceira fase da Operação Rota 466 foi desencadeada a partir da análise de materiais eletrônicos e documentos apreendidos nas etapas anteriores da investigação.

O conteúdo analisado teria permitido identificar indícios de continuidade das condutas investigadas e também novos possíveis envolvidos.

As apurações apontam para a existência de um possível esquema de corrupção em postos da Polícia Rodoviária Estadual, incluindo o posto de Telêmaco Borba.

A suspeita é de que a atividade de fiscalização de trânsito tenha sido utilizada para obtenção de vantagens indevidas.

Empresas teriam pago para evitar fiscalização

Entre as irregularidades investigadas estão supostos acordos financeiros firmados entre agentes públicos e empresas transportadoras.

Segundo o Gaeco, empresas teriam realizado pagamentos fixos e fornecido combustível continuamente em troca da suposta isenção de fiscalização de seus caminhões.

Ou seja, a investigação apura se transportadoras teriam recebido tratamento diferenciado nas rodovias mediante o pagamento de vantagens a agentes públicos.

As suspeitas fazem parte do conjunto de condutas analisadas pelo Ministério Público e ainda serão submetidas ao andamento das investigações e à análise judicial.

Fraudes em registros de acidentes também são investigadas

Outro ponto apurado envolve possíveis fraudes em Boletins de Acidente de Trânsito Eletrônico Unificado, os chamados Bateu.

De acordo com a investigação, pode ter ocorrido alteração ou classificação irregular de avarias em veículos registradas nesses documentos.

O Gaeco também investiga um possível direcionamento de serviços de guincho mediante pagamento.

As apurações buscam esclarecer se determinados prestadores teriam sido favorecidos na indicação ou contratação dos serviços em troca de vantagens financeiras.

Dinheiro teria passado por contas de familiares

A investigação também alcança a movimentação dos valores supostamente obtidos de forma irregular.

Segundo o Ministério Público, foram identificados possíveis mecanismos de dissimulação e lavagem dos recursos.

Os valores supostamente arrecadados nas rodovias teriam sido movimentados por meio de transferências eletrônicas realizadas para contas bancárias de terceiros.

Entre essas contas estariam as de familiares de agentes públicos investigados.

Empresas dos setores de transporte e de guincho também teriam sido utilizadas como intermediárias em parte das movimentações financeiras.

A suspeita é de que esse mecanismo tenha sido utilizado para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos.

Operação Rota 466 já alcançou 30 policiais

Consideradas as três fases da Operação Rota 466, as investigações já alcançaram 30 policiais militares, a maioria vinculada à Polícia Rodoviária Estadual.

O caso também possui pontos de conexão com outra investigação conduzida pelo Ministério Público.

Três investigados na Operação Rota 466 também são apurados na Operação Via Pix, conduzida pelo Gaeco de Ponta Grossa.

Apesar da coincidência entre alguns dos investigados, o Ministério Público destaca que as duas operações são conduzidas de maneira independente.

Somadas as duas investigações, 50 policiais militares já foram investigados, dos quais 42 foram afastados das funções operacionais.

A Operação Rota 466 permanece em andamento, e os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório durante o processo.

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Diogo Laba
Autoria
Diogo Laba
Jornalista formado pela UEPG, atuo como repórter no BnT Esporte Clube e no jornalismo diário do BnT. Comprometido com uma cobertura responsável, dinâmica e pautada pela qualidade da informação.
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