Harmonização glútea avança no Brasil e aumenta alerta entre especialistas

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A procura por procedimentos estéticos no Brasil saiu do nicho e virou rotina. Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia apontam crescimento de 390% na realização de tratamentos estéticos no país nos últimos anos, puxados principalmente por técnicas minimamente invasivas como toxina botulínica, preenchimentos e bioestimuladores de colágeno.

Dentro dessa curva, uma categoria específica chama atenção: a remodelagem dos glúteos sem cirurgia, que deixou de ser exclusividade de clínicas das grandes capitais e passou a figurar em cidades médias, inclusive nos Campos Gerais.

Em Ponta Grossa e região, a oferta de procedimentos corporais com bioestimulador cresceu junto com a abertura de novas clínicas dermatológicas e de medicina estética nos últimos anos.

A demanda, segundo profissionais ouvidos pela imprensa especializada, acompanha o padrão nacional: mulheres entre 25 e 50 anos em busca de melhora de contorno, firmeza e redução de celulite, sem o tempo de recuperação de uma cirurgia tradicional.

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O problema é que, junto com a popularização, cresceu também o número de complicações relacionadas a procedimentos feitos por profissionais não habilitados ou com produtos de origem duvidosa.

O que está por trás do crescimento

A consolidação desse mercado tem uma explicação objetiva. Até poucos anos atrás, quem queria aumentar o volume dos glúteos tinha basicamente duas opções: enxerto de gordura feito em centro cirúrgico, com internação e recuperação longa, ou o preenchimento com PMMA, hoje desaconselhado pela própria Sociedade Brasileira de Dermatologia por causa das complicações tardias.

O desenvolvimento de bioestimuladores em apresentações corporais, com maior concentração e volume adequado para áreas grandes, abriu espaço para um tipo de procedimento intermediário: feito em consultório, sem anestesia geral, com resultado progressivo.

O mercado percebeu rápido. Em 2023, mais de 2 milhões de pessoas realizaram procedimentos cirúrgicos estéticos no Brasil, segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. O país se manteve no segundo lugar do ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos.

Na fatia dos procedimentos não cirúrgicos, o crescimento foi ainda mais acelerado, com projeções da consultoria Mordor Intelligence apontando avanço de 12% nesse segmento globalmente até 2029.

A região Sul acompanha o movimento. No Paraná, o aumento de clínicas com dermatologista titulado atuando em cosmiatria se verifica tanto em Curitiba quanto em cidades do interior, incluindo Ponta Grossa.

A oferta local, porém, ainda convive com um mercado paralelo de procedimentos aplicados por profissionais sem formação médica, em ambientes inadequados e com produtos sem registro na Anvisa.

Como funciona, do ponto de vista técnico

A chamada harmonização glútea não é um procedimento único, mas um conjunto de técnicas que podem ser combinadas de acordo com a avaliação médica de cada paciente.

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Em linhas gerais, utiliza bioestimuladores de colágeno como o ácido poli-L-lático (Sculptra) e a hidroxiapatita de cálcio (Radiesse), ou preenchedores de ácido hialurônico em apresentação corporal, aplicados em planos anatômicos específicos para estimular a produção natural de colágeno, melhorar a firmeza da pele, reduzir depressões e celulite e, em alguns casos, adicionar volume discreto à região.

O efeito dos bioestimuladores não é imediato. O processo de neocolagênese leva entre 60 e 120 dias para começar a aparecer, e o resultado pleno costuma surgir entre o terceiro e o sexto mês após a aplicação, quando o corpo passa a produzir colágeno novo no local.

A duração média do resultado fica entre 18 e 24 meses, de acordo com a substância utilizada, a quantidade de sessões e as características individuais do paciente.

Diferente do que ainda circula em propagandas, não se trata de um procedimento que “aumenta o bumbum” de forma expressiva: o objetivo principal é melhorar qualidade da pele, textura e contorno, com volumização discreta.

Segundo a médica Dra. Mariana Cabral, especialista em harmonização glútea em Goiânia, há também uma distinção importante que o público nem sempre conhece. Procedimentos feitos com PMMA, o popular polimetilmetacrilato, não devem ser confundidos com a harmonização glútea com bioestimuladores.

O PMMA é uma substância permanente, não absorvida pelo organismo, e já foi associado a complicações graves como inflamações crônicas, granulomas, deformidades e infecções de difícil tratamento.

Sociedades médicas nacionais e internacionais desaconselham seu uso em glúteos há anos, mas ele ainda é oferecido em ambientes clandestinos, muitas vezes com preços bem abaixo do mercado.

