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Reforma amplia residência de Putin no Mar Negro

A residência oficial de Vladimir Putin em Sochi, Bocharov Ruchey, passa por reconstrução em escala ampliada, revelada por imagens de satélite, disputas judiciais e anúncios de emprego. O complexo ganha novos prédios e uma zona de segurança de mais de 3 km².

Reforma amplia residência de Putin no Mar Negro
Os segredos da megarreforma da residência de Putin no Mar Negro — Foto: BBC/Planet.com/Getty
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Disputas judiciais, imagens de satélite e anúncios de emprego que prometem a operários hospedagem à beira da piscina, refeições gratuitas e pagamento em dinheiro ajudaram a revelar a grande expansão da residência oficial do presidente da Rússia, Vladimir Putin, às margens do mar Negro. A investigação da BBC News Rússia mostra que o complexo Bocharov Ruchey, em Sochi, está sendo reconstruído praticamente do zero, em escala muito maior e com um esquema de segurança mais rigoroso.

Residência histórica passa por reconstrução

A residência oficial de Bocharov Ruchey já foi usada por líderes soviéticos como Nikita Khrushchev e Leonid Brezhnev e pelo primeiro presidente da Rússia após o fim da União Soviética, Boris Yeltsin. Putin se hospedou ali pela primeira vez antes de sua posse, em maio de 2000, e desde então passou a receber com frequência líderes estrangeiros no local.

As demolições começaram em 2024, sem anúncio oficial. Em setembro de 2025, uma grande escavação já ocupava parte do terreno. No outono de 2026, imagens de satélite analisadas pela BBC News Rússia já mostravam os telhados de vários prédios novos, ocupando uma área bem maior do que a antiga residência.

Segurança reforçada com zona de 3 km²

Neste ano, o Serviço Federal de Proteção da Rússia (FSO), responsável pela segurança de autoridades do Estado, decidiu reforçar ainda mais a proteção de Bocharov Ruchey e criar uma zona de segurança de mais de 3 km² ao redor da residência. A medida coincide com a redução das viagens de Putin à região do mar Negro, que passou a ser alvo mais frequente de drones ucranianos.

Putin esteve em Sochi 24 vezes em 2021, um ano antes da invasão em larga escala da Ucrânia, mas fez apenas duas visitas à cidade em 2024 e 2025, segundo o jornal britânico Financial Times. Ainda assim, o governo não abandonou a residência oficial, que continua sendo usada para receber autoridades de alto escalão, como Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que esteve ali em 2024.

Contratos e disputas revelam detalhes da obra

Em uma decisão judicial sobre uma disputa entre empresas envolvidas na construção, a BBC News Rússia encontrou a referência a um contrato de compras do Estado para a área de defesa, identificado pelo código 2327202903572000000000000. Os quatro primeiros algarismos indicam o ano em que o contrato foi assinado e o ano em que termina: 2023 e 2027. Os três números seguintes, 202, correspondem ao código do FSO, responsável pela contratação.

Ao consultar outras decisões judiciais envolvendo disputas com subcontratadas que trabalham em Bocharov Ruchey, a BBC News Rússia conseguiu identificar a TSI Group, registrada na Crimeia anexada, como a empreiteira principal da obra. Uma dessas disputas envolveu o instituto de projetos Voenmorproekt-30, de Sebastopol, que começou a atrasar o cronograma poucos meses depois do início das obras, no começo de 2025. Também foram encontradas irregularidades na construção das paredes da chamada “casa principal”, serviço entregue a uma empresa de Orenburg.

Anúncios de emprego expõem condições e benefícios

A BBC News Rússia também encontrou, em redes sociais e sites de emprego, anúncios para contratar trabalhadores da construção civil, entre eles pedreiros, montadores de estruturas de aço e profissionais especializados em concreto. Alguns citavam diretamente Bocharov Ruchey.

Um dos anúncios, publicado em janeiro de 2025, procurava com urgência trabalhadores para a construção de um prédio de dois andares em Sochi, “em uma área de acesso restrito, com entrada mediante autorização”, e oferecia pagamento em dinheiro. Outro anúncio, publicado no fim do ano, mencionava um prédio de quatro andares em uma área com controle de acesso e verificação de documentos. Mais tarde, as exigências foram flexibilizadas e passaram a ser aceitos também candidatos de Belarus, Cazaquistão e Quirguistão.

Entre os benefícios oferecidos estavam a hospedagem — por exemplo, “em um alojamento com piscina” — ou apartamentos, três refeições por dia, ferramentas e roupas de trabalho gratuitas. Havia preferência por equipes completas, “com engenheiro e encarregado próprios”, mas trabalhadores autônomos contratados por turnos também eram aceitos. Em 2026, as vagas já eram para serviços de acabamento interno, como instalação de luminárias, encanamento e portas.

Empreiteira tem histórico com governo russo

A TSI e o grupo Transstroiinvest, ao qual é ligada, já participaram de outras obras para o governo russo e para órgãos de segurança. Parte do complexo original foi preservada, incluindo o prédio Bocharov Ruchey-2, construído para os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014, que continua intacto e em uso para recepções oficiais.

A expansão da residência oficial de Putin no Mar Negro segue em ritmo acelerado, com previsão de conclusão do contrato principal em 2027. A investigação da BBC News Rússia expõe como documentos públicos e anúncios de trabalho revelam detalhes de uma obra cercada de sigilo, mas de grande relevância para a infraestrutura do governo russo.

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