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Laudo encontra substância tóxica em roupas de piloto morto após ‘banho de óleo’ em PG

Nova perícia identificou fenol nas roupas de Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, que morreu após um ritual em uma escola de aviação de Ponta Grossa

Laudo encontra substância tóxica em roupas de piloto morto após 'banho de óleo' em PG
Reprodução / Redes Sociais
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Uma nova descoberta na investigação da morte do piloto em formação Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, trouxe informações importantes sobre o caso que ganhou repercussão nacional em julho deste ano. Um laudo da Polícia Científica do Paraná, obtido pelo BnT Online, identificou a presença de fenol, uma substância tóxica e corrosiva, nas roupas utilizadas pelo jovem durante o chamado “banho de óleo”, realizado para comemorar seu primeiro voo solo em Ponta Grossa.

Segundo a perícia, as roupas de Gustavo estavam completamente embebidas pela substância química. O documento também aponta que as lesões encontradas no corpo da vítima durante a necropsia são compatíveis com os efeitos provocados pela exposição ao fenol.

A novidade traz uma informação importante para a investigação: o material encontrado nas roupas do piloto apresenta composição química diferente daquela identificada no líquido recolhido de uma garrafa durante a apuração do caso. A Polícia Civil ainda precisa esclarecer como a substância chegou ao corpo de Gustavo e se houve alguma alteração na composição do produto utilizado durante a comemoração.

Perícia encontra diferenças entre substâncias

Um dos principais pontos do novo laudo está na comparação entre as amostras analisadas pelos peritos. De acordo com o documento, o fenol foi identificado tanto nas roupas utilizadas por Gustavo quanto no líquido recolhido de uma garrafa durante a investigação.

Entretanto, os exames revelaram uma diferença significativa na composição dos materiais. Nas roupas do jovem, o fenol estava dissolvido em água. Já no líquido encontrado na garrafa, a substância estava misturada a hidrocarbonetos, compostos derivados do petróleo.

Por apresentarem composições diferentes, os materiais foram considerados quimicamente incompatíveis pela perícia. Isso significa que, até o momento, os investigadores não conseguiram estabelecer uma correspondência entre o líquido recolhido na garrafa e o produto que atingiu o corpo do piloto.

A perícia também não conseguiu identificar a origem do fenol encontrado nas roupas. Outro ponto que permanece sem resposta é se o produto utilizado no ritual foi adulterado ou misturado intencionalmente com outra substância química.

Segundo as informações divulgadas, seria necessário analisar uma amostra original do óleo de motor de aeronave utilizado na comemoração para aprofundar a comparação entre os materiais. A investigação não estabeleceu, até o momento, que tenha ocorrido adulteração proposital do produto.

Fenol pode explicar as queimaduras identificadas no corpo

O novo resultado pericial também ajuda a compreender as lesões encontradas no corpo de Gustavo após a morte. Conforme o laudo, os efeitos da exposição ao fenol são compatíveis com as queimaduras químicas identificadas durante a necropsia.

A substância é utilizada na fabricação de plásticos, resinas, medicamentos e outros produtos industriais. Também possui aplicações em determinados procedimentos estéticos. Entretanto, o fenol apresenta características tóxicas e corrosivas, podendo provocar queimaduras químicas e intoxicação.

O contato com a substância pode causar lesões graves, dependendo da concentração, da quantidade e das condições de exposição. A identificação do fenol nas roupas representa um novo elemento técnico para a investigação, mas ainda não esclarece todas as circunstâncias que provocaram a morte do jovem.

Laudo anterior já havia identificado asfixia e queimaduras químicas

Em julho, o Portal BnT Online teve acesso ao laudo da morte de Gustavo, elaborado pela Polícia Científica do Paraná. Na ocasião, o documento apontou que o engenheiro morreu por asfixia mecânica provocada por edema das vias aéreas em decorrência de exposição química.

O edema corresponde a um inchaço que compromete a passagem de ar, provocando insuficiência respiratória. Durante a necropsia, os peritos identificaram alterações nas vias aéreas superiores, além de pulmões aquosos e sanguinolentos, fígado congesto e baço contraído.

