Médica do Centro Hospitalar São Camilo alerta para prevenção de doenças cardiovasculares
Prevenção de doenças cardiovasculares é tema de entrevista no BnT News. Cardiologista explica riscos silenciosos, sintomas e cuidados com o coração.

As doenças cardiovasculares podem evoluir de forma silenciosa e, em alguns casos, o primeiro sinal de que algo não vai bem pode surgir somente quando o problema já está instalado. O alerta foi feito pela cardiologista Amanda Guimarães de Sousa, do Centro Hospitalar São Camilo, durante entrevista ao BnT News nesta terça-feira (23), dentro das ações de conscientização do Setembro Vermelho.
Segundo a médica, quando se fala em doenças cardiovasculares, estão incluídas condições que atingem o coração e os vasos sanguíneos, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, arritmias e doenças das válvulas do coração.
Durante a entrevista, Amanda destacou que a prevenção é um dos principais caminhos para reduzir os riscos, justamente porque algumas dessas condições podem não apresentar sintomas claros nas fases iniciais.
Hipertensão e colesterol alto podem ser silenciosos
Um dos pontos destacados pela cardiologista foi que hipertensão e colesterol elevado muitas vezes não provocam sintomas perceptíveis.
Por isso, segundo Amanda, conhecer os próprios indicadores de saúde e procurar avaliação médica antes que surjam complicações é fundamental.
Ela também chamou a atenção para o fato de que nem todo infarto se apresenta com a clássica dor no peito. “Principalmente nos pacientes como mulheres, idosos e diabéticos, eles geralmente não têm dor no peito”, explicou a médica durante a entrevista.
Segundo a cardiologista, esses pacientes podem apresentar sintomas considerados atípicos, o que reforça a importância de uma avaliação individualizada.
Quais são os fatores de risco para doenças cardiovasculares?
Amanda explicou que os fatores de risco para doenças cardiovasculares podem ser divididos entre modificáveis e não modificáveis.
Entre aqueles que não podem ser alterados está o histórico familiar, especialmente quando há casos de doenças cardiovasculares em familiares de primeiro grau ainda jovens. Já entre os fatores que podem ser controlados estão condições como hipertensão, diabetes e obesidade, além de hábitos relacionados ao estilo de vida.
A médica também destacou a influência do sedentarismo, da alimentação inadequada, do estresse, da ansiedade e da qualidade do sono.
Segundo Amanda, a doença cardiovascular costuma ter origem multifatorial, ou seja, diferentes fatores podem atuar em conjunto.
Estresse, ansiedade e noites mal dormidas entram no alerta
Durante a conversa no BnT News, a cardiologista explicou que o estresse e a saúde mental também devem ser considerados quando o assunto é cuidado com o coração. “A saúde mental é um fator que anda junto com o coração”, destacou.
Segundo ela, a rotina acelerada, a ansiedade e noites mal dormidas podem contribuir para o desgaste do organismo, especialmente quando associados a outros fatores de risco.
Para quem percebe que precisa mudar alguns hábitos, a médica orienta começar identificando os principais problemas da própria rotina.
Entre as mudanças citadas estão dormir mais cedo, reduzir o uso de telas antes de deitar, praticar exercícios físicos e buscar uma alimentação mais equilibrada.
Cardiologista recomenda evitar telas antes de dormir
Amanda também chamou atenção para o uso do celular durante a noite. Segundo a médica, o excesso de informação e estímulos antes de dormir pode interferir na qualidade do sono.
Uma das orientações apresentadas foi evitar telas pelo menos uma hora antes de ir para a cama. A prática de exercícios físicos também foi destacada como uma medida importante tanto para a saúde cardiovascular quanto para o equilíbrio emocional.
Exames preventivos devem ser individualizados
Questionada sobre quais exames devem ser realizados para prevenir doenças cardiovasculares, Amanda explicou que não existe uma lista padrão válida para todas as pessoas.
Segundo ela, cada paciente precisa ser avaliado individualmente.
Entre os exames que podem ser utilizados estão o eletrocardiograma e o teste ergométrico, mas a indicação depende do histórico clínico, dos hábitos de vida e dos fatores de risco apresentados por cada pessoa.
A avaliação também considera informações como pressão arterial, diabetes, colesterol e circunferência abdominal.
“O primeiro passo é a gente conhecer os números do paciente”, explicou. A partir dessas informações, o médico pode definir quais exames são necessários para cada situação.
Prevenir antes que o problema apareça
No encerramento da entrevista, Amanda reforçou que o objetivo do acompanhamento preventivo é identificar fatores de risco antes que ocorram complicações.
Segundo a cardiologista, em alguns casos, uma manifestação mais grave, como infarto ou AVC, pode ser o primeiro sinal percebido pelo paciente. Para Amanda, a prevenção deve fazer parte da rotina mesmo de quem ainda não apresenta sintomas.
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