A qualidade da água em Ponta Grossa está diretamente ligada às condições da Represa do Alagados, que há décadas acumula impactos ambientais sem passar por um processo de desassoreamento. Durante entrevista ao BNT Entrevista, o presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente (COMDEMA), Robson Klimionte, afirmou que o manancial “está doente” e precisa de atenção urgente.
Segundo ele, a Sanepar apresentou explicações técnicas detalhadas sobre a captação, tratamento e distribuição da água. Uma equipe com sete especialistas participou da reunião, incluindo a bioquímica responsável pelas análises laboratoriais. A companhia atribui o gosto e odor alterados à presença de algas e à liberação de geosmina — substância que altera aspectos sensoriais, mas que, segundo parâmetros nacionais, não oferece risco à saúde.
Apesar disso, o problema tem origem estrutural. O Alagados acumula mais de 65 anos de assoreamento, reduzindo sua capacidade de armazenamento. Mesmo com chuvas recentes, o volume não é suficiente para recuperar o equilíbrio do ecossistema, o que favorece a proliferação de algas.
A Sanepar informou que tem ajustado diariamente o tratamento, com uso de carvão ativado e mudanças nos processos de oxidação e filtragem. Ainda assim, reconhece que as medidas não eliminam completamente o odor e o sabor.
O debate também levantou questionamentos sobre planejamento. Conselheiros apontaram que o cenário era previsível e cobraram ações preventivas. Até 2012, existia um grupo municipal de monitoramento do manancial, que deixou de operar. A proposta agora é retomar esse acompanhamento com apoio técnico da UEPG.
Outro ponto discutido foi a gestão fragmentada da represa. Diferentes órgãos atuam na área — energia, captação e meio ambiente — mas sem coordenação integrada. Segundo Climionte, essa divisão dificulta soluções estruturais.
Como alternativa emergencial, a Sanepar anunciou a escavação de cinco poços artesianos, que passarão por avaliação de volume e qualidade. Paralelamente, segue o projeto de captação no Rio Tibagi, ainda em fase de licenciamento ambiental, com previsão de até quatro anos para conclusão.
Para acompanhar as medidas, Condema e Conselho de Saneamento formarão um comitê técnico permanente. O grupo fiscalizará os níveis de cianobactérias, possíveis toxinas e a execução das soluções anunciadas.
Além da questão sanitária, o presidente do Condema alertou para o impacto econômico. Segundo ele, problemas recorrentes na qualidade da água em Ponta Grossa podem comprometer a competitividade da cidade e afastar investimentos.
A orientação à população é acompanhar e cobrar transparência. “Quando a situação melhora, o assunto cai no esquecimento. Nosso papel é garantir que isso não aconteça novamente”, afirmou, Klimionte
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