O exame também constatou lesões compatíveis com queimaduras químicas em diferentes regiões do corpo, incluindo rosto, coxas, região glútea, região sacral e abdômen inferior. Na época, a identificação da substância responsável pelo quadro ainda dependia da conclusão de exames complementares.

A descoberta do fenol nas roupas do piloto representa um avanço na identificação dos agentes químicos presentes durante o episódio. Contudo, ainda será necessário esclarecer a origem da substância e sua participação no quadro que levou à morte.

Relembre como aconteceu a morte do piloto

Gustavo Henrique Lara morreu no dia 16 de julho de 2026, após participar de uma comemoração pelo primeiro voo solo em uma escola de aviação de Ponta Grossa. O jovem tinha 27 anos e era engenheiro eletricista, especializado na manutenção de equipamentos hospitalares. Ele também estava realizando o sonho de se tornar piloto de avião.

A comemoração ocorreu após a conclusão de uma etapa importante de sua formação aeronáutica. Durante o ritual conhecido como “banho de óleo”, um instrutor despejou sobre Gustavo um produto utilizado em motores de aeronaves.

A prática, realizada tradicionalmente em algumas escolas de aviação, marca a conclusão do primeiro voo realizado individualmente pelo aluno. Pouco depois de receber o produto sobre o corpo, Gustavo começou a apresentar dificuldades para respirar e teve uma reação grave.

Familiares e amigos que acompanhavam a comemoração tentaram ajudá-lo, e equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas.

Gustavo sofreu três paradas cardiorrespiratórias

Conforme o boletim de atendimento do Samu obtido pelo Portal BnT Online na época, Gustavo apresentou uma reação anafilática, seguida de crise convulsiva. O quadro evoluiu rapidamente para uma parada cardiorrespiratória.

Os socorristas iniciaram os procedimentos de reanimação e conseguiram recuperar os sinais vitais do jovem. Entretanto, ele sofreu uma segunda parada cardiorrespiratória, que também foi revertida pelas equipes de atendimento.

Após ser estabilizado, Gustavo foi encaminhado a uma unidade hospitalar de Ponta Grossa. Já no hospital, o piloto apresentou uma terceira parada cardiorrespiratória. Apesar das tentativas de reanimação, ele não resistiu.

A morte provocou comoção entre familiares, amigos e integrantes da comunidade aeronáutica.

Instrutor foi preso e responde em liberdade

O instrutor apontado como responsável por despejar o produto sobre Gustavo foi preso em flagrante após a morte do jovem. O caso foi inicialmente registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

O homem pagou fiança de R$ 3 mil e foi colocado em liberdade. A investigação busca estabelecer as circunstâncias da aplicação do produto e as eventuais responsabilidades pelo episódio.

Segundo informações divulgadas durante a apuração, Gustavo e o instrutor mantinham uma relação de amizade. Familiares do jovem também relataram que ele participou voluntariamente da comemoração.

A responsabilização criminal, entretanto, depende da análise das circunstâncias do caso e das conclusões da investigação.

Polícia deve concluir investigação nesta segunda-feira

A Polícia Civil do Paraná tem previsão de concluir, ainda nesta segunda-feira (21), o inquérito que investiga a morte de Gustavo Henrique Lara. O delegado Lucas Petry é o responsável pela investigação.

Com a chegada dos resultados periciais, a polícia deverá avaliar o conjunto de provas reunidas durante a apuração e indicar eventuais responsabilidades criminais. Entre as questões que ainda precisam ser esclarecidas estão a origem do fenol encontrado nas roupas, a diferença entre a composição química das amostras analisadas e as circunstâncias em que o produto foi aplicado sobre o corpo do jovem.

A investigação também deverá indicar se existem elementos para manter ou alterar a classificação penal inicialmente atribuída ao caso. A conclusão do inquérito deverá esclarecer quais pontos da investigação foram efetivamente solucionados e se existem elementos suficientes para eventual responsabilização criminal dos envolvidos.

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