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Famílias são presas pelo ICE após denúncia de agência de refugiados

O ICE prendeu milhares de famílias de imigrantes sem documentos após receber denúncias da Agência de Reassentamento de Refugiados (ORR). A prática rompeu uma proteção histórica que garantia a reunificação familiar sem temor de deportação. O caso de Aurora e sua filha de 6 anos exemplifica o impacto humano da nova política.

ICE prende famílias após denúncia de agência de refugiados
Crédito: CNN Brasil
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O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos Estados Unidos prendeu milhares de famílias de imigrantes sem documentação, após receber denúncias da Agência de Reassentamento de Refugiados (ORR, na sigla em inglês). A ação rompeu uma proteção histórica que garantia a reunificação familiar sem o temor da deportação.

Papel do ORR e a quebra de uma proteção histórica

O Escritório de Reassentamento de Refugiados (ORR) foi criado em 1980 para reassentar refugiados que fugiam de guerras e perseguições. Desde o início dos anos 2000, o órgão também passou a abrigar crianças migrantes desacompanhadas que chegavam à fronteira entre os Estados Unidos e o México.

Essa função gerou uma prática consolidada: famílias migrantes podiam se reencontrar sem medo de serem alvo do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), mesmo que os pais estivessem ilegalmente no país.

Investigação revela compartilhamento de dados

A investigação da Reuters, no entanto, revelou que essa proteção informal foi rompida. A polícia migratória passou a receber informações do ORR sobre estrangeiros sem documentação, utilizando esses dados para localizar e prender famílias. Esta reportagem é a primeira a expor a dimensão do compartilhamento de informações para fins de fiscalização migratória, uma mudança significativa que altera a dinâmica da reunificação familiar nos EUA.

O caso de Aurora: reencontro seguido de detenção

Aurora, uma mexicana de 24 anos, entrou ilegalmente nos Estados Unidos há dois anos, em busca de trabalho e segurança. Ela deixou a filha, então uma criança pequena, com parentes em sua comunidade rural no México, temendo que a menina fosse muito nova para a perigosa travessia do deserto. No Mississippi, Aurora conseguiu um emprego como faxineira e passou a trabalhar para tirar a filha do abrigo após a menina chegar ao país.

Em agosto do ano passado, um familiar levou a criança até a fronteira. Lá, a menina, então com 6 anos, se entregou aos agentes de imigração — uma estratégia comum entre famílias que buscam a reunificação. A filha de Aurora passou mais de seis meses em um abrigo para crianças migrantes desacompanhadas, administrado pelo ORR.

O reencontro aconteceu no final de março. “Ficamos radiantes”, disse Aurora, que concordou em falar com a Reuters sob a condição de ser identificada apenas pelo primeiro nome. Mas a alegria durou pouco. Dias depois, mãe e filha foram detidas pelo ICE e enviadas a um centro de detenção familiar no Texas, conforme registros oficiais.

Impacto humano e posição das autoridades

As consequências da nova postura do governo americano são profundas. Entrevistas conduzidas pela Reuters com famílias migrantes, defensores jurídicos e autoridades atuais e antigas dos EUA ilustram as amplas implicações da mudança de política e seu impacto humano. Muitas famílias que aguardavam a reunificação agora enfrentam o risco iminente de detenção e deportação, de acordo com os relatos.

Resposta oficial do ORR

Procurado pela reportagem, o ORR afirmou, em comunicado, que “não desempenha nenhum papel na detenção de crianças” e encaminhou perguntas sobre a aplicação das leis de imigração ao Departamento de Segurança Interna (DHS). A fonte não detalhou se o compartilhamento de informações será mantido ou se há planos de revisão da prática.

O drama de Aurora e sua filha é apenas um entre milhares de casos que evidenciam o endurecimento da política migratória americana. Enquanto o debate sobre imigração continua, histórias como a delas expõem as consequências humanas de decisões administrativas que, até pouco tempo atrás, pareciam protegidas por uma cortina de confiança. A investigação da Reuters, que fundamenta esta reportagem, reúne depoimentos e registros que expõem a nova realidade enfrentada por milhares de famílias imigrantes nos Estados Unidos.

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Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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