Irã mantém enriquecimento de urânio e aumenta tensão antes de negociações com EUA
Irã reafirma enriquecimento de urânio e eleva tensão global e incertezas sobre acordo nuclear.

O enriquecimento de urânio no Irã voltou a gerar forte repercussão internacional após declarações do chefe da Organização de Energia Atômica do país, Mohammad Eslami, nesta quinta-feira (9). Segundo ele, o Irã seguirá investindo no programa nuclear, mesmo sob pressão de potências ocidentais.
A fala ocorre às vésperas de novas negociações com os Estados Unidos, previstas para começar na sexta-feira (10), no Paquistão. O posicionamento iraniano vai na contramão de uma das principais exigências americanas: a limitação ou suspensão do enriquecimento de urânio.
Eslami afirmou que o programa nuclear não sofrerá qualquer restrição e destacou que nenhuma força externa será capaz de impedir o avanço tecnológico do país. Segundo ele, o enriquecimento de urânio é considerado um direito soberano do Irã, essencial para o desenvolvimento científico e energético.
O dirigente também criticou pressões internacionais e afirmou que conflitos recentes e sanções não tiveram impacto significativo sobre o progresso do setor nuclear iraniano. Para ele, há interesses estratégicos por trás das negociações, envolvendo não apenas os Estados Unidos, mas também aliados na região.
Do outro lado, a Casa Branca mantém posição firme contra qualquer atividade nuclear iraniana. O presidente Donald Trump declarou que não considera as propostas apresentadas pelo Irã como base aceitável para negociação e voltou a defender o fim total do enriquecimento.
Além disso, Trump mencionou a possibilidade de retirada de material nuclear com apoio internacional, o que amplia ainda mais a divergência entre os países.
As negociações acontecem em meio a um cenário delicado, marcado por um cessar-fogo recente envolvendo também Israel. O acordo, iniciado na terça-feira (7), já apresenta sinais de instabilidade, com acusações de violações.
Especialistas apontam que o impasse sobre o enriquecimento de urânio no Irã pode impactar não apenas a segurança internacional, mas também o mercado global, especialmente setores ligados à energia e petróleo — tema que influencia diretamente economias locais, inclusive no Brasil.
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