“Que estupre, que rasgue”; áudios contra petistas geram revolta em Mallet
Áudios de Mallet com falas sobre estupro e ataques a petistas geram indignação. Listas de boicote a comércios também circulam na cidade

A circulação de áudios com declarações violentas, referências a estupro e ameaças de danos ao patrimônio de eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT) está provocando indignação entre moradores de Mallet, no Paraná. As gravações, atribuídas a mulheres do município, começaram a ser compartilhadas em grupos de mensagens e redes sociais após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Segundo relatos encaminhados à reportagem, diversas denúncias foram feitas em razão do conteúdo das mensagens. No entanto, ainda não há confirmação oficial sobre o número de registros, a identidade das pessoas envolvidas ou a abertura de investigações.
Gravação menciona estupro e provoca indignação
Em um dos áudios que circulam na cidade, uma mulher manifesta revolta com o resultado das eleições e faz declarações que incluem referências explícitas à violência sexual.
“Que Deus abençoe muito, que estupre, que rasgue”, diz um trecho da gravação, antes de a mulher afirmar que deseja ouvir notícias de sofrimento de outras pessoas por terem colocado, segundo suas palavras, “um bandido no poder de volta”.
O conteúdo gerou reações nas redes sociais, especialmente pelo uso de referências à violência sexual como forma de expressar insatisfação política.
Uma publicação compartilhada por uma moradora que se identifica como mãe e eleitora do PT questiona a gravidade das declarações e menciona a preocupação com possíveis ameaças contra crianças.
“Desejar que uma criança seja estuprada não é divergência política, não é brincadeira e muito menos mimimi. É uma fala cruel, repugnante e que precisa ser levada a sério”, afirma a publicação.
A mensagem também pede que os fatos sejam investigados. É importante destacar que a referência a crianças aparece nessa manifestação de repúdio, mas não foi possível confirmar, apenas pelos trechos dos áudios fornecidos à reportagem, que as gravações tenham apresentado uma ameaça direcionada especificamente a crianças.
Segundo áudio fala em vandalismo contra veículos de petistas
Outra gravação atribuída a uma moradora de Mallet contém declarações de hostilidade contra eleitores do PT e manifestações de desejo de agravamento da situação econômica do país.
Na mensagem, a mulher afirma que gostaria de ver o preço do diesel chegar a R$ 20 e declara desejar que a população passe fome, mesmo reconhecendo que também seria prejudicada.
Em outro momento, menciona a possibilidade de cometer furtos e danificar veículos de pessoas identificadas como petistas.
“Se eu tiver oportunidade de passar e quebrar um espelho de um carro de um petista, eu vou quebrar. Se eu tiver oportunidade de quebrar uma lanterna de um petista, eu vou quebrar”, afirma a voz na gravação.
A mulher também declara que pretende deixar de agir corretamente e passar a praticar atos que prejudiquem outras pessoas.
As declarações levantam preocupações sobre possíveis atos de violência e vandalismo motivados por divergências políticas. Até o momento, não há informação confirmada de que as ações mencionadas tenham sido efetivamente praticadas.
Lista de comércios divididos por posicionamento político circula em Mallet
Além das gravações, moradores relatam a divulgação de uma lista de estabelecimentos comerciais de Mallet classificados conforme supostas preferências políticas de seus proprietários.
O material separa empresas entre aquelas consideradas apoiadoras do ex-presidente Jair Bolsonaro e estabelecimentos identificados como ligados ao PT, com a intenção de estimular boicotes comerciais.
A classificação, porém, não comprova o posicionamento político dos empresários citados. A exposição de estabelecimentos pode provocar prejuízos, constrangimentos e conflitos entre consumidores e comerciantes.
A circulação do material amplia a preocupação sobre os reflexos da polarização política na economia local, especialmente em um município onde empresários, trabalhadores e consumidores mantêm relações comerciais próximas.
Situação semelhante provocou reação de entidades em Ponta Grossa
O episódio registrado em Mallet ocorre em meio à circulação de listas semelhantes em outras cidades do Paraná.
Em Ponta Grossa, a divulgação de relações de estabelecimentos comerciais classificados por suposto posicionamento político provocou manifestações da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG) e da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) Campos Gerais.
Conforme já noticiado pelo BnT Online, as entidades defenderam o respeito às diferenças políticas e alertaram para os impactos que movimentos de boicote podem provocar sobre empresas, trabalhadores, fornecedores e a economia regional.
A ACIPG destacou que a liberdade de voto e de escolha dos consumidores faz parte da democracia, mas demonstrou preocupação com o acirramento das divisões políticas e seus possíveis efeitos sobre a atividade econômica.
Leia também: Listas de boicote político a empresas de PG provocam reação da ACIPG e da Abrasel.
Denúncias e possíveis consequências jurídicas
Declarações envolvendo ameaças, incentivo à violência ou danos ao patrimônio podem ser analisadas pelas autoridades, conforme o conteúdo, o contexto e as circunstâncias de cada caso.
A liberdade de expressão e a manifestação de opiniões políticas são direitos garantidos pela Constituição Federal. Entretanto, esses direitos não afastam a possibilidade de responsabilização por condutas que configurem infrações previstas na legislação brasileira.
No caso dos áudios atribuídos a moradoras de Mallet, a eventual responsabilização dependerá da identificação das autoras, da verificação da autenticidade e integridade das gravações e da avaliação das autoridades competentes.
O episódio evidencia o agravamento das tensões políticas após as eleições, com repercussões que ultrapassam as discussões partidárias e atingem as relações sociais e comerciais das cidades.
O BnT Online mantém espaço aberto para manifestações das pessoas citadas nas gravações e das autoridades competentes.
























