Saiba quem é Flávio Bolsonaro: candidato a presidência do Brasil
Filho mais velho de Jair Bolsonaro, advogado construiu carreira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, chegou ao Senado e se tornou candidato ao Palácio do Planalto

A trajetória de Flávio Bolsonaro acompanha a transformação do sobrenome da família em uma das principais forças da política brasileira. Aos 45 anos, o senador pelo Rio de Janeiro e candidato do PL à Presidência da República disputa o segundo turno das eleições de 2026 contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Antes da corrida pelo Planalto, acumulou quatro mandatos como deputado estadual e uma carreira parlamentar marcada pela defesa de pautas de segurança pública, pela proximidade com o pai e por controvérsias judiciais.
Nascido em Resende, no sul fluminense, em 30 de abril de 1981, Flávio Nantes Bolsonaro é o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Cresceu em uma família que faria da atividade política uma presença constante: além do pai, os irmãos Carlos e Eduardo também construíram carreiras eleitorais. Formado em Direito pela Universidade Candido Mendes, Flávio realizou estudos em políticas públicas e empreendedorismo. É casado desde 2010 com a dentista Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, com quem tem duas filhas, Luiza e Carolina.
A entrada nas urnas ocorreu cedo. Em 2002, aos 21 anos, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, assumindo o mandato em fevereiro de 2003. Foi reeleito em 2006, 2010 e 2014, permanecendo por 16 anos no Legislativo estadual. Na Alerj, presidiu comissões e concentrou parte de sua atuação em assuntos ligados à segurança pública e à atividade policial.
Em 2016, tentou passar do Legislativo ao Executivo ao concorrer à Prefeitura do Rio de Janeiro. Terminou a disputa em quarto lugar, com aproximadamente 424 mil votos, e ficou fora do segundo turno. Dois anos depois, alcançou uma vitória de maior projeção: foi eleito senador pelo Rio, com cerca de 4,38 milhões de votos, na mesma eleição em que Jair Bolsonaro conquistou a Presidência da República.
No Senado, onde tomou posse em fevereiro de 2019, manteve a segurança pública entre suas principais bandeiras. Foi relator da proposta que resultou na Lei 14.843, de 2024, responsável por restringir as saídas temporárias de presos. Também relatou o texto que modernizou a legislação nacional do turismo, convertido na Lei 14.978, do mesmo ano. Em 2025, assumiu a presidência da Comissão de Segurança Pública da Casa.
Durante o governo do pai, entre 2019 e 2022, Flávio participou da articulação política e atuou como interlocutor entre o Palácio do Planalto e o Congresso. Sua posição combinava o mandato parlamentar com a proximidade familiar com o presidente, condição que lhe abriu espaço em negociações e discussões de interesse do Executivo.
A ascensão nacional também foi acompanhada por investigações. A de maior repercussão envolveu a suspeita de devolução de parte dos salários de servidores de seu antigo gabinete na Alerj, prática conhecida como “rachadinha”. O caso ganhou visibilidade após a identificação de movimentações financeiras consideradas atípicas nas contas de Fabrício Queiroz, seu ex-assessor. Em 2020, o Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou denúncia contra Flávio, que negou as acusações.
Decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal anularam provas utilizadas na investigação. A denúncia acabou arquivada. O desfecho decorreu da invalidação dos elementos que sustentavam a acusação, sem representar uma conclusão judicial de mérito sobre todos os fatos investigados. Flávio afirma não ter participado de cobrança de salários de assessores e sustenta que as acusações tiveram motivação política.
Em 2026, outra investigação passou a integrar o cenário de sua candidatura. A Polícia Federal apura suspeitas relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, e às negociações com Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio nega irregularidades e afirma que procurou investimento privado para a produção, sem oferecer contrapartidas. As suspeitas permanecem sob investigação.
A candidatura presidencial levou sua carreira a uma nova etapa. Escolhido pelo pai para representar o grupo político na disputa de 2026, Flávio formou chapa com o deputado federal Alfredo Gaspar (PL). No primeiro turno, recebeu 47,03% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, e avançou à votação decisiva contra Lula.
Mais de duas décadas depois de sua primeira eleição, Flávio chega à disputa pelo Executivo nacional com uma trajetória construída principalmente no Legislativo. Sua história reúne a experiência parlamentar no Rio de Janeiro e em Brasília, a influência política da família e os questionamentos que acompanharam sua projeção pública. Neste domingo, 25 de outubro, busca nas urnas o primeiro mandato de sua carreira à frente de um Poder Executivo.
























