Estudantes e docentes da UEPG e UTFPR realizam plantio de 300 mudas no Parque Olarias
Ação no Parque Olarias pelo Dia da Árvore reuniu no sábado 60 pessoas na recuperação da mata ciliar do Arroio Olarias com espécies nativas da região

O Parque de Olarias recebeu o plantio de mais de 300 mudas de espécies nativas para recuperação da área de mata ciliar do Arroio Olarias. A iniciativa em referência ao Dia da Árvore, celebrado hoje, foi realizada na manhã do último sábado (19) e reuniu aproximadamente 60 pessoas. Entre elas, estudantes e professoras envolvidas nos projetos de extensão da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Viveiro Florestal/CAAR, Pauta Ambiental e Agência de Jornalismo e o Centro Acadêmico de Jornalismo (Cajor), assim como o grupo de pesquisa e extensão Conservação da Natureza e Educação Ambiental (Conea), da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), com o apoio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Ponta Grossa (SMMA).
A ação fez parte do processo de recomposição da vegetação no local, já iniciado no ano passado com plantas de maior porte. A estudante de Agronomia da UEPG e integrante do projeto Viveiro Florestal, Viviane Micaele dos Santos, explicou que a seleção das espécies é realizada de acordo com as características da área: “Para cá, foram escolhidas as espécies pioneiras, que vão ter um crescimento mais rápido, e as espécies frutíferas para fomentar a fauna local”.
Entre as espécies selecionadas estão dedaleiro, guaçatonga, araçá-do-mato, guabiroba, jerivá, canela-sassafrás, pinheiro-bravo, citronela-do-mato, pau-amargo, angiquinho-rosa, pau-pólvora ou crindiúva, capororoca, bracatinga, bracatinga-de-Campo-Mourão, malva ou malva-brava, jabuticaba, pitanga e cerejeira-do-Rio-Grande.
Sobre as características do ambiente, em áreas mais úmidas, por exemplo, são priorizadas plantas adaptadas a solos encharcados, enquanto locais com maior drenagem recebem espécies com outras características de tolerância, conforme destacou a professora do Departamento de Biologia Molecular, Estrutural e Genética da UEPG e coordenadora do Viveiro Florestal, Rosimeri de Oliveira Fragoso.
De acordo com Rosimeri, o modelo utilizado busca combinar espécies de crescimento mais rápido, capazes de favorecer o recobrimento inicial da área, com outras que apresentam crescimento menos vigoroso, mas desempenham funções importantes no ecossistema, como a produção de frutos e flores em diferentes períodos do ano. “Tudo isso gera uma grande diversidade de espécies”, explicou.
A estudante de Agronomia ressaltou que a preparação do solo envolve diferentes etapas. A primeira, a abertura das covas, que foi realizada pela Prefeitura Municipal no dia anterior para a atividade. As covas devem ter, em média, 50 centímetros de largura, 50 centímetros de comprimento e 50 centímetros de profundidade para facilitar o enraizamento das mudas. “Em seguida, é feita a mistura do composto orgânico com o solo da cova, na proporção de 50%. Depois, essa mistura é devolvida à cova aberta e, por fim, é necessário realizar a adubação de cobertura”, detalha.
Recomposição de áreas urbanas
Para a geógrafa e arquiteta urbanista Zíngara Santos Euripe, do Departamento de Engenharia Ambiental da SMMA, o plantio realizado no Parque de Olarias integra um modelo de restauração que a Prefeitura pretende ampliar para outras áreas do município. “Essa daqui, a do Arroio Ronda e a do Parque dos Pinheiros são um modelo que nós estamos implantando agora. Seriam as três primeiras áreas, mas nós queremos reproduzir isso para as demais áreas que nós já temos catalogadas”, afirmou.
Segundo Zíngara, a Secretaria já identificou mais de 100 áreas com potencial para receber ações de regeneração e restauração. O trabalho desenvolvido nas três áreas-piloto deverá servir como referência para a expansão das ações. “Aqui faz um ano que nós implantamos esse modelo. Vamos agora para o segundo ano. A partir do segundo ano, teremos a resposta de como se deu esse processo. Aí, sim, iremos passar para as demais áreas”, explicou.
