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Ponta Grossa

Projeto leva 500 livros para comunidades quilombolas de Ponta Grossa

Projeto entrega 500 livros para comunidades quilombolas de Ponta Grossa e incentiva a leitura com obras de autores paranaenses.

Quilombolas
Divulgação
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Um projeto está levando livros para comunidades quilombolas de Ponta Grossa com o objetivo de estimular a leitura e ampliar o acesso à literatura produzida no Paraná. No último domingo (16), as comunidades Santa Cruz e Sutil receberam, juntas, 500 exemplares de obras escritas exclusivamente por autores paranaenses.

A iniciativa integra o projeto Raízes da Palavra – Literatura Paranaense em Movimento, que prevê a distribuição de livros para comunidades rurais e periféricas de Ponta Grossa. Cada uma das duas comunidades quilombolas recebeu 250 exemplares, distribuídos entre 60 títulos diferentes.

A proposta é fazer com que os exemplares circulem entre os moradores, ajudando na formação de pequenos espaços comunitários de leitura e incentivando crianças, jovens e adultos a terem maior contato com a literatura.

O projeto foi selecionado pelo Programa Municipal de Incentivo Fiscal à Cultura de Ponta Grossa (Promific), conta com patrocínio da Belgotex do Brasil e apoio da ABC Projetos Culturais.

Literatura como ferramenta de inclusão

Segundo a produtora cultural Thaisa Cunningham, levar ações literárias às comunidades também representa uma forma de ampliar o acesso às atividades culturais.

“Embora possuam forte identidade comunitária e riqueza humana, as comunidades quilombolas ainda sofrem com a oferta reduzida de atividades culturais. São territórios historicamente desatendidos por políticas culturais, onde a distância do centro urbano e as vulnerabilidades socioeconômicas limitam o contato com a leitura”, afirma.

Para a produtora, a iniciativa vai além da distribuição dos exemplares.“Mais do que distribuir livros, o projeto semeia pertencimento, imaginação e transformação, criando condições para que novos leitores, e futuros autores, encontrem na literatura um espaço de acolhimento, expressão e cidadania”, destaca.

Na comunidade quilombola Santa Cruz, a expectativa é que o novo acervo também incentive moradores que ainda não possuem o costume de ler.“É muito importante esse tipo de iniciativa. Nós já temos aqui na comunidade algumas pessoas que gostam de ler e o projeto vai ser um incentivo para que aqueles que ainda não têm esse hábito comecem a ler mais”, afirma Ana Magali Batista da Cruz, representante da comunidade.

Atualmente, cerca de 20 famílias vivem em Santa Cruz, localizada às margens da PR-151, a aproximadamente 35 quilômetros de Ponta Grossa.

A comunidade tem origem em terras da antiga Fazenda Santa Cruz, deixadas por testamento a pessoas escravizadas posteriormente libertas, ainda no século 19.

Ana Magali relata que moradores já identificaram nos exemplares recebidos referências relacionadas à própria história da comunidade e à ocupação da região.“A gente já achou algumas histórias daqui da comunidade nos livros que recebemos, principalmente sobre a ocupação e imigração europeia na região, para quem os quilombolas foram perdendo parte de suas terras. Então, é muito interessante para nós e, com certeza, as pessoas vão querer ler”, comenta.

Comunidade Sutil quer aproximar crianças dos livros

Na Colônia Sutil, onde vivem aproximadamente 100 famílias, a chegada dos livros também é vista como uma oportunidade de aproximar principalmente as novas gerações da leitura.“O projeto é muito importante para estimular o hábito da leitura entre os adultos, mas principalmente para que as crianças comecem a ler mais. As crianças que vivem aqui sabem ler, mas hoje em dia elas passam mais tempo no celular”, afirma a moradora Suzana Machado dos Santos.

Assim como Santa Cruz, a comunidade Sutil tem sua história relacionada às terras da antiga Fazenda Santa Cruz. As famílias mantêm a memória dos antepassados e preservam tradições e vínculos comunitários construídos ao longo das gerações.

Santa Cruz e Sutil são reconhecidas como comunidades quilombolas e possuem certidão de autodefinição emitida pela Fundação Cultural Palmares.

Projeto terá novas entregas em Ponta Grossa

A distribuição de livros para comunidades quilombolas integra uma ação mais ampla do Raízes da Palavra em diferentes regiões de Ponta Grossa.

No próximo sábado, 22 de agosto, a iniciativa deverá realizar uma nova rodada de entregas. Desta vez, a Ocupação Urbana Ericson John Duarte e o Assentamento Emiliano Zapata, ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), receberão outros 500 exemplares de autores paranaenses.

A expectativa dos organizadores é ampliar a circulação das obras e possibilitar que moradores tenham acesso gratuito a diferentes títulos, incentivando o surgimento de novos leitores e valorizando, ao mesmo tempo, escritores e a produção literária do Paraná.

Diogo Laba
Autoria
Diogo Laba
Jornalista formado pela UEPG, atuo como repórter no BnT Esporte Clube e no jornalismo diário do BnT. Comprometido com uma cobertura responsável, dinâmica e pautada pela qualidade da informação.
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