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Proteja seu filho! delegada de PG revela como pedófilos atraem crianças na internet

Mudanças de comportamento, isolamento, automutilação e medo repentino podem indicar que crianças e adolescentes estão sendo vítimas de ameaças ou crimes no ambiente virtual

Proteja seu filho! delegada de PG revela como pedófilos atraem crianças na internet
Luisa Andrade / BnT Online
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Um caso investigado pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria) acendeu um alerta para pais e responsáveis em Ponta Grossa. Um homem de 23 anos admitiu ter utilizado um perfil no Instagram para solicitar fotografias íntimas de duas crianças, segundo a delegada Ana Paula, responsável pela investigação.

Em entrevista ao Portal BnT Online, a delegada explicou que os dois registros ocorreram em períodos próximos e envolviam crianças que não possuem qualquer grau de parentesco. O perfil responsável pelas mensagens, entretanto, era o mesmo. “Isso chamou a nossa atenção. Quando fomos analisar, era o mesmo perfil do Instagram que solicitava essas fotografias”, explicou.

A partir das diligências realizadas pelo Nucria, o suspeito foi identificado. A Justiça autorizou o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência do investigado, onde aparelhos eletrônicos foram recolhidos para perícia. Segundo Ana Paula, as famílias também entregaram à Polícia Civil capturas de tela que mostram as solicitações feitas pelo suspeito.

Durante o interrogatório, o homem confirmou que era o responsável pelo perfil e que havia pedido as imagens às duas crianças.

Sinais podem aparecer no comportamento

A delegada destaca que crianças e adolescentes nem sempre conseguem contar imediatamente o que está acontecendo. Em alguns casos, as vítimas recebem ameaças e passam a acreditar que algo ruim acontecerá se procurarem ajuda. Por isso, mudanças repentinas de comportamento devem ser observadas.

Entre os possíveis sinais estão o isolamento, a permanência por longos períodos em um cômodo fechado utilizando a internet, o nervosismo excessivo, a automutilação e até comportamentos regressivos, como voltar a urinar na cama.

“Tudo isso pode ser um sinal. É importante que nós, como adultos e responsáveis, fiquemos sempre atentos”, afirmou. Ana Paula também orienta que os pais conheçam as senhas dos aparelhos usados pelos filhos e acompanhem as redes sociais, aplicativos e jogos acessados por eles. “A questão da proteção se sobrepõe ao direito de privacidade da criança e do adolescente”, ressaltou.

Acolhimento deve vir antes da cobrança

Caso a criança relate uma situação de aliciamento, ameaça ou abuso pela internet, a primeira atitude dos responsáveis deve ser acreditar nela. De acordo com a delegada, cobranças e questionamentos em tom de acusação podem fazer com que a vítima se feche e deixe de fornecer informações importantes.

“Não briguem com ela. Quando o pai pergunta ‘como você fez isso?’ ou ‘por que deixou isso acontecer?’, a criança pode acabar se fechando”, alertou.

A recomendação é acolher, preservar as conversas e demais provas disponíveis e procurar imediatamente a Polícia Civil. Em Ponta Grossa, o Nucria possui atendimento especializado e humanizado para crianças e adolescentes.

Anonimato não impede investigação

A delegada também reforça que criminosos podem utilizar redes sociais e jogos on-line para se aproximar das vítimas, aproveitando-se da falsa sensação de anonimato.

Apesar das dificuldades técnicas que podem surgir em investigações virtuais, a Polícia Civil possui mecanismos para identificar os responsáveis.

“Muitos acham que não serão identificados e que ninguém chegará até eles. Nós conseguimos, sim, chegar a esse indivíduo, identificá-lo e depois responsabilizá-lo”, concluiu Ana Paula.

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Heryvelton Martins
Autoria
Heryvelton Martins
Jonalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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