SEXTA-FEIRA · 23 OUT 2026Ponta Grossa 26°C ☁️
Publicidade
Campos Gerais

Justiça proíbe início da operação comercial de hidrelétrica no Rio Jaguariaíva por risco

Decisão atende pedido do MPPR e impede operação da PCH Beira Rio, entre Jaguariaíva e Sengés, até comprovação de segurança; estrutura tem afundamento de 1 metro e é classificada com dano potencial alto.

Justiça proíbe início da operação comercial de hidrelétrica no Rio Jaguariaíva por risco
Publicidade

A Justiça de Jaguariaíva concedeu liminar que proíbe o início da operação comercial da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Beira Rio, no Rio Jaguariaíva, na divisa entre Jaguariaíva e Sengés. A decisão atende a um pedido do Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Jaguariaíva, com apoio da Promotoria de Sengés e do Gaema – Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente.

A ação foi ajuizada após a identificação de problemas estruturais graves na barragem, que podem colocar em risco a população e o meio ambiente. A proibição vale até que a segurança da estrutura seja comprovada junto aos órgãos competentes.

Afundamento e risco alto

Vistorias do Corpo de Bombeiros e do Instituto Água e Terra (IAT) encontraram um afundamento de aproximadamente 1 metro de profundidade ao longo de 40 metros no topo da barragem, a chamada crista, além de deslocamento da estrutura em direção ao rio.

O reservatório está cheio e a barragem é classificada no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB) com Dano Potencial Associado (DPA) alto – ou seja, em caso de ruptura, pode provocar consequências graves para pessoas, propriedades e meio ambiente nas áreas abaixo da barragem.

Irregularidades

Os órgãos também constataram intervenções não previstas no projeto aprovado, como instalação de lonas plásticas no topo da barragem e construção de muretas de concreto. Houve ainda interrupções no monitoramento do terreno e substituição de piezômetros – equipamentos que medem a pressão da água.

Segundo o MPPR, a empresa não comunicou imediatamente os problemas às autoridades fiscalizadoras, o que pode caracterizar descumprimento da Política Nacional de Segurança de Barragens (Lei 12.334/2010). O caso chegou ao conhecimento das autoridades após alerta de moradores da região.

O que a Justiça determinou

Além de impedir a operação comercial, a liminar determinou que a empresa:

– Contrate equipe independente de engenharia para auditoria técnica especial na barragem;
– Avalie a possibilidade de rebaixamento do nível do reservatório;
– Apresente Plano de Ação de Emergência (PAE) atualizado;
– Mantenha monitoramento diário e ininterrupto do terreno, com envio de boletins diários ao IAT e à Aneel;
– Divulgue informativo em linguagem simples à população local.

Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 50 mil. A Justiça também determinou a notificação do IAT, da Aneel e da Defesa Civil do Paraná para acompanharem as auditorias.

Descumprimento parcial

Em decisão do dia 19 de outubro de 2026, a Justiça apontou que a empresa cumpriu apenas parcialmente a liminar. As providências se concentraram nas muretas de concreto, sem o envio completo de informações sobre os piezômetros e equipamentos de monitoramento.

Foi dado prazo de 48 horas para complementação dos dados. Enquanto isso, segue proibido o início da operação comercial da usina. O reservatório permanece cheio, o que exige acompanhamento rigoroso.

A ação civil pública continua em trâmite na Vara Cível de Jaguariaíva.

Leia também: R$ 6,2 milhões: Reserva inicia obras do último trecho da estrada do Vau

Quer ver a BnT mais vezes no Google?
Matheus de Lara
Autoria
Matheus de Lara
Jornalista formado pelo Centro Universitário Santa Amélia (UniSecal) de Ponta Grossa. Graduado em dezembro de 2019, já trabalhou por dois anos em jornal impresso em conjunto com um portal de notícias. Atualmente exerce o cargo de jornalista no Portal Boca no Trombone, desde 13 de março de 2023.
Ver todas as matérias →
Publicidade
Publicidade
Notícias relacionadas
Web Stories
Todas →
VídeosMais vídeos para você curtir
Ver no YouTube →
Faz parte da rede