O que separa um procedimento seguro de um risco real

A principal variável não é o produto, mas quem aplica. Em reportagem veiculada pela ISTOÉ, a dermatologista Geisa Costa afirmou que, para realizar qualquer técnica injetável no glúteo, é fundamental o conhecimento preciso de anatomia, fisiologia, imunologia e farmacologia dos medicamentos utilizados.

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A mesma matéria destaca que bioestimuladores comprados pela internet e aplicados por profissionais sem qualificação médica podem provocar nódulos, inflamações persistentes e infecções de pele.

Os riscos de um procedimento mal conduzido vão além do resultado estético insatisfatório. Infecções por falta de esterilização, reações alérgicas a produtos adulterados, assimetrias por distribuição incorreta, lesão de vasos e, em situações extremas, necrose tecidual estão entre as complicações documentadas na literatura médica.

Em casos de PMMA aplicado em glúteos, há relatos de pacientes que precisam retirar a substância anos depois, em procedimentos cirúrgicos complexos, porque o material desencadeou reações inflamatórias crônicas.

Há ainda o fator produto. A Anvisa mantém lista atualizada de bioestimuladores e preenchedores autorizados para uso médico no Brasil. Produtos sem registro, falsificados ou adquiridos em canais informais não passaram por controle de qualidade e podem conter impurezas ou concentrações diferentes das informadas no rótulo.

O ambiente em que o procedimento é realizado também importa: consultório médico com protocolos de biossegurança é muito diferente de uma sala improvisada em salão de beleza ou residência.

A lista de verificação antes de marcar uma consulta

Para quem considera realizar o procedimento, a Sociedade Brasileira de Dermatologia e outras entidades médicas convergem em algumas recomendações práticas. A primeira é confirmar a formação do profissional.

Técnicas injetáveis em região glútea são ato médico, de responsabilidade de dermatologistas ou cirurgiões plásticos com registro regular no Conselho Regional de Medicina e com Registro de Qualificação de Especialista (RQE) na área correspondente. Ambos os dados podem ser conferidos gratuitamente no site do Conselho Federal de Medicina.

A segunda recomendação é pedir informações claras sobre o produto. O paciente tem direito a saber qual substância será aplicada, em que quantidade, qual o laboratório fabricante e se possui registro na Anvisa.

Clínicas idôneas mostram a embalagem lacrada antes da aplicação, com número de lote e data de validade visíveis. Preços muito abaixo da média de mercado costumam indicar uso de produto de qualidade inferior ou mesmo falsificado.

A terceira é conhecer o ambiente onde o procedimento será realizado. A aplicação precisa acontecer em consultório ou clínica médica com estrutura adequada, equipe de apoio e condições de atender eventuais intercorrências.

Vale também observar como o profissional conduz a primeira consulta: uma avaliação séria inclui análise do histórico de saúde, identificação de contraindicações (doenças autoimunes descompensadas, gestação, alergias conhecidas, uso de medicamentos específicos) e definição realista de expectativas. Na prática, isso significa que a escolha do profissional pesa mais do que qualquer promoção.

Quem procurar saber mais sobre os melhores dermatologistas disponíveis na região, verifica credenciais, formação em instituições reconhecidas e experiência comprovada em procedimentos corporais, reduz de forma significativa o risco de complicações e tende a ficar mais satisfeito com o resultado final.

Por que esse cuidado passou a ser urgente

O alerta da Sociedade Brasileira de Dermatologia sobre a banalização da harmonização corporal tem uma razão simples: o aumento da procura atraiu profissionais não médicos, cursos rápidos de aplicação de injetáveis e uma quantidade crescente de complicações atendidas em prontos-socorros e em consultórios especializados em correção de procedimentos malfeitos.

O Inquérito Epidemiológico/Dermatológico da SBD de 2024, que mapeou o perfil dos atendimentos em dermatologia no país, reforça o papel central do especialista não apenas na realização do procedimento, mas também na identificação e tratamento das intercorrências.

A questão, para quem avalia fazer o procedimento, é entender que estética não é um mercado desregulado, ainda que às vezes pareça ser. Há regras de formação, registro e responsabilidade técnica que existem justamente para proteger o paciente.

Quando essas regras são ignoradas, quem paga a conta é o próprio consumidor, em dinheiro, em tempo de recuperação e, nos piores casos, em saúde.

O crescimento do setor de dermatologia estética no interior do Paraná, incluindo os Campos Gerais, é uma notícia positiva para quem procura acesso a tratamentos que antes exigiam deslocamento até Curitiba ou São Paulo.

Mas o mesmo movimento exige que o consumidor passe a agir como agente ativo da própria segurança, investigando credenciais, conferindo registros e recusando qualquer oferta que pareça boa demais para ser verdade.

No fim, a diferença entre um resultado bem-sucedido e uma complicação evitável costuma caber em três verificações feitas antes da agulha entrar na pele.

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