Não sei precisar a primeira vez que encontrei aquele olhar. Talvez tenha levado semanas até integrar na paisagem aquele par azul de um celeste primordial. Como se todo o céu viesse morar naquele pedacinho junto às pupilas. Tão tímido aquele par. Apesar da beleza singular, o que mais saltava ao meu olhar era a doçura que os revestia. Nunca direi a ele o quanto sua face dócil me fazia mergulhar num azul tão profundo que só pode clamar pelos céus, pelos anjos que venham acompanhar. Tímida também me descobri na vergonha em perguntar qual é o mar que lhe faz serenar. A vida tem arroubos de maremotos, de tempestades que fustigam e é ao remanso da calmaria que ela vem remontar.
Tantas vezes mergulhei nele, pois meus olhos são pássaros que voam e pedem pouso no acalento para aportar. Uma parte de mim se alegra pela partida, pela arremetida da vida, outra quer com ele continuar. Se possível fosse, o levaria como meu pouso para ter onde aportar.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
Assista o vídeo: https://youtu.be/pwzTE0MOSpo
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