Guerra no Iêmen desloca mais de 200 mil pessoas
A escalada da violência no Iêmen já forçou mais de 200 mil pessoas a abandonarem suas casas, segundo a Organização Internacional para as Migrações. A província de Taiz é a mais afetada, com 114 mil deslocados. O conflito envolve os Houthis e a coalizão liderada pela Arábia Saudita.

Mais de 200 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas no Iêmen desde o início dos combates, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU. O número representa cerca de 33 mil famílias. A maior parte dos deslocamentos ocorreu a partir de 1º de setembro, quando 197.755 pessoas fugiram.
A província de Taiz, no sudoeste do país, concentra o maior volume de deslocados: aproximadamente 114 mil pessoas deixaram a região nos últimos dias. O êxodo ocorre após o avanço dos Houthis sobre o local, considerado vital para o acesso ao Mar Vermelho e ao Golfo de Aden.
Taiz concentra maioria dos deslocados
Além de Taiz, outras nove províncias registraram movimentação de refugiados internos: Lahj, Aden, Abryan, Al Hodeidah, Hadramawt, Shabwah, Marib, Al Maharah e Ad Dali. A OIM não detalhou o número de deslocados em cada uma dessas regiões.
O cenário humanitário se agrava em um país que já enfrenta uma das piores crises do mundo. A guerra civil, iniciada em 2014, deixou milhões de iemenitas dependentes de ajuda internacional.
Quem são os Houthis e por que lutam
Os Houthis são um movimento político-religioso criado na década de 1990, composto majoritariamente por seguidores do zaidismo, uma das três vertentes do islamismo xiita. O grupo controla partes do Iêmen desde 2014, quando iniciou uma ofensiva contra o então governo, dando início à guerra civil que já dura 14 anos.
Em 2015, a Arábia Saudita formou uma coalizão militar para apoiar o governo iemenita reconhecido internacionalmente. Desde então, posições dos Houthis passaram a ser bombardeadas no Iêmen. Os combates entre a aliança saudita e os Houthis continuaram até 2022, quando a ONU mediou um cessar-fogo.
Apoio do Irã e ataques no Mar Vermelho
Os Houthis recebem apoio do Irã e defendem a causa palestina. Após o início da guerra na Faixa de Gaza, o grupo passou a atacar navios ligados a Israel no Mar Vermelho e a lançar drones e mísseis em direção ao território israelense. Em resposta, Estados Unidos e Reino Unido atacaram posições dos Houthis no Iêmen entre 2024 e 2025.
No segundo semestre de 2026, a trégua entre os Houthis e a Arábia Saudita foi rompida, e os dois lados retomaram as hostilidades. Na mesma época, o grupo expandiu seu controle no norte do Iêmen e agora domina praticamente todo o acesso do país ao Mar Vermelho.
Rompimento do cessar-fogo em julho
As hostilidades voltaram a tomar conta do Iêmen em julho deste ano, após os Houthis acusarem a Arábia Saudita de atacar o Aeroporto Internacional de Sanaa, que está sob domínio do grupo. O episódio pôs fim ao frágil cessar-fogo em vigor desde 2022, mediado pela ONU.
Além de iniciarem ataques contra o território saudita, visando principalmente instalações de petróleo, os Houthis lançaram uma ofensiva na costa oeste do Iêmen. A região litorânea dá acesso ao Mar Vermelho e ao Estreito de Bab el-Mandeb, rota estratégica para o comércio global.
Coalizão internacional se mobiliza
No início da semana, Paquistão e Turquia prometeram enviar ajuda militar para a Arábia Saudita diante dos ataques dos Houthis. Os três países firmaram, em agosto, o Acordo de Defesa Conjunta de Meca, apelidado de “Otan islâmica”.
A escalada do conflito aumenta a pressão sobre a população civil, que já enfrenta deslocamento em massa, fome e colapso dos serviços básicos. A comunidade internacional acompanha com preocupação o agravamento da crise humanitária no Iêmen.























