Leishmaniose canina: sintomas, transmissão e tratamento
A leishmaniose canina é uma doença parasitária grave transmitida pelo mosquito-palha. A veterinária Lysandra Barbieri explica sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção. A doença também é uma zoonose de importância para a saúde pública.

A leishmaniose canina é uma doença parasitária grave que pode evoluir silenciosamente e comprometer diferentes órgãos, especialmente os rins. A transmissão ocorre principalmente pela picada da fêmea do mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis) infectada pelo protozoário Leishmania infantum. A Dra. Lysandra Barbieri (CRMV-SP 44484), médica-veterinária da Cobasi, explica os sintomas, a transmissão, o tratamento e as formas de prevenção da leishmaniose em cães.
O que é leishmaniose canina?
A leishmaniose canina é uma doença infecciosa e parasitária causada por protozoários do gênero Leishmania. No Brasil, a forma mais frequente em cães é a leishmaniose visceral canina, também conhecida como calazar canino, causada principalmente pela espécie Leishmania infantum. Após a infecção, o parasita invade células de defesa e pode se espalhar pelo organismo. A evolução depende da resposta imunológica de cada cachorro: alguns animais permanecem assintomáticos, enquanto outros desenvolvem alterações na pele, nos olhos, no sangue, nos rins e em outros órgãos.
Vídeo: YouTube | Fonte: blog.cobasi.com.br
Como ocorre a transmissão?
A transmissão ocorre principalmente pela picada do mosquito-palha infectado, e não pelo contato direto com o cachorro. Durante a picada, o vetor deposita formas infectantes da Leishmania na pele do cachorro. O principal ciclo de transmissão envolve a picada da fêmea do flebotomíneo infectado, conhecido como mosquito-palha. O tamanho reduzido e os hábitos crepusculares e noturnos do vetor dificultam as ações de controle e prevenção.
Sintomas variam e podem ser silenciosos
Alguns cães apresentam emagrecimento, lesões na pele e crescimento exagerado das unhas, enquanto outros podem permanecer sem sinais visíveis por meses ou anos. Os sintomas mais comuns incluem emagrecimento, apatia, lesões na pele, queda de pelos e crescimento exagerado das unhas. Alguns cães podem não apresentar sinais da doença. A infecção pode afetar a pele, os olhos e as articulações, além de comprometer órgãos internos, como rins, fígado e baço.
Diagnóstico exige avaliação veterinária
Atenção: os sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças. A infecção não pode ser confirmada ou descartada apenas pela aparência do cachorro. Ao notar alterações, procure um médico-veterinário. O diagnóstico depende da avaliação veterinária e de exames laboratoriais, como testes sorológicos, parasitológicos e PCR.
Tratamento e prevenção
Embora não exista cura parasitológica comprovada, o tratamento pode controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do cachorro. A prevenção envolve o uso de coleiras repelentes contra o mosquito-palha, a limpeza do ambiente e o acompanhamento veterinário. As fases imaturas do mosquito-palha se desenvolvem em locais úmidos, sombreados e ricos em matéria orgânica. Por isso, saneamento básico, manejo ambiental e conscientização da população são fundamentais para reduzir a proliferação do vetor.
Zoonose e saúde pública
A leishmaniose também é uma zoonose de importância para a saúde pública, pois pode atingir animais e seres humanos. As leishmanioses integram o grupo das doenças tropicais negligenciadas e representam um importante problema de saúde pública. Segundo a OPAS/OMS, o Brasil concentra cerca de 92% dos casos humanos de leishmaniose visceral registrados nas Américas. O dado não representa infecções caninas, mas demonstra a relevância da doença no país.
Tipos de leishmaniose em cães
Os cães podem ser infectados por diferentes espécies de Leishmania. As principais formas são a leishmaniose visceral canina, mais frequente e relevante no Brasil, e a leishmaniose tegumentar, considerada menos comum nos animais domésticos. Uma informação relevante sobre os tipos da doença é que a presença de lesões cutâneas não significa necessariamente leishmaniose tegumentar. A leishmaniose visceral canina também pode provocar feridas, descamação e queda de pelos, além de alterações em órgãos internos. Apenas a avaliação veterinária e os exames laboratoriais podem determinar a forma da infecção.
Desafios no controle da doença
No episódio do Cobasi Cast sobre leishmaniose, Kathia Almeida, médica-veterinária da MSD Saúde Animal, destaca dois desafios para o controle da doença: o tamanho reduzido e os hábitos crepusculares e noturnos do vetor dificultam as ações de controle e prevenção; e as fases imaturas do mosquito-palha se desenvolvem em locais úmidos, sombreados e ricos em matéria orgânica. Por isso, saneamento básico, manejo ambiental e conscientização da população são fundamentais para reduzir a proliferação do vetor.
Para proteger seu cão e sua família, mantenha o ambiente limpo, use coleiras repelentes e leve o animal regularmente ao veterinário. Em caso de suspeita, procure orientação profissional imediatamente.























