Pesquisas eleitorais: medo mobiliza eleitor, diz cientista
O cientista político Felipe Nunes, professor da FGV-SP e diretor da Quaest, analisa no podcast O Assunto os movimentos captados nas pesquisas de opinião às vésperas do primeiro turno. Ele explica por que o medo é o sentimento que mais mobiliza os eleitores e avalia os impactos do Caso Master, da crise do STF e da polêmica envolvendo N. S. Aparecida nas preferências do eleitorado.

O podcast O Assunto, apresentado por Natuza Nery, recebeu nesta semana o cientista político Felipe Nunes para uma análise aprofundada das pesquisas eleitorais às vésperas do primeiro turno. O episódio, identificado como #1816, abordou os movimentos recentes captados nas pesquisas de opinião e os fatores que têm influenciado as preferências do eleitorado brasileiro.
Felipe Nunes, professor da FGV-SP e diretor da Quaest, explicou que o medo é o sentimento que mais mobiliza os eleitores neste momento. Segundo o especialista, eventos recentes como o Caso Master, a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a polêmica em torno de Nossa Senhora Aparecida têm gerado impactos significativos nas intenções de voto.
Medo como motor do voto
Durante a conversa, Nunes detalhou como o medo atua como um catalisador das decisões eleitorais. Ele destacou que, em cenários de incerteza, os eleitores tendem a buscar candidatos que transmitam segurança e estabilidade, muitas vezes em detrimento de propostas programáticas.
O cientista político ressaltou que esse fenômeno não é novo, mas ganhou contornos específicos no atual ciclo eleitoral. A polarização e a disseminação de informações nas redes sociais amplificam os temores, levando a mudanças rápidas nas pesquisas.
Nunes também mencionou que o medo pode ser direcionado tanto contra um candidato específico quanto contra um cenário de instabilidade institucional. Esse sentimento, segundo ele, é mais eficaz do que a esperança para impulsionar a participação e a definição do voto.
Impacto do Caso Master
Um dos tópicos centrais do episódio foi o chamado Caso Master, que, conforme explicou Nunes, gerou repercussão no eleitorado. Embora a fonte não tenha detalhado o conteúdo exato do caso, o especialista avaliou que o episódio contribuiu para alterar percepções sobre determinados candidatos.
O professor da FGV-SP apontou que escândalos ou controvérsias envolvendo figuras públicas costumam ter efeito imediato nas pesquisas, especialmente quando explorados pela oposição. No entanto, ele ponderou que o impacto pode ser temporário, dependendo da capacidade de resposta dos envolvidos.
Nunes enfatizou que o eleitor brasileiro está cada vez mais atento a questões de integridade, e casos como esse podem reforçar narrativas de medo e rejeição.
Crise do STF e suas repercussões
Outro ponto analisado foi a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal. Felipe Nunes explicou que o desgaste da imagem da Corte tem reflexos diretos no comportamento do eleitorado, especialmente entre aqueles que veem o STF como um ator político.
Segundo o cientista político, a crise do STF alimenta o sentimento de desconfiança nas instituições, o que pode favorecer candidatos com discurso antissistema. Ele observou que esse fenômeno é observado em diferentes segmentos do eleitorado, independentemente de posição ideológica.
Nunes ressaltou que a percepção de instabilidade institucional tende a aumentar o medo, reforçando a tese de que esse sentimento é o principal mobilizador do voto neste ciclo.
Polêmica com N. S. Aparecida
A polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida também foi tema da análise. Felipe Nunes avaliou que o episódio tocou em símbolos religiosos caros a uma parcela significativa da população, gerando reações emocionais que se refletem nas pesquisas.
O especialista destacou que, em um país com forte tradição católica, qualquer controvérsia relacionada a figuras religiosas pode mobilizar eleitores de forma intensa. Ele lembrou que o medo de ofensa a valores religiosos é um poderoso fator de engajamento.
Nunes ponderou que o impacto desse tipo de polêmica tende a ser mais duradouro do que escândalos políticos, pois mexe com a identidade e a fé dos eleitores.
Leitura das pesquisas e cenário eleitoral
Além dos eventos específicos, o episódio trouxe uma leitura geral dos movimentos captados nas pesquisas de opinião. Felipe Nunes explicou que as oscilações recentes refletem um eleitorado ainda indeciso e sensível a acontecimentos de curto prazo.
O diretor da Quaest ressaltou que a margem de erro e a metodologia das pesquisas devem ser consideradas na interpretação dos números. Ele alertou para o risco de leituras apressadas, especialmente em um ambiente de alta volatilidade.
Nunes também comentou sobre a importância de observar tendências ao longo do tempo, em vez de focar em resultados isolados. Segundo ele, a fotografia das pesquisas às vésperas do primeiro turno mostra um cenário competitivo, com espaço para mudanças.
O que esperar até a votação
Questionado sobre as expectativas para os próximos dias, Felipe Nunes afirmou que o medo continuará sendo um elemento central na reta final. Ele destacou que as campanhas tendem a intensificar mensagens que exploram temores, tanto para atrair votos quanto para rejeitar adversários.
O cientista político recomendou atenção aos debates e à propaganda eleitoral, que podem influenciar os indecisos. Ele também mencionou que a participação dos eleitores que se declaram indecisos ou que pretendem anular o voto será decisiva.
Nunes encerrou reforçando que o cenário é dinâmico e que as pesquisas são um retrato do momento, não uma previsão definitiva. A fonte não detalhou projeções numéricas.
O episódio completo do podcast O Assunto está disponível nas principais plataformas de áudio. A produção é de Luiz Felipe Silva, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento, Marco Antônio Martins e Thomé Granemann, com apresentação de Natuza Nery.
Fonte
- g1.globo.com
- Dias finais (oglobo.globo.com)