A recomposição da mata ciliar também está relacionada à proteção dos recursos hídricos e à recuperação das funções ecológicas dessas áreas, de acordo com a professora Rosimeri. A vegetação contribui para infiltração da água no solo, proteção dos arroios, conservação de espécies nativas e recuperação das interações ecológicas.
As áreas restauradas também podem funcionar como espaços de abrigo e alimentação para a fauna, além de contribuir para a melhoria das características do solo e para a presença de microrganismos associados à vegetação, conforme destacou a Rosimeri.
Manejo após o plantio
O trabalho de restauração, entretanto, não termina com o plantio das mudas no solo. Após esta etapa, é necessário realizar o acompanhamento e o manejo da área para garantir o desenvolvimento das espécies.
A professora Rosimeri, coordenadora do Viveiro Florestal, destaca que o crescimento das árvores pode ser prejudicado pela presença de gramíneas exóticas, que apresentam crescimento rápido e podem competir com as mudas. “Por mais vigorosas que algumas arbóreas sejam, ainda assim elas nunca vão ser mais vigorosas do que um capim exótico, que é uma situação frequente nesses locais. A gente precisa sempre de um manejo acontecendo, até que esse ambiente se torne autossustentável”, explica.
A expectativa é que a área plantada no entorno do Lago de Olarias avance gradualmente até formar uma floresta. Algumas das mudas plantadas no inverno de 2025 já apresentam desenvolvimento e começam a modificar a paisagem do local.
A proposta é que a recuperação da vegetação também contribua para aproximar a população dos espaços naturais existentes dentro da cidade e ampliar a percepção sobre a importância das áreas verdes urbanas, conforme defendeu a professora Rosimeri.
“A gente está fazendo esse replantio hoje especialmente em homenagem ao Dia da Árvore, como uma forma de sensibilização para a educação ambiental. A gente tem toda parte científica que nos comprova a importância das áreas verdes urbanas, da qualidade do ar em função das espécies vegetais. E aqui, especificamente, porque é uma área de vegetação ciliar. A gente está à beira de um curso d’água e contribui também contra a erosão”, disse a professora da UTFPR e coordenadora do Conea, Lia Maris Ritter Antiqueira.
“A gente entende que, por meio dessas ações de educação ambiental, a gente consegue agregar e sensibilizar as pessoas para essa questão da saúde ambiental que nos leva também a pensar na perspectiva da saúde planetária, que é essa integração dos seres humanos com as outras espécies, com os ecossistemas e com o planeta que é a nossa casa comum”, enfatizou a professora Lia.
A professora do Departamento de Jornalismo da UEPG, Janaine Kronbauer, participou da atividade juntamente com o projeto Pauta Ambiental e destacou a importância da ação para a proteção do meio ambiente, como também a presença dos estudantes do Curso de Jornalismo da UEPG envolvidos no plantio e na cobertura jornalística. “Esse movimento de fazer o plantio de árvores, de mudas nativas especialmente, não mudas exóticas, colabora para que a gente tenha uma melhor qualidade de vida no futuro e, aqui, possa também ser um agente de propulsão, de publicização dessas ações para buscar essa educação junto aos diferentes públicos que são atendidos pelo jornalismo”.
Arborização urbana no Parque Olarias
Além da recuperação de áreas de mata ciliar, a Prefeitura também trabalha na elaboração do Plano Municipal de Arborização Urbana. A iniciativa deverá estabelecer diretrizes para identificar áreas com potencial para novos plantios e orientar a arborização no município.
De acordo com Zíngara, grande parte do levantamento já foi realizada. Atualmente, a equipe trabalha na definição das próximas etapas do documento, que deverão estabelecer as diretrizes para a implantação do plano.
A arborização urbana, segundo Zíngara, pode produzir efeitos ambientais, sociais, psicológicos e econômicos. O planejamento deverá considerar esses diferentes aspectos na definição dos locais e das estratégias de plantio. “Nós sabemos todos os benefícios possíveis que uma árvore hoje traz para nós. Então, só precisamos agora terminar, fechar esse diagnóstico da arborização urbana para que a gente possa ter as diretrizes e implantar de forma correta”, afirma.
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