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Ponta Grossa

Ponta Grossa inicia soltura de mosquitos com bactéria para combater a dengue

Ponta Grossa inaugura Biofábrica e inicia soltura de mosquitos com Wolbachia em 5,3 mil pontos da cidade para reduzir casos de dengue.

mosquito
Foto: Henry Milleo
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A Prefeitura de Ponta Grossa iniciou, nesta terça-feira (20), a soltura de mosquitos com a bactéria Wolbachia, uma tecnologia utilizada para reduzir a transmissão da dengue, zika e chikungunya. A ação começou após a inauguração de uma Biofábrica no Jardim Paraíso, estrutura responsável pela preparação dos insetos que serão liberados em diferentes regiões do município.

Ao todo, mais de 5,3 mil pontos de Ponta Grossa serão atendidos durante as próximas 26 semanas, em uma operação que busca diminuir a circulação dos vírus transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti.

O projeto é desenvolvido em parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde, o Ministério da Saúde, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a empresa Wolbito do Brasil.

Como funciona o Método Wolbachia?

O Método Wolbachia utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam naturalmente a bactéria Wolbachia, capaz de reduzir a transmissão de vírus como os da dengue, zika e chikungunya.

Após serem liberados no ambiente, esses mosquitos se reproduzem com os insetos locais, transmitindo a bactéria para as próximas gerações. Com o passar do tempo, a expectativa é que a população de mosquitos com Wolbachia aumente, reduzindo o potencial de transmissão dessas doenças.

A prefeita Elizabeth Schmidt participou das primeiras solturas e destacou a importância da iniciativa para a saúde pública do município.

“É um momento histórico para Ponta Grossa. Conseguimos, com o apoio e o trabalho de diversas pessoas, trazer ao Município uma tecnologia reconhecida internacionalmente e que vai desempenhar um papel fundamental no combate à dengue. Isso não diminui a importância da população seguir colaborando para juntos vencermos esta batalha”, afirmou.

Quais bairros de Ponta Grossa receberão os mosquitos?

A seleção das regiões levou em consideração análises técnicas sobre a concentração de casos de dengue registrados nos últimos meses.

As liberações acontecerão em pontos distribuídos pelas seguintes regiões:

  • Centro;

  • Uvaranas;

  • Oficinas;

  • Cará-Cará;

  • Contorno;

  • Colônia Dona Luiza;

  • Chapada;

  • Ronda.

A soltura será realizada semanalmente por agentes de campo capacitados, utilizando veículos e equipamentos específicos. O procedimento será gradual e seguirá um planejamento estabelecido para as próximas 26 semanas.

Antes do início das operações, equipes responsáveis pelo projeto realizaram atividades de orientação e engajamento comunitário para apresentar a tecnologia à população.

Segundo Gabriel Sylvestre, gerente de implementação da Wolbito do Brasil, a participação dos moradores continuará sendo fundamental.

“Agora que a população já conhece o método e entende que é uma tecnologia segura para a proteção, começam as liberações dos mosquitos. Será um trabalho intenso nas próximas semanas, que ainda conta com a colaboração das pessoas na eliminação do mosquito e de possíveis criadouros. Quem mata o aedes aegypti também contribui para o método”, explicou.

Nova Biofábrica vai preparar mosquitos para soltura

A estrutura inaugurada no Jardim Paraíso conta com um núcleo de produção responsável pelo desenvolvimento dos mosquitos, conhecidos como Wolbitos, desde a fase de ovo até a fase adulta.

O processo começa com o recebimento de cápsulas contendo ovos e alimento para as larvas. Em contato com a água, os ovos iniciam seu desenvolvimento até que os mosquitos estejam prontos para serem liberados.

Depois dessa etapa, os insetos são transportados em veículos específicos para os pontos previamente definidos pelas equipes técnicas.

O monitoramento será realizado por meio de ovitrampas, armadilhas utilizadas para acompanhar a presença da bactéria Wolbachia nas populações de mosquitos.

Método já apresentou redução de 89% nos casos de dengue

A tecnologia já é utilizada em outras cidades brasileiras e apresentou resultados expressivos na redução da transmissão de doenças.

Em Niterói, no Rio de Janeiro, onde o método foi implementado em todo o território municipal, estudos apontaram uma redução de 89% nos casos de dengue nas áreas avaliadas.

A expectativa das autoridades de saúde é que Ponta Grossa também apresente uma diminuição na incidência da doença conforme a bactéria se estabeleça na população local de mosquitos.

Apesar da implantação da nova tecnologia, a Prefeitura reforça que os cuidados tradicionais continuam necessários. A eliminação de recipientes com água parada, a limpeza de terrenos e a prevenção de criadouros seguem sendo medidas essenciais para combater a proliferação do Aedes aegypti.

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Matheus Leônidas
Autoria
Matheus Leônidas
Estudante de Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. Cativado por todas as editorias. Trabalho por um jornalismo justo e de qualidade.
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