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Operário: minha vida, minha história, meu amor, por John Elvis

Aos 11 anos de idade comecei a ir ao campo do Operário. E vejam bem: naquela época a gente nem chamava de Germano Krüger. Era simplesmente “vamos ao campo”. Quem me levava era o meu pai. Foi ele quem me ensinou a ser Operariano. Era 1988. O Operário disputava a Divisão de Acesso do Campeonato […]

Operário: minha vida, minha história, meu amor, por John Elvis
Foto: Divulgação
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Aos 11 anos de idade comecei a ir ao campo do Operário.
E vejam bem: naquela época a gente nem chamava de Germano Krüger.
Era simplesmente “vamos ao campo”.
Quem me levava era o meu pai.
Foi ele quem me ensinou a ser Operariano.
Era 1988. O Operário disputava a Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense. E olha… era dureza, gente!
Mas mesmo sofrendo, a gente gostava.
Aliás, gostar do Operário nunca foi uma questão de escolher o caminho mais fácil.
Nos anos seguintes, as lembranças ficaram mais nítidas. Vieram os campeonatos de 1989, 1990, 1991 e 1992. O Campeonato Paranaense da Primeira Divisão, a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro…
E eu estava lá.
Tenho muitos jogos guardados na memória.
Tenho o Operário de 1990 especialmente vivo na lembrança. Um time muito bom, que chegou perto de conseguir o acesso à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro.
E dentro de casa, no nosso campo, na nossa cidade, o Fantasma ganhava de quase todo mundo.
Coritiba, Atlético, Sport, Clube do Remo, Americano de Campos, Noroeste, Catuense… tantos adversários, tantos jogos, tantas histórias.
E eu tive a oportunidade de estar presente.
A velha guarda do Operário certamente vai lembrar.
E não lembro apenas dos jogos.
Lembro das pessoas.
Gente que hoje talvez nem imaginemos mais ver pendurada no alambrado, torcendo com sangue nos olhos pelo Fantasma.
E o linguajar daquela época… bom, esse provavelmente não passaria pela revisão de costumes dos dias atuais!
Mas era futebol.
Era paixão.
Era Operário.
A partir de 1993, infelizmente, as coisas começaram a desandar.
O time foi mal em praticamente tudo que disputou e começou um declínio triste, daqueles que parecem não ter fim.
Até que veio o licenciamento das atividades.
Uma década sem o nosso Operário.
Um dos absurdos que Ponta Grossa já viu.
Tentaram fazer outra equipe com o nome da cidade. Mas o nosso Fantasma era insubstituível.
O tempo passou.
E nós voltamos praticamente à estaca zero.
Segundona Paranaense.
De novo.
Mas a torcida estava lá.
Havia adesivos do Operário espalhados pela cidade inteira.
O Fantasma está de volta!
Depois de alguns anos sofrendo, finalmente voltamos ao Campeonato Paranaense.
E eu continuava indo ao estádio com o meu velho.
Em todos esses anos, ele nunca teve a oportunidade de ver o nosso Operário ser campeão de alguma coisa.
E talvez seja justamente aí que essa história fique ainda mais emocionante.
Porque chegamos aos dias atuais.
Hoje temos títulos paranaenses.
Temos títulos nacionais.
Temos um clube que voltou a ser respeitado no cenário do futebol brasileiro.
Estamos novamente com chances de chegar ao principal campeonato do Brasil.
E, ao contrário daquele passado de dificuldades, hoje o Operário é reconhecido pela organização e pela gestão.
E para completar, nosso estádio está sendo reformado e ampliado.
Estádio?
Para mim, continuará sendo o campo.
Porque foi assim que aprendi a chamá-lo.
Foi ali que, aos 11 anos, meu pai segurou minha mão e me ensinou uma paixão que atravessaria décadas.
Por isso, hoje quero agradecer.
A todos que ajudaram a reconstruir o Operário.
Aos dirigentes.
Aos jogadores.
Aos funcionários.
Aos profissionais que trabalham diariamente pelo clube.
E, principalmente, aos Operarianos.
Aliás, Operarianos deveriam ser a cidade inteira, não é?
Embora, estranhamente, ainda exista gente que torce contra.
Mas isso faz parte.
O que importa é que o Operário voltou a nos dar aquilo que parecia ter sido perdido pelo caminho:
orgulho.
Orgulho de ser de Ponta Grossa.
Orgulho de vestir preto e branco.
Orgulho de olhar para o passado e perceber que aquela criança de 11 anos continua aqui.
Aquele menino que entrava no campo acompanhado do pai.
Aquele menino que sofreu nas derrotas, vibrou nas vitórias e aprendeu que futebol também é memória.
Hoje, quando olho para tudo isso, penso no meu velho.
Penso naquele homem que me levou pela primeira vez ao campo.
Ele talvez não tenha conseguido ver o Operário campeão.
Mas conseguiu algo muito maior.
Deixou em mim uma paixão que atravessou o tempo.
Uma paixão que sobreviveu às derrotas, às crises, ao licenciamento, à ausência, à reconstrução e a todos os momentos difíceis.
Porque algumas coisas não se explicam.
A gente simplesmente sente.
E Operário não é apenas um time.
É parte da minha história.
É parte da história de Ponta Grossa.
E como canta a nossa torcida:
OPERÁRIO, MINHA VIDA.
OPERÁRIO, MINHA HISTÓRIA.
OPERÁRIO, MEU AMOR.

 

Leia também: Ponta Grossa, 203 anos: a cidade onde eu quero vencer, por John Elvis

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John Elvis Ribas Ramalho
Autoria
John Elvis Ribas Ramalho
Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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