Prêmio Nobel de Literatura: relembre últimos laureados
A Academia Sueca reconheceu, nos últimos anos, nomes como Han Kang, Jon Fosse e Annie Ernaux. Relembre a lista completa de laureados e suas principais obras, incluindo o português José Saramago.

A Academia Sueca concedeu, ao longo dos últimos anos, o Prêmio Nobel de Literatura a escritores de diferentes nacionalidades, estilos e gêneros. A honraria, uma das mais prestigiadas do mundo, reconhece contribuições notáveis à literatura universal. Em 2024, a sul-coreana Han Kang foi a vencedora, autora de A vegetariana (2007).
O anúncio, feito em Estocolmo, na Suécia, reacendeu o interesse do público pela lista de laureados recentes. A seleção da Academia Sueca costuma gerar debates sobre critérios e representatividade. Nesta matéria, relembramos os vencedores de 2016 a 2024 e suas obras mais conhecidas.
Han Kang e a literatura sul-coreana
Han Kang, nascida em Gwangju, na Coreia do Sul, tornou-se a primeira autora do país a receber o Nobel de Literatura. A academia destacou sua prosa poética e intensa, que confronta traumas históricos e expõe a fragilidade da vida humana. A vegetariana, sua obra mais famosa, narra a história de uma mulher que decide parar de comer carne, desencadeando reações violentas na família e na sociedade.
O livro, publicado originalmente em 2007, foi traduzido para dezenas de idiomas e venceu o Man Booker International Prize em 2016. A escolha de Han Kang reforça a crescente visibilidade da literatura asiática no cenário global. A fonte não detalhou outros títulos da autora premiada.
De Jon Fosse a Annie Ernaux
Em 2023, o norueguês Jon Fosse foi laureado por sua obra inovadora, que inclui a Septologia (ou Heptalogia). Fosse é conhecido por um estilo minimalista e repetitivo, que explora a condição humana com profundidade espiritual. Sua escrita, muitas vezes comparada à de Samuel Beckett, dialoga com o teatro e a prosa contemporâneos.
No ano anterior, a francesa Annie Ernaux recebeu o prêmio por sua escrita autobiográfica e impiedosa. Os anos (2008) é considerada sua obra-prima, um retrato coletivo da sociedade francesa do pós-guerra ao século XXI. Ernaux é a primeira francesa a vencer o Nobel de Literatura.
Abdulrazak Gurnah e Louise Glück
Em 2021, o tanzaniano Abdulrazak Gurnah foi reconhecido por sua narrativa sobre os efeitos do colonialismo e a experiência dos refugiados. Seu romance Paradise (1994) foi finalista do Booker Prize e é um marco da literatura africana. Gurnah, que vive no Reino Unido, escreve em inglês e aborda temas como identidade, memória e deslocamento.
Já em 2020, a norte-americana Louise Glück venceu pela precisão lírica de sua poesia. The Triumph of Achilles (O Triunfo de Aquiles, em tradução livre), de 1985, é um de seus livros mais aclamados. Glück, que também foi poeta laureada dos Estados Unidos, faleceu em 2023, mas seu legado permanece influente.
Peter Handke e Olga Tokarczuk
O austríaco Peter Handke, laureado em 2019, é autor de A mulher canhota (1976), romance que explora a alienação e a busca por identidade. Handke é uma figura controversa devido a posições políticas sobre os Bálcãs, mas sua contribuição literária é inegável. A academia elogiou sua obra por explorar a periferia da experiência humana.
No mesmo ano, a polonesa Olga Tokarczuk recebeu o prêmio referente a 2018, adiado por um escândalo na academia. Sobre os Ossos dos Mortos (2009) mistura thriller ecológico e reflexão filosófica. Tokarczuk é uma voz importante do feminismo e do ativismo ambiental na literatura.
Kazuo Ishiguro e Bob Dylan
Em 2017, o britânico Kazuo Ishiguro, nascido no Japão, foi premiado por romances que revelam o abismo sob nosso senso ilusório de conexão com o mundo. Os Vestígios do Dia (1989) é seu livro mais famoso, adaptado para o cinema com Anthony Hopkins. Ishiguro explora memória, tempo e autoengano com maestria.
Em 2016, a escolha de Bob Dylan causou polêmica: foi o primeiro e único cantor e compositor a receber o Nobel de Literatura. A academia justificou a honraria por suas composições poéticas dentro da grande tradição da canção americana. Dylan, porém, demorou a responder ao prêmio e não compareceu à cerimônia.
O legado de José Saramago
Embora não esteja na lista recente, é impossível falar do Nobel sem lembrar o português José Saramago, único autor de língua portuguesa a vencer o prêmio. A Academia Sueca concedeu o prêmio ao autor de Ensaio sobre a Cegueira “por sua capacidade de tornar compreensível uma realidade esquiva com parábolas sustentadas pela imaginação, compaixão e ironia”.
Saramago, falecido em 2010, deixou uma obra vasta e crítica, marcada pelo realismo mágico e pela defesa dos direitos humanos. Seu reconhecimento abriu portas para a literatura lusófona no mundo. A fonte não detalhou outros autores de língua portuguesa premiados.
László Krasznahorkai, o homenageado do ano passado
No ano passado, a honraria foi entregue ao húngaro László Krasznahorkai, autor de O Tango de Satanás (Sátántangó, no título original), lançado em 1985. Segundo a academia, a obra dele pode ser entendida como parte de uma tradição centro-europeia caracterizada pelo absurdo e pelo grotesco.
Krasznahorkai é conhecido por frases longas e hipnóticas, que mergulham o leitor em atmosferas opressivas. Seu romance mais famoso foi adaptado para o cinema pelo diretor Béla Tarr, em um filme de sete horas. A premiação reforça a importância da literatura húngara no cenário mundial.
O Prêmio Nobel de Literatura continua a celebrar a diversidade de vozes e a força da palavra escrita. A cada ano, a Academia Sueca surpreende e provoca debates sobre o que é literatura. Para mais notícias sobre cultura e premiações, continue navegando pelo portal Boca no Trombone